CATECISMO ORTODOXO

 

  

Parte II

 

Deus Manifestado no Mundo

 

 

20 - Escatologia Cristã

g - A ressurreição dos mortos

No grande dia da Vinda do Filho do Homem será cumprida a ressurreição universal dos mortos em uma aparência transfigurada. A respeito da ressurreição dos mortos o Senhor diz: "porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz; e os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizerem o mal para a ressurreição da condenação" (Jo. 5, 28-29). Quando os saduceus expressaram descrença na possibilidade da ressurreição, o Senhor censurou-os: "Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus" (Mt. 22, 29).

A certeza na verdade da ressurreição e da importância da crença na ressurreição foram expressas pelo Apóstolo Paulo nas seguintes palavras: "E se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé. E assim somos também considerados como falsos testemunhos de Deus, pois testificamos de Deus que ressuscitou a Cristo, ao qual, porém, não ressuscitou, se, na verdade, os mortos não ressuscitam... Mas agora Cristo ressuscitou dos mortos, e foi feito as primícias dos que dormem... Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo" (1 Cor. 15, 13-15; 20, 22).

A ressurreição dos mortos será universal e simultânea tanto dos justos quanto dos pecadores. Todos os mortos: "ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação" (Jo. 5, 29). "Há-de haver ressurreição de mortos, assim dos justos como dos injustos" (Act. 24, 15 essas são as palavras do Apóstolo Paulo diante do governador Félix). Se o mesmo Apóstolo noutro lugar (1 Cor. 15 e também 1 Tess. 4), falando da ressurreição dos mortos em Cristo, não menciona a ressurreição dos pecadores, isto é evidentemente por causa do seu propósito directo que é de forçar a fé dos Cristãos em sua futura ressurreição em Cristo. No entanto, não há duvida que a aparência ou forma dos ressuscitados justos será diferente da dos ressuscitados pecadores: "Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de Deus Pai" - são palavras faladas pelo Senhor só sobre os justos (Mt. 14, 43) "alguns parecerão luz e os outros trevas", reflecte São Efrém, o Sírio, nessa passagem (Homilia «on the Fear of God and tje Last Judgemene»).

Da palavra de Deus deve-se concluir que os corpos ressuscitados serão essencialmente os mesmos que pertenceram a suas almas na vida terrena. "Convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e que isto que é mortal se revista da imortalidade" (1 Cor. 15, 53). Mas ao mesmo tempo, eles serão transfigurados, e primeiro de tudo, os corpos dos justos serão incorruptos e imortais, como é evidente das mesmas palavras do Apóstolo. Eles serão completamente livres das fraquezas e enfermidades da vida presente. Eles serão espirituais, celestes, não tendo necessidades corporais terrenas. A vida depois da ressurreição será como a vida dos espíritos sem carne, os anjos, de acordo com a palavra do Senhor (Lc. 20, 36). Para os pecadores, seus corpos também sem nenhuma dúvida se levantarão numa nova forma, mas recebendo uma natureza incorrupta e espiritual, ao mesmo tempo eles expressarão em si mesmos a condição de suas almas.

Com o objectivo de fazer a fé na futura transformação dos corpos mais fácil, o Apóstolo compara a futura ressurreição com semeadura, um símbolo da ressurreição dado por natureza: "mas alguém dirá: como ressuscitarão os mortos? E com que corpo virão? Insensato! O que tu semeias não é vivificado, se primeiro não morrer. E quando semeias, não semeias o corpo que há-de nascer, mas o simples grão, como de trigo, ou outra qualquer semente. Mas Deus dá-lhe o corpo como quer, e a cada semente o seu próprio corpo" (1 Cor. 15, 35-38).

Com o mesmo objectivo os Padres da Igreja indicaram que no mundo em geral nada é aniquilado e desaparece, e que Deus é poderoso para restaurar aquilo que Ele mesmo criou. Voltando à natureza, eles encontram nela similaridade com a ressurreição, tais como: o brotar de plantas de uma semente que é jogada na terra e apodrece ali; a renovação anual da natureza na primavera; a renovação do dia, o acordar do sono; a formação original do homem do pó da terra; e outras manifestações.

A ressurreição universal e os acontecimentos que a ela se seguem são realidades que nós somos incapazes de representar totalmente em nossa imaginação, já que nunca as experimentamos em sua autêntica forma futura; nem podemos compreendê-las completamente com nosso pensamento racional, nem resolver as numerosas questões que são postas pelas mentes curiosas a respeito desse assunto. Por isso, essas questões e as concepções pessoais que foram expressas em resposta a ela - frequentemente em várias formas - nos escritos dos Padres e Professores da Igreja não entram imediatamente no assunto da teologia dogmática, cuja obrigação é desenhar as verdades precisas da fé baseada na Sagrada Escritura.

 

 

 

Arcebispo Primaz Katholikos

Mons. Dom ++ Paulo Jorge de Laureano - Vieira y Saragoça

(Mar Alexander I da Hispânea)

 

 

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Última actualização deste Link em 01 de Abril de 2009

 

 

 

 

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