CATECISMO ORTODOXO
Parte III
Apêndice
2 - A glorificação dos Santos
f - Conclusão
De tudo que foi dito, podemos tirar muitas conclusões. Essencialmente, de acordo com o entendimento da Igreja e de acordo com os princípios de glorificação dos Santos, esta foi sempre a mesma na Igreja Ortodoxa. Nessas questões, as Igrejas Ortodoxas Orientais do segundo milénio seguiram a Tradição da Igreja do primeiro milénio e do período mais antigo. A Igreja Russa depois da era de Pedro, o Grande, permaneceu fiel aos costumes da era pré-Petrina. A glorificação dos Santos consistia e consiste em uma generalizada afirmação de fé pela Igreja que Deus uniu os que partiram à assembleia de seus Santos. Essa fé é baseada nos factos que uma morte por martírio, ou depois de uma vida justa que foi aparente para toda a Igreja, ou pela glorificação do santo de Deus pelas realizações miraculosas em sua vida ou no seu túmulo. A glorificação é usualmente uma expressão da voz do povo da Igreja, para quem as mais altas autoridades eclesiástica, depois da devida verificação, da palavra final dada pelo sínodo, estabelecendo, reconhecendo, confirmando e dando a sanção da Igreja. A glorificação dos santos está entre as actividades mais importantes da Igreja. Em sua base, em seu aspecto elementar, a glorificação consiste no virar as orações de "para o morto" para pedidos pela intercessão do santo diante de Deus, e em sua glorificação por ofícios para o «menaion geral» ou com ofícios especialmente compostos. A glorificação de um santo e abertura de suas relíquias não constitui um único, inseparável ato, apesar de muitas vezes serem realizados justos. A Igreja Ortodoxa não mantém que seja essenciais que um período fixo de tempo passe entre o repouso de um homem justo e sua enumeração entre o coro de santos, como é aceite na confissão católica romana, que institui um período de várias décadas (usualmente cinquenta anos da data da morte para a "beatificação", um processo que grosseiramente corresponde à veneração local, e oitenta para a canonização).
Nos
milagres realizados através de orações ou nos túmulos dos justos de Deus, a
Igreja Ortodoxa vê a vontade de Deus na glorificação desses lutadores. Quando
esses sinais não existem, a Igreja não vê a vontade de Deus em sua solene
glorificação, como uma das resoluções do Patriarca Adriano de Moscovo (reinou
1690-1700) expressa com relação a uma certa requisição para a glorificação:
"Se o Senhor Nosso Deus, o Criador de tudo, glorifica qualquer um nessa
vida, e depois de sua morte, declara isso para seu povo através de muitos
milagres, então os milagres dessa pessoa tornam-se claramente conhecidos, pois
muitos santos taumaturgos foram, encontrados na Santa Igreja, cujas memórias a
Igreja sempre canta e mantém as suas relíquias. Eles não são conhecidos, quando
Deus Todo Poderoso não se agradou em glorificar com sinais e milagres, ainda
que a pessoa tenha vivido como justo, de uma santa maneira, e não são como
aqueles que a Igreja glorifica. O nome de muitos não é lembrado, e o mundo todo
não pode conter os livros com os nomes que poderiam ser escritos".
Mons. Dom ++
(Mar Alexander I
da Hispânea)