CATECISMO ORTODOXO
Parte II
Deus Manifestado no Mundo
10 – A Igreja
g - Atributos da
Igreja - Sua santidade
O Senhor Jesus Cristo cumpriu o trabalho de seu
ministério e morte na terra na Cruz; Cristo "amou a Igreja... para a
apresentar a si mesmo a Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa
semelhante, mas santa e irrepreensível" (Ef.
5, 25-27). A Igreja é santa através de sua Cabeça, o Senhor Jesus Cristo. É
santa, também, através da presença nela do Espírito Santo e seus dons dados por
graça, comunicados nos Mistérios e outros ritos sagrados da Igreja. Ela é santa
também através de sua ligação com a Igreja celeste.
O verdadeiro corpo da Igreja é santo: "E, se
as primícias são santas, também a massa o é; se a raiz é santa, também os ramos
o são" (Rom. 11, 16). Na verdadeira Igreja
sempre houve e sempre há pessoas da mais elevada pureza espiritual e com dons
especiais de graça - mártires, virgens, ascetas,
santos monges e monjas, hierarcas, justos, benditos. A Igreja tem um não
contado coro de pessoas partidas de todos os tempos. Ela tem manifestações dos
extraordinários dons do Espírito
Santo, tanto visíveis quanto escondidos dos olhos do mundo.
A Igreja é santa pelo seu chamado, ou seu propósito.
Ela é santa também por seus frutos: "...tendes o vosso fruto para
santificação, e por fim a vida eterna" (Rom.
6, 22), como o Apóstolo
Paulo nos instrui.
A Igreja é santa também através de seu puro e
infalível ensinamento da fé: a Igreja do Deus vivo e, de acordo com a palavra
de Deus, "a coluna e firmeza da verdade" (1 Tim. 3, 15). Os Patriarcas
das Igrejas Orientais, considerando a infalibilidade da Igreja no seu
ensinamento, expressam-se assim: "dizendo que o ensinamento da Igreja é
infalível, nós não afirmamos nada mais que isso, que é imutável, que é o mesmo
que foi dado a ela no inicio como o ensinamento de
Deus" (Encíclica dos Patriarcas Orientais, 1848, parágrafo 12).
A santidade da Igreja não é obscurecida pela
intrusão do mundo na Igreja, ou pela pecabilidade dos homens, tudo o que é
pecaminoso ou mundano e que se introduz na esfera da Igreja permanece estranho
a ela e é destinado a ser peneirado para fora e destruído, como erva daninha na
época de plantio. A opinião que a Igreja consiste só de pessoas justas e santas
sem pecado não coincide com o ensinamento directo de Cristo e seus Apóstolos. O
Salvador compara a sua Igreja com um campo onde o trigo cresce juntamente com o
joio, e outra vez, com uma rede que tira dá água dons e maus peixes. Na Igreja
há bons e maus servos (Mt. 18, 23-35), virgens sábias
e loucas (Mt. 25, 1-13). "Nós acreditamos",
estabelece a Encíclica dos Patriarcas Orientais, "que os membros da Igreja
Católica são todos os fieis, e somente os fieis, isto é, aqueles que sem duvida
confessam a fé pura no Salvador Cristo (a fé que nós recebemos do próprio
Cristo, dos Apóstolos e dos santos Concílios
Ecuménicos), ainda que alguns fiéis possam submeter-se a vários pecados. A
Igreja julga-os, chama-os ao arrependimento, e os conduz aos caminhos dos
mandamentos salvíficos. É por isso apesar do facto que eles são sujeitos aos
pecados, eles permanecem e são reconhecidos como membros da Igreja Católica
enquanto não se tornarem apóstatas e enquanto mantiverem a fé
Católica-Ortodoxa".
Mas há uma fronteira, que se os pecadores
ultrapassarem, eles, como membros mortos, são cortados do corpo da Igreja, seja
por um acto visível da autoridade da Igreja ou por acto invisível do julgamento
de Deus. Assim, aqueles que não pertencem à Igreja e que são ateístas ou
apóstatas da fé Cristã, aqueles que são pecadores caracterizados por uma
teimosia consciente e falta de arrependimento pelos seus pecados, como é dito
no Catecismo (artigo nono). Também entre aqueles que não pertencem a Igreja há
heréticos que corromperam os nossos dogmas fundamentais da fé; cismáticos que
por vontade própria se separaram da Igreja (o Cánon
33 do Concílio de Laodicéia proíbe a oração com
cismáticos). São
Basílio, o Grande explica: "os antigos distinguiam entre heresia,
cisma e assembleias arbitrárias. Eles chamavam heréticos aqueles que se tinham
cortado completamente para fora e se tinham tornado estranhos na fé em si;
chamavam-se cismáticos àqueles que se haviam separado por iniciativa própria
por opiniões a respeito de certos assuntos eclesiásticos e em questões que
permitiam tratamento e cura; chamavam de assembleias ordinárias àquelas
reuniões compostas de padres ou Bispos desobedientes e povo não
instruído".
A Tradição
da Igreja é irreconciliável com falsos ensinamentos e heresias. Por isso a
Igreja guarda estritamente a pureza da verdade e ela mesma exclui os heréticos
de seu meio.
Mons. Dom ++
(Mar Alexander I
da Hispânea)