CATECISMO ORTODOXO
Parte II
Deus Manifestado no Mundo
10 – A Igreja
f - Atributos da
Igreja - Sua unidade
No texto grego a palavra "em Una", é
expressa como um numeral (em mian). Assim o Símbolo
da Fé confessa que a Igreja é uma: a - é uma como
vista de dentro de si própria, não dividida; b - é uma
como vista de fora, não tendo nenhuma outra a seu lado. A sua unidade consiste
não em por junto que é diferente por natureza, mas numa concordância interna e
unanimidade. "Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes
chamados em uma só esperança da vossa vocação. Um só Senhor, uma só fé, um só
baptismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos e por todos em
todos" (Ef. 4, 4-6).
Descrevendo a Igreja em parábolas, o Salvador fala
de um só rebanho, um só aprisco, uma videira, e uma pedra de fundação da
Igreja. Ele deu um só ensinamento, um único Baptismo,
e uma única comunhão. A unidade dos fiéis em Cristo contem o sujeito de sua
Oração de Sumo Sacerdote antes de seus sofrimentos na Cruz; o Senhor orou: "Para
que todos sejam um..." (Jo. 17, 21).
A Igreja na terra tem um lado visível e um lado
invisível. O lado invisível é: que sua Cabeça é Cristo; que ela é animada pelo
Espírito Santo; que ela é realizada a mística da vida interior em santidade dos
mais perfeitos de seus membros. No entanto, a Igreja, pela natureza de seus membros,
é visível; desde que ela é composta de homens em seus corpos; ela tem uma
hierarquia visível; ela executa orações e acções sagradas visivelmente; ela
confessa abertamente, por meio de palavras, a fé de Cristo.
A Igreja não perde sua unidade porque lado a lado
com ela existem sociedades cristãs que não pertencem a ela. Essas sociedades
não estão na Igreja, elas estão fora dela.
A unidade da Igreja não é violada por conta de
divisões temporárias de natureza não dogmática. Diferença entre as Igrejas aparecem
frequentemente vindas de informações insuficientes ou incorrectas. Também, às
vezes, uma quebra temporária de comunhão é causada por erros pessoais de
hierarcas individuais que estão na cabeça de uma ou outra Igreja local; ou é
causada pela violação por eles de cánones da Igreja, ou pela violação da
submissão de um grupo eclesiástico territorial a outro de acordo com antigas
tradições estabelecidas. Além disso, ávida mostra a possibilidade de
perturbações dentro de uma Igreja local até a manifestação exterior e trunfo
dos defensores da autêntica verdade ortodoxa. Finalmente, a ligação entre
Igrejas pode às vezes ser violada por longos períodos por condições políticas,
como frequentemente tem acontecido na história (Dois exemplos da recente
história da Igreja podem servir para ilustrar o carácter dessas divisões
temporárias. No começo do século XIX, quando a Grécia proclamou a sua
independência do Sultanato Turco, as partes da Igreja Grega na própria Grécia e
a Igreja Grega na Turquia tornaram-se divididas exteriormente. Quando o
Patriarcado de Constantinopla, que ainda estava sob autoridade turca, foi
forçado a excomungar os "rebeldes" na Grécia, os Ortodoxos na Grécia
recusaram-se aceitar esse ato por ter sido feito sob coerção política, mas eles
não deixaram de olhar o Patriarca como um membro da Igreja Ortodoxa que eles,
nem tiveram dúvidas sobre se os actos sacramentais não políticos eram doadores
de graça. Essa divisão conduziu à formação hoje de duas Igrejas locais
separadas (em completa comunhão uma com a outra): a da Grécia e a de
Constantinopla.
Nó século XX, na Igreja Ortodoxa Russa, foi formada
em 1927 pelo Metropolita Sérgio (Patriarcado de Moscovo) uma administração da
Igreja baseada na submissão aos ditames dos governantes ateístas. Partes da
Igreja na Rússia (a Igreja da Catacumba ou Verdadeira Igreja Ortodoxa) e fora
da Rússia (a Igreja Russa fora da Rússia) recusam-se até hoje a ter comunhão
com essa administração por sua dominação política pelos comunistas; mas os
Bispos da Igreja fora da Rússia (a respeito da Igreja da Catacumba é mais
difícil fazer-se uma afirmação geral) não negam a graça dos Mistérios do
Patriarcado de Moscovo e ainda se sentem um com o clero e fiéis do Patriarcado
que tentam não colaborar com os objectivos comunistas. Quando o comunismo cair
totalmente na Rússia, esses corpos da Igreja poderão mais uma vez ter comunhão
ou até mesmo se juntarem, deixando para um futuro Concílio livre todo o
julgamento relativo ao período "Sergianista")
Em tais casos, a divisão toca somente em relações exteriores, mas não toca ou
viola a unidade espiritual interior.
A verdade da Igreja Una é definida pela Ortodoxia de
seus membros, e não pela sua quantidade em um ou outro momento; São Gregório, o
Teólogo, escreveu a respeito à Igreja Ortodoxa de Constantinopla antes do
Segundo Concílio Ecuménico o seguinte: "Esse campo foi uma vez pequeno e
pobre... Não foi nem mesmo um campo. Talvez ele não fosse digno de celeiros,
armazéns e foices. Nele não havia montes de feno nem ajuntamento de nada, mas
talvez só erva pequena e não amadurecida que cresce no telhado com a qual
"o segador não enche a sua mão", e que não chamam para si a bênção
daqueles que passam (Sal. 129, 6 - 8). Tal era o nosso campo, a nossa colheita!
No entanto ela é grande, gorda e abundante diante daquele que vê o que está
escondido... ainda, não é conhecida entre o povo, não está reunida num lugar,
mas é juntada pouco a pouco "como as frutas de verão, como os rabiscos
da vindima; não há cachos de uva para comer" (Miqueias 7, 1). Assim
era nossa pobreza e tristeza" (Sermão de despedida de São Gregório, o
Teólogo, aos padres do Segundo Concílio Ecuménico).
"E
aonde estão aqueles", diz São Gregório noutra homilia, "que nos
recriminam por nossa pobreza e estão orgulhosos de sua riqueza? Eles consideram
um grande número de pessoas ser um sinal da Igreja e desprezam o pequeno
rebanho. Eles medem a divindade (o santo tem em mente aqui os arianos, que
ensinavam que o Filho de Deus era menos que o Pai) pesando pessoas. Eles dão um
grande valor a grãos de areias (isso é, às massas) e desvalorizam os luminares.
Eles guardam em seus tesouros pedras comuns, e desdenham pérolas" (São
Gregório, o Teólogo, Homilia 3, contra os Arianos). Nas orações da Igreja estão
contidas petições pela cessação de possíveis desentendimentos entre as Igrejas:
"Faz com que acabem os cismas nas Igrejas... apressa-te a por termo às
revoltas das heresias pelo poder do Teu Espírito Santo" (Oração
Eucarística na Liturgia de São
Basílio, o Grande). "Nós Te glorificamos... Tu Uno na Trindade,
e imploramos pelo perdão de pecados, paz no mundo, e concórdia na Igreja...
concebe paz e unidade à tua Igreja, é tu que amas a humanidade " (Cánon das Noturnas de Domingo,
Tom 8, cântico 9).
Mons. Dom ++
(Mar Alexander I
da Hispânea)