CATECISMO ORTODOXO
Parte II
Deus Manifestado no Mundo
15 – Arrependimento (Confissão;
Penitência)
b - A
Instituição do mistério
O Senhor institui o Mistério
do Arrependimento, depois da sua Ressurreição, quando tendo aparecido para
os seus discípulos, que, à excepção de Tomé, estavam reunidos solenemente,
disse-lhes: “Paz seja convosco. E dizendo isso assoprou sobre eles e
disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados lhe
serão perdoados: e àqueles a quem o retiverdes lhes serão retidos” (Jo. 20, 21-23). Além disso, mesmo antes disso, Cristo o
Salvador por duas vezes fez uma promessa sobre esse Mistério. A primeira, Ele
disse-o ao Apóstolo
Pedro, quando este, em nome de todos os Apóstolos, confessou ser ele o Filho de Deus: “E eu te darei as chaves do reino do
céu; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que
desligares na terra será desligado nos céus” (Mt.
16, 19). A segunda vez ele testemunhou para todos os
Apóstolos: “...e, se ele não escutar, considera-o como gentio e publicano.
Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo
que desligardes na terra será desligado no céu” (Mt.
18, 17-18).
Os Presbíteros
são só os instrumentos visíveis da realização do Mistério, que é realizado
através do próprio Deus.
São
João Crisóstomo tendo em mente a divina instituição dos Pastores na Igreja
para ligar e desligar, diz: “Os Presbíteros decretam em baixo, Deus confirma
acima, e o Mestre concorda com a opinião de seus escravos”. O Presbítero é aqui
um instrumento da misericórdia de Deus, e redime os pecados não por sua
autoridade, mas em nome da Santíssima
Trindade.
Os efeitos invisíveis da graça no Mistério do
Arrependimento, em sua extensão e poder, abrange todos os actos ilegais do
homem, e não há pecado que não possa ser perdoado no homem se ele sinceramente
se arrepender e confessar o pecado com viva fé no Senhor Jesus Cristo e
esperança em Sua misericórdia. “Eu não vim a chamar os justos, mas os
pecadores ao arrependimento” (Mt. 9, 13), disse o
Salvador, e o pecado tão grande do Apóstolo Pedro, ele perdoou quando Pedro se
arrependeu sinceramente. É sabido que o Apóstolo Pedro chamou para o
arrependimento até os judeus que crucificaram o verdadeiro Messias (Act. 2, 38), e depois ele chamou Simão, o Feiticeiro, o
ancestral de todos os heréticos (Act. 8, 22); o Apóstolo
Paulo deu remissão para o homem incestuoso que se arrependeu, submetendo
primeiro a uma excomunhão temporária (2 Cor. 2, 7).
De outro lado, é essencial lembrar que a remissão
dos pecados do Mistério é um acto de misericórdia, mas não uma piedade
irracional. É dada para o proveito espiritual do homem, para a edificação e não
para a destruição” (2 Cor. 10, 8). Isso deixa uma grande responsabilidade para
quem realiza o Mistério.
A Sagrada Escritura fala de casos ou condições em
que pecados não são perdoados. Na Palavra de Deus há menção à blasfémia contra
o Espírito Santo, que “não será perdoada ao homem, nem nesse século, nem no
futuro” (Mt. 12, 31-32). Da mesma forma é falado
do pecado para a morte, para o perdão do qual não digo que ore (1 Jo. 5, 16). Finalmente, o Apóstolo Paulo instrui que “é
impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram a boa Palavra de
Deus, e as virtudes do século futuro, e recaíram, sejam outra vez renovado para
arrependimento, pois assim quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e
o expõe ao vitupério” (Heb. 6, 4-6).
Em todos esses casos, a razão pela qual o perdão dos
pecados não é possível é para ser encontrada nos próprios pecadores e não na
vontade de Deus; mas precisamente, na falta de arrependimento dos pecadores.
Como pode um pecado ser perdoado pela graça do Espírito Santo, quando blasfémia
é lançada contra essa própria graça? Mas deve-se acreditar que, mesmo nesses
pecados, os pecadores, se oferecerem arrependimento sincero e lamentarem sobre
os seus pecados, serão perdoados, pois, diz São João Crisóstomo sobre a
blasfémia contra o Espírito Santo, “mesmo essa culpa será redimida para aqueles
que se arrependerem. Muitos daqueles que lançaram blasfémia contra o Espírito
subsequentemente vieram a crer, e tudo foi redimido neles” (Homilias sobre o
Evangelho de São Mateus). Além disso, os Padres do Sétimo Concílio
Ecuménico falam da possibilidade do perdão de pecados para a morte: “O
pecado para a morte é quando, depois de pecar, o pecador não se corrige...
Nesse pecador o Senhor Jesus não habita, a menos que ele se humilhe e se
recobre da queda no pecado. È adequado para o pecador aproximar-se mais uma vez
de Deus e com o coração contrito peça pela remissão dos pecados e perdão, e não
vanglorie-se sobre um ato injusto. “Perto está o Senhor dos que têm o
coração quebrantado, e salva os contritos de espírito” (Apoc.
2, 1-5).
Mons. Dom ++
(Mar Alexander I
da Hispânea)