CATECISMO ORTODOXO

 

  

Parte II

 

Deus Manifestado no Mundo

 

 

16 – Ordem (Sacerdócio; Episcopado)

b - Cheirotonia (na Igreja Antiga)

De acordo com a expressão dos Actos dos Apóstolos, quando os Apóstolos que em tudo agiam de acordo com a instrução de Cristo e inspiração do Espírito Santo, acharam necessário colocar Diáconos na Igreja para servir mesas - primeiro mesas comuns, e mais tarde também a Mesa do Senhor - para aliviar os serviços dos Apóstolos, eles antes de tudo ofereceram para a reunião dos seus discípulos escolher entre eles sete homens bem reputados cheios com o Espírito Santo e sabedoria. E quando eles haviam sido escolhidos e colocados diante dos Apóstolos, “estes orando, impuseram-lhes as mãos” (Act. 6, 2-6). Aqui com absoluta clareza e separação, são colocados à parte um do outro, como dois actos distintos, a eleição de certas pessoas para o Ministério do Diaconado e a imposição de mãos sobre elas com orações. A eleição é algo meramente humano, enquanto a imposição de mão é uma acção sagrada especialmente dirigida para esse fim, e um acto da graça Divina.

No mesmo livro dos Actos dos Apóstolos nós temos indicação da imposição de mãos como um acto sagrado por meio do qual os Presbíteros também eram ordenados na Igreja dos primeiros tempos. Falando de como os Apóstolos Paulo e Barnabé iam pregando através das cidades da Ásia Menor - Derbe, Listra, Icónio e Antioquia - aumentando nelas o número de Cristãos, oo escritor do livro, o Santo Apóstolo Lucas, informa-nos: “e havendo-lhes... ordenado («cheirotonia» - na versão de João Ferreira de Almeida: eleito) anciãos em cada Igreja, orando com jejuns, os encomendaram ao Senhor...” (Act. 14, 23). Aqui a imposição de mãos, de um lado, é apresentada como um acto sagrado conhecido por todos, por meio da qual os Presbíteros eram ordenados para uma ou outra Igreja, e de outro lado como um acto sagrado que tem uma importância especial como fica claro pelo facto de ter sido realizado pelos próprios Apóstolos Paulo e Barnabé. Fica claro daí que essa ordenação não foi meramente um rito ou um sinal, mas sim a comunicação de um dom especial. E isso é confirmado mais tarde com toda ênfase pelo mesmo Apóstolo Paulo, quando na sua conversa de despedida com os Presbíteros na Igreja de Éfeso ele assim se expressa a respeito deles: “Olhai por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constitui Bispos, para apascentardes a Igreja de Deus, que ele resgatou com o seu próprio sangue” (Act. 20, 28). Que essa colocação pelo Espírito Santo foi através da colocação apostólica de mãos ou ordenação é evidente no texto acima citado (Act. 14, 23).

Finalmente nas Epístolas do Apóstolo Paulo a Timóteo nós temos uma indicação directa e clara da ordenação como acção sagrada doadora de graça pela qual Bispos eram apontados. Assim, na Primeira Epístola a Timóteo, que foi Bispo da Igreja de Éfeso, o Apóstolo escreve: “Não desprezes o dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbitério” (1 Tim. 4, 14). Em sua outra Epístola para Timóteo ele escreve: “Não desprezes o dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbitério” (1 Tim. 4, 14). Em sua outra Epístola para Timóteo ele escreve: “Por cujo motivo te lembro que despertes o dom de Deus que existe em ti pela imposição das minhas mãos” (2 Tim. 1, 16). Juntando essas duas passagens nós vemos que Timóteo foi ordenado para o Sacerdócio pelo próprio Apóstolo Paulo, ou o que é a mesma coisa, por uma assembleia dos anciãos mais velhos sobre a presidência do Apóstolo Paulo; e da mesma forma, que nessa acção sagrada foi comunicada a Timóteo o dom de Deus e esse dom é para permanecer com ele para sempre com sua herança. Dele é solicitada uma só coisa: não negligenciar o dom, mas mantê-lo aquecido. Que a imposição de mãos aqui significa nada mais que uma ordenação episcopal fica inteiramente confirmado pelas instruções seguintes a Timóteo; delas é evidente que ele foi revestido com autoridade para ordenar outros (1 Tim. 5, 22), ter supervisão sobre aqueles Presbíteros que estavam em sua jurisdição (1 Tim. 5, 17-19), e em geral ser um construtor “na Igreja de Deus, que é a igreja de Deus vivo” (1 Tim. 3, 15).

 

 

 

Arcebispo Primaz Katholikos

Mons. Dom ++ Paulo Jorge de Laureano - Vieira y Saragoça

(Mar Alexander I da Hispânea)

 

 

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Última actualização deste Link em 01 de Abril de 2009

 

 

 

 

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