CATECISMO ORTODOXO
Parte II
Deus Manifestado no Mundo
14 – Eucaristia (Missa; Fracção do
Pão; Santa Ceia)
d - A mudança do
pão e vinho no Mistério da Eucaristia
No
Mistério da Eucaristia,
no momento em que o Presbítero, invocando o Espírito Santo sobre os dons
oferecidos, os abençoa com a oração para Deus o Pai: “Faz desse pão o Corpo
precioso do Teu Cristo; e do que contem esse cálice o Sangue precioso do Teu Cristo;
mudando-os pelo poder do Teu Espírito Santo” - o pão e
o vinho na verdade são Cristo; mudados em Corpo e Sangue pela descida do
Espírito Santo. Depois desse momento, apesar de nossos olhos verem pão e vinho
sobre o Altar, na sua verdadeira essência, invisível para os olhos sensoriais,
isto é o verdadeiro Corpo e o verdadeiro Sangue de Jesus Cristo, somente sob as
“formas” de pão e vinho.
Assim os Dons santificados:
1 - não são só sinais ou
símbolos, lembrando os fiéis da redenção; como o reformador
Zwingli ensinou;
2 - não é só por sua
“actividade e poder” (“dinamicamente”) que Jesus Cristo está presente neles,
como Calvino ensinou;
3 - ele não está presente
só no sentido de “penetração”, como os luteranos ensinam (que reconhecem a co-presença de Cristo “com o pão, na forma de pão, no
pão”). Mas os dons santificados no Mistério são mudados ou (um termo mais
tardio) “transubstanciados” (o termo “transubstanciação” vem da Escolástica
medieval latina seguindo as categorias Aristotelianas.
“Transubstanciação” é uma mudança de da “substância” ou realidade intrínseca
interior dos Santos Dons sem mudanças dos “acidentes” ou aparência de pão e
vinho. A Teologia Ortodoxa no entanto, não tenta “definir” esse mistério em
termos de categorias filosóficas e assim prefere a palavra simples “mudança”)
ao verdadeiro Corpo e verdadeiro Sangue de Cristo, como o Salvador disse: “Porque
minha Carne verdadeiramente é comida, e o meu Sangue verdadeiramente é bebida”
(Jo. 6, 55).
Essa verdade é expressa na Encíclica dos
Patriarcados Orientais nas seguintes palavras: “Nós acreditamos que nesse rito
sagrado Nosso Senhor Jesus Cristo está presente não simbolicamente (typicos), não figurativo (eikonikos),
não por uma abundância de graça, como
Tal ensinamento sobre o Santo Mistério da Comunhão
pode ser encontrado em todos os Santos
Padres, começando com os mais antigos, tais como Inácio, o Teóforo, e outros antigos escritores como São Justino,
o Filósofo. No entanto, em muitos dos escritores antigos esse ensinamento não é
expresso em termos completamente precisos, e em algumas expressões parece
existir uma interpretação quase simbólica (alguma coisa que os Protestantes
apontam). No entanto, esses modos de expressão em parte devem ser explicados
pelos objectivos polémicos que esses escritores tinham em mente: por exemplo,
Orígenes estava escrevendo contra uma crua atitude sensorial para com o
Mistério; Tertuliano estava combatendo a heresia de Marciano; e os apologistas
estavam defendendo as verdades Cristãs contra os pagãos, mas sem conduzi-los às
profundezas dos mistérios.
Os Padres que participaram no Primeiro Concilio Ecuménico
confessaram: “Na Mesa Divina (altar) nós não devemos ver simplesmente o pão e o
cálice que foram oferecidos mas elevando nossas mentes, nós devemos compreender
que na Mesa sagrada jaz o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo, Que é
oferecido em Sacrifício pelo presbítero; e verdadeiramente recebendo Seu
Precioso Corpo e Sangue, nós devemos acreditar que isso é um sinal de nossa
Ressurreição”.
De modo a mostrar e explicar a possibilidade de tal
transformação do pão e do vinho pelo poder de Deus no Corpo e Sangue de Cristo,
os antigos pastores indicavam a Omnipotência do Criador e as obras especiais de
sua omnipotência: a criação do mundo a partir do nada, o mistério da
Encarnação, os milagres registrados nos livros sagrados, e em particular a
transformação de água em vinho (São
João Crisóstomo, Santo
Ambrósio, São
Cirilo de Jerusalém, São
João Damasceno, entre outros). Eles também indicavam como em nós o pão e o
vinho ou água tomados por nós são convertidos, de maneira desconhecida, em
nosso corpo e sangue (São João Damasceno).
Mons. Dom ++
(Mar Alexander I
da Hispânea)