CATECISMO ORTODOXO
Parte II
Deus Manifestado no Mundo
19 – A Oração Como Expressão da Vida
na Igreja
a - A Ligação
Espiritual dos Membros da Igreja
A Oração é a manifestação da vida da Igreja e a
ligação espiritual de seus membros com Deus na Santíssima
Trindade, e de todos com cada um outro. Ela é tão inseparável da fé que ela
pode ser chamada de atmosfera da Igreja ou a respiração da Igreja. As Orações
são as linhas de uma fábrica viva do corpo da Igreja, e elas vão em todas as
direcções. A ligação da oração penetra no corpo todo da Igreja, conduzindo cada
parte dela para a vida comum do corpo, animando cada parte, e ajudando cada
parte, pela nutrição, limpeza, e por outras formas de auxílio mútuo (Ef. 4, 16). Ela une cada membro da Igreja com o Pai
Celestial, os membros da Igreja terrestre com os outros e os membros terrestres
com os membros celestes. Ela não cessa, mas cresce mais ainda e é exaltada no
Reino Celeste.
Por toda a Sagrada Escritura do Novo Testamento
segue o comando de oração sem cessar: "orai sem cessar" (Tess. 5, 17); "Orando em todo tempo com toda a
oração e suplica no Espírito" (Ef. 6, 18); "E
contou-lhes uma parábola sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer"
(Lc. 18, 1).
O exemplo perfeito de oração pessoal foi-nos dado
pelo próprio Senhor Jesus Cristo. Ele nos deixou um exemplo de oração, "Pai
Nosso" - a Oração do Senhor. Oração é: a - a forma da vida da Igreja; b - um
instrumento ou meio de suas actividades; c - o seu
poder de vencer.
A oração é de dois tipos: pública e privada. Existe
oração que é de palavras, e em particular cantada, e existe oração mental, isto
é, oração interior, ou a oração da mente no coração. O conteúdo da oração é: a - louvor ou glória; b -
agradecimento; c - arrependimento; d - súplica pela misericórdia de Deus, pelo perdão dos
pecados, para a concessão de boas coisas para a alma e para o corpo, tanto
celestes quanto terrestres. Arrependimento perante Deus muitas vezes tem a
forma de conversa com a própria alma - como por
exemplo, com frequência ocorre nos cánones (não os cánones ou regras dos Concílios,
mas os cánones, usualmente compostos de nove cânticos ou odes, que são uma
parte regular dos ofícios de matinas e Completas, e que podem serem lidos
privadamente).
A oração pode ser por si ou pelos outros. A oração
por cada outro expressa o amor mutuo entre membros da
Igreja. Desde que, o amor nunca falha de acordo com a lei do amor Cristão, eles
também oram por aqueles que estão na terra, assim como pelo repouso de seus
irmãos que estão necessitados do auxilio da oração.
Finalmente, nós próprios apelamos para aqueles no céu com a súplica para que
orem por nós e por nossos irmãos. Sobre essa ligação do celeste com o terrestre
está baseada também a preocupação dos anjos connosco e com nossas orações para
eles.
O poder da oração pelos outros é constantemente
afirmado pela palavra de Deus. O Salvador disse ao Apóstolo
Pedro: "Mas eu roguei por ti, para que tua fé não desfaleça"
(Lc. 22, 32). O Santo
Apóstolo Paulo frequentemente roga aos Cristãos que orem por ele: "Porque
espero que pelas vossas orações vos hei-de ser concedido" (Filemon 1, 22). "Irmãos, rogai por nós, para que a
palavra do Senhor tenha livre curso e seja glorificada, como também o é entre
vós" (2 Tess. 3, 1). Estando longe, o
Apóstolo junta-se com os seus irmãos espirituais em orações comuns: "E
rogo-vos irmãos, por Nosso Senhor Jesus Cristo, e pelo amor do Espírito, que
combatais comigo nas vossas orações por mim a Deus" (Rom. 15, 30). O Apóstolo Tiago instrui: "... e orai uns pelos outros, para que sareis; a oração feita por
um justo pode muito em seus efeitos" (Tig.
5, 16). São João, o Teólogo, viu na revelação como no céu vinte e quatro anciãos,
estando no trono de Deus, prostraram-se diante do Cordeiro, e todos tinham
harpas e salvas de ouro cheias de incenso, "que são as orações dos
mortos" (Apoc. 5, 8), isto é eles elevaram
as orações dos santos na terra para o Trono Celeste.
Mons. Dom ++
(Mar Alexander I
da Hispânea)