CATECISMO ORTODOXO
Parte II
Deus Manifestado no Mundo
9 - A Ressurreição de Cristo
b - A vitória
sobre o inferno e a morte
A existência humana depois da perda do paraíso tem
duas formas: a) a terrena, vida corporal; e b) a vida após a morte.
A vida terrena termina com a morte do corpo. A alma
preserva sua existência depois da morte corporal, mas sua condição depois da
morte, de acordo com a palavra de Deus e o ensinamento dos Padres
da Igreja, é diversa. Até a vinda para a terra do Filho de Deus, e até à
sua Ressurreição dos mortos, as almas dos mortos estavam em uma condição de
rejeição, estando afastadas de Deus, nas trevas, no inferno, no submundo (o "Sheol" em
hebreu). Estar no inferno era como a morte espiritual, como é expresso nas
palavras do Salmo do Velho Testamento: "Porque na morte não há
lembranças de ti: no sepulcro quem te louvará?" (Sal. 6, 5). No
inferno estavam aprisionadas também as almas dos justos do Velho Testamento.
Esses justos viveram na terra com fé na vida do Salvador, como o Apóstolo
Paulo explica no capítulo onze de sua Epístola aos Hebreus, e após a morte
eles consumiam-se na expectativa da sua redenção e libertação. Assim continuou
até a Ressurreição de Cristo, até a vinda do Novo Testamento: "E todos
estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa, provendo Deus
alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles sem nós não fossem
aperfeiçoados" (Heb. 11, 39-40). Nossa
libertação foi também a libertação deles.
Cristo, depois de sua morte na Cruz, desceu em sua
alma e
Para usar as palavras de São
João Crisóstomo: "o inferno foi tornado cativo pelo Senhor que desceu
nele. Ele foi deixado abandonado, foi posto à morte, foi derrubado, foi
atado" (Homília da Páscoa).
Com a destruição dos ferrolhos do inferno, isto é,
da impossibilidade de escapar do inferno, o poder da morte, também foi
aniquilado. Primeiro de tudo, a morte para os justos tornou-se só uma transição
do mundo abaixo para o mundo acima, para uma vida melhor, a vida na luz do
Reino de Deus; segundo, a própria morte corporal tornou-se só um fenómeno
temporário, pois pela Ressurreição de Cristo o caminho para a Ressurreição
geral foi aberto para nós.
"Mas agora Cristo ressuscitou dos mortos, e foi
feito as primícias dos que dormem" (1 Cor. 15, 20). A Ressurreição de Cristo é a
caução de nossa ressurreição: "Porque, assim como todos morrem em Adão,
assim também todos serão vivificados em Cristo; mas cada um por sua ordem:
Cristo as primícias, depois os que são de Cristo, na sua vinda" (1
Cor. 15, 22-23). Depois disso, a morte será completamente aniquilada. "Ora,
o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte" (1 Cor. 15, 26).
O tropário da Santa Páscoa proclama para nós com
especial alegria a vitória sobre o inferno e a morte: "Cristo ressuscitou
dos mortos, e pela morte Ele venceu a morte, aos que estavam no túmulo Cristo
deu a vida". "Cristo subiu acima de todos os céus, para cumprir
todas as coisas" (Ef. 4, 10).
Mons. Dom ++
(Mar Alexander I
da Hispânea)