CATECISMO ORTODOXO

 

  

Parte III

 

Apêndice

 

 

2 - A glorificação dos Santos

a - Introdução

O que é, em essência a glorificação pela Igreja dos Santos? Na Igreja Santa Católica e Ortodoxa a memória em oração de cada um de seus membros que partiu na fé, esperança e arrependimento é cuidada. Essa comemoração da maioria dos que partiram é limitada, comparativamente ao estreito círculo da "Igreja doméstica" ou, em geral, a pessoas de relação sanguínea próxima ou adquirida com os que partiram. Ela é expressa pela oração pelos que partiram, oração pela remissão dos pecados, que "sua alma seja cantada entre os justos", que "seu repouso seja entre os santos". Esse é um fio espiritual que liga os que estão na terra aos que partiram; é uma expressão de amor que é benéfica tanto para os que partiram quanto para os que oram por eles. Se, depois da morte, ele não é privado da visão da glória de Deus, por seus pecados pessoais, ele responde com suas orações próprias para aqueles próximos a ele na terra.

Pessoas que são grandes em seu espírito Cristão, gloriosos em seu serviço à Igreja, faróis iluminando o mundo, deixando atrás de si uma memória que não é confinada a um mundo estreito de pessoas, mas uma memória que abrange toda a Igreja local ou universal. Confiança em eles terem atingido a glória do Senhor e no poder de suas orações, mesmo depois de mortos, é tão grande e não questionada que o pensamento de seus irmãos na terra não é canalizado para o perdão de seus pecados (já que eles são santos diante do Senhor sem isso), mas para a louvação de suas lutas, para aceitar suas vidas como modelo para si próprio, e para pedir as orações deles por nós.

Em testemunho da profunda certeza da Igreja que um homem justo que repousou está com o Senhor, no coro dos santos na Igreja celeste, ela Igreja compõe um ato de "numerá-los entre os santos" ou de "glorificação". Por esse ato a Igreja dá a sua bênção para a mudança de oração para os que repousam para oração de pedido para nós assistência diante do trono de Deus. A voz unânime da Igreja, expressa através dos lábios de seus hierarcas, a voz conciliatória, confirma a convicção de seus membros comuns a respeito da santidade do homem justo. Tal é a essência do ato de glorificação. Nada na Igreja deve ser arbitrário, mas "próprio e ordenado". A preocupação da Igreja com relação a isso é expressa pelo oferecimento de uma súplica orante uniforme para o justo.

Às vezes a comemoração de um justo que partiu não se estende além de uma região particular. Outros santos de Deus tornaram-se famosos e renovados em toda a Igreja mesmo durante a sua actividade terrestre; eles são a glória da Igreja e mostram ser os pilares da Igreja. Uma resolução eclesiástica sobre a glorificação deles confirma essa comemoração para sempre no domínio próprio, isto é, na Igreja local que ele fez essa resolução, ou em toda Igreja Universal.

A assembleia dos Santos na Igreja celeste de todos os tempos é grande, além de numerosa. Os nomes de alguns santos são conhecidos na terra; outros permanecem desconhecidos. Os santos são como estrelas - aqueles mais perto de nós são vistos mais claramente; no entanto, incontáveis outros pontos de luz existem pelo espaço, além do alcance da visão humana. Assim, na comemoração da Igreja, os santos são glorificados em grandes grupos e assembleias completas, assim como individualmente. Tais são as comemorações de mártires que foram mortos em centenas e milhares, os Padres dos Concílios Ecuménicos, e, finalmente a celebração geral de "todos os santos", a anual (o primeiro domingo após o Pentecostes; o segundo domingo após o Pentecostes para todos os santos da Rússia), e a semanal (todos os sábados).

Como ocorreu e ocorre a glorificação dos grandes hierarcas, ascetas, e outros reconhecidos como santos da Igreja? Na base de que principio, porque critérios, porque rito - no geral, e em casos individuais? Pesquisa pelo professor E. Golubinsky, «The Historyof The Canonization of Saints in the Russian Church» (2ª edição, Moscovo: University Press, 1903) é dedicada a essa questão. Na exposição que se segue iremos, em sua maior parte, fazer do trabalho do Professor Golubinsky.

Quanto ao uso do termo canonização dos santos, o Prof. Golubinsky admite nas primeiras linhas de seu livro que, apesar desse termo ser etimológico, derivado da palavra grega «canon», ele forma uma parte da terminologia da Igreja latina e não é empregado pelos Ortodoxos gregos. Essa é uma indicação que nós não precisamos usar esse termo; e de facto, mesmo no seu próprio tempo o Prof. Golubinsky foi recriminado por usar o termo assiduamente, especialmente porque o espírito e carácter da glorificação Ortodoxa é alguma coisa diferente da canonização da confissão romana. A canonização da Igreja Romana, em sua forma contemporânea, consiste em uma solene proclamação pelo Papa: "Nós, resolvemos e determinamos que o Bem Aventurado N. é um santo e o colocamos no catálogo dos santos, ordenando que toda a Igreja honre sua memória com reverência...." A expressão Ortodoxa "enumerando-o entre o coro dos santos" não tem fórmula especial, fixa, mas o seu sentido deve ser expresso assim: "Nós confessamos que N. está (é enumerado com) o coro dos santos de Deus".

 

 

 

Arcebispo Primaz Katholikos

Mons. Dom ++ Paulo Jorge de Laureano - Vieira y Saragoça

(Mar Alexander I da Hispânea)

 

 

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Última actualização deste Link em 01 de Abril de 2009

 

 

 

 

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