CATECISMO ORTODOXO

 

  

Parte II

Deus Manifestado no Mundo

 

 

18 - Santa Unção

b - A Divina Instituição do Mistério

Mesmo nos tempos do Velho Testamento óleo significava graça, alegria, um prazer para a vida. A Unção dos enfermos com óleo era feita pelos Apóstolos, como nós lemos no Evangelista Marcos 6, 13: “...e ungiam muitos enfermos com óleo, e os curavam”.

O testemunho mais claro do Mistério da Unção é encontrado no Apóstolo Tiago 5, 14-15: “Está entre vós alguém doente? Chame os Presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor. E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados”. O Apóstolo fala aqui não de um “dom” especial de cura; ao invés ele prescreve a acção sagrada em uma forma definida que era para entrar nos costumes da Igreja: a realização dela pelos Presbíteros da Igreja, orações, unção; e o Apóstolo junta a isso, como sua consequência, a melhora da doença do corpo, e o perdão dos pecados.

Não se pode entender as palavras do Apóstolo Tiago a respeito de unção com óleo como se referindo a um método usual de cura daqueles tempos, desde que óleo, com todos os seus atributos benéficos, não é um meio de cura contra todas as doenças. Os Apóstolos não introduziram nada de si próprios, mas eles ensinaram somente o que o Senhor Jesus Cristo havia ordenado a eles, e o que o Espírito Santo havia inspirado neles; e eles não se chamaram a si próprios de “instituidores” dos Mistérios de Deus, mas só de “dispensadores” dos Mistérios e “servos de Cristo”. Consequentemente a Unção também, que é ordenada aqui pelo Apóstolo Tiago, tem uma instituição Divina.

Na literatura Cristã antiga pode-se encontrar testemunhos indirectos do Mistério da Unção em Santo Irineu de Lyon e Orígenes. Mais tarde há claros testemunhos dele em São Basílio, o Grande, e São João Crisóstomo, que deixou orações para a cura de enfermos que entraram depois no Rito da Unção; e da mesma forma em São Cirilo de Alexandria. No século quinto, o Papa São Inocêncio I respondeu a uma série de questões a respeito do Mistério da Unção, indicando em suas respostas que:

a - deveria ser realizada “sobre fiéis que estivessem doentes”;

b - deveria ser realizada também por um Bispo, para que ninguém visse nas palavras do Apóstolo “...chame os presbíteros”, nenhuma proibição para um Bispo participar na acção sagrada;

c - essa unção não deve ser realizada “sobre aqueles que estivessem sob penalidade eclesiástica”, porque a unção não deve ser realizada “sobre aqueles que estiverem sob penalidade eclesiástica”, porque é um “mistério”, e se para alguém estão proibidos os outros mistérios, como permitir-se só um?

Esse Mistério é realizado sobre os doentes que estão capazes de recebe-lo conscientemente e participando das orações por si próprios; no entanto que ele pode também ser realizado sobre crianças. O local dessa acção sagrada pode ser ou a Igreja ou o local onde a pessoa esteja acamada. O Mistério da Unção é usualmente precedido por Confissão e usualmente concluído com o Mistério da Comunhão.

O lado visível do Mistério compreende sete unções da pessoa doente com óleo pelos Presbíteros participantes em ordem. Isso é feito na forma de cruz na fronte, nas narinas, bochechas, lábios, peito, dois lados da mão, acompanhados por orações e pela leitura de passagens específicas de Epístolas e Evangelho. Durante a unção em si, sete vezes é pronunciada essa oração: “Pai Santo, médico das almas e dos corpos, que enviaste o Filho Unigénito, Nosso Senhor Jesus Cristo, para curar de todo o mal e libertar da morte a todos os homens, cura também Teu servo (nome)...e continua...”.

O Rito da Unção começa com o canto do tropário e um cánon; a oração final do rito é uma oração de remissão dos pecados. Uma completa assembleia de servos de Deus fica diante dele em nome da pessoa doente, e pelas orações de fé em nome de toda a Igreja, roga a ele, o Misericordiosíssimo, para conceder ao doente a remissão das transgressões e a purificação de sua consciência de toda mácula. É também mantido em mente o facto de que a pessoa que cresceu em fraqueza de corpo e alma, não é sempre capaz de oferecer a confissão apropriada de seus pecados. Essa iluminação da consciência do que está recebendo o Mistério da Unção abre o caminho também para uma cura doadora de graça da sua enfermidade corporal pelas orações de fé. É permitido e algumas vezes praticado um rito especial de Unção, que é realizado na Igreja sobre muitas pessoas ao mesmo tempo, num dia especialmente marcado para isso, para a cura geral de enfermidades da alma e corpo. Mas esse rito não é precisamente idêntico ao Mistério da Unção (Nesse rito, usualmente celebrado na noite da Quarta-Feira Santa, como se fosse uma preparação para a morte e sepultamento do Senhor, todos os presentes vêm para a frente para serem ungidos por cada um dos sete (ou menos) Presbíteros; as unções podem ser feitas todas juntas no fim do ofício, ao invés de depois e cada leitura do Evangelho, com o acompanhamento de um refrão repetido e cantado com uma melodia quaresmal especial: “Ouve-nos, ó Senhor, ouve-nos ó Mestre; ouve-nos Ó Santo”).

 

 

Arcebispo Primaz Katholikos

Mons. Dom ++ Paulo Jorge de Laureano - Vieira y Saragoça

(Mar Alexander I da Hispânea)

 

 

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Última actualização deste Link em 01 de Abril de 2009

 

 

 

 

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