CATECISMO ORTODOXO

 

  

Parte II

 

Deus Manifestado no Mundo

 

 

10 – A Igreja

d - A Cabeça da Igreja

O Salvador dando autoridade aos Apóstolos antes da sua Ascensão, contou a eles muito claramente que ele próprio não cessaria de ser o invisível Pastor e Piloto da Igreja: "e eis que eu estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos" (Todos os dias constantes e inseparavelmente; Mt. 28, 20). O Salvador ensinou que ele, como o Bom Pastor, tinha que trazer para dentro também aquelas ovelhas que não eram desse aprisco de modo que tivesse que haver um só rebanho e um só pastor (Jo. 10, 16). "É-me dado todo poder no céu e na terra. Portanto ide, ensinai todas as nações..." (Mt. 28, 18-19). Em todas essas palavras está contida a ideia de que o sumo Pastor da Igreja é o próprio Cristo. Nós temos que estar cientes disso para não esquecer a intima ligação e união interior da Igreja na terra com a Igreja celeste.

O Senhor Jesus Cristo é também o Fundador da Igreja: "... edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão sobre ela" (Mt. 16, 18).

Cristo é também o Fundamento da Igreja, a sua pedra de esquina: "Porque ninguém pode por outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo" (1 Cor. 3, 11).

Ele também é a Cabeça. Deus Pai "sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o constitui como Cabeça da Igreja, que é o Seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos" (Ef. 1, 22-23). "... a cabeça é Cristo, do qual todo o corpo bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz aumento do corpo, para sua edificação em amor" (Ef. 4, 15-16). Como todos os membros de nosso corpo constituem um completo e vivo organismo que depende de sua cabeça, assim também a Igreja é um organismo espiritual no qual não há lugar onde os poderes de Cristo não ajam. Ela é, a Igreja, "plena de Cristo" (Bispo Teófano, o Recluso).

Cristo é o Bom Pastor, de seu rebanho, a Igreja. Nós temos "o grande Pastor das ovelhas" de acordo com o Apóstolo Paulo (Heb. 13, 20). O Senhor Jesus Cristo é o Sumo Pastor: "servindo de exemplo ao rebanho", o Apóstolo Pedro pede àqueles que foram colocados como Pastores na Igreja, como co-pastor deles (em grego «syn-presbiteros»), "e quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa de glória" (1 Ped. 5, 1-4).

Cristo é o invisível Sumo Bispo da Igreja. O Hieromártir Inácio, portador de Deus, um Padre Apostólico, chama o Senhor de "Bispo Invisível" (grego: «episkopos aoratos»).

Cristo é o eterno Sumo Sacerdote de sua igreja, como o Apóstolo Paulo explica em sua Epístola aos Hebreus. Os Sumos Sacerdotes do Velho Testamento "eram em grande número, porque pela morte foram impedidos de permanecer. Mas estes, porque permaneceu eternamente, tem um sacerdócio perpétuo. Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles" (Heb. 7, 23-25).

Ele é, de acordo com o Apocalipse de São João, o Teólogo: "...o que é verdadeiro, o que tem a chave de David; o que abre, e ninguém fecha; e fecha e ninguém abre" (Apoc. 3, 7).

A verdade é que o próprio Cristo é a Cabeça da Igreja, tem sempre corrido de maneira viva, e continua a correr através da autoconsciência da Igreja. Em nossas preces diárias também lemos, "Ó Jesus, Bom Pastor das Tuas ovelhas..." (Oração de S. Antióquio nas Orações Antes de Dormir do Livro Ortodoxo de Orações).

Crisóstomo ensina em suas homilias sobre a Epístola aos Efésios o seguinte: "Em Cristo, na carne, Deus colocou uma única cabeça para todo mundo, para anjos e homens; isto é, Ele deu um único princípio para os anjos e para os homens: para um, Cristo de acordo com a carne; e para outro, Deus o Verbo. Assim como se alguém dissesse a respeito de uma casa, que uma parte dela estava estragada e a outra parte estava forte, e dever-se-ia restaurar a casa, isto é, torna-la mais forte, colocando uma nova fundação sob ela; assim também aqui, Ele trouxe todos sob uma única cabeça. Só então a união é possível; só então existirá aquela perfeita ligação, quando tudo, tendo uma certa ligação indispensável com o que está acima, será trazido sob uma única cabeça" (Works of St. Crysostom in Russian, V 11, p- 14).

A Igreja Ortodoxa de Cristo recusa-se a reconhecer ainda outra cabeça da Igreja na forma de um "Vigário de Cristo na terra", um título dado na Igreja Católica Apostólica Romana ao Bispo de Roma. Tal título não corresponde nem à Palavra de Deus nem à universal consciência e Tradição da Igreja; ele corta a Igreja na terra da imediata união com a Igreja-celeste. Um vigário é indicado na ausência do representante; mas Cristo está invisivelmente presente em sua Igreja sempre.

A rejeição pela antiga Igreja na visão do Bispo de Roma como o Cabeça da Igreja e Vigário de Cristo na terra é expressa nos escritos daqueles que foram activos nos Concílios Ecuménicos.

O Segundo Concílio Ecuménico de Bispos, depois de completadas as actividades escreveu uma epístola ao Papa São Dâmaso e a outros Bispos da Igreja Romana, que termina assim: "Quando desse modo o ensinamento da fé está em acordo, e o amor Cristão está estabelecido em nós, nós cessaremos de falar as palavras que foram condenadas pelos Apóstolos: "Eu sou de Paulo, eu sou de Apolo, eu sou de Cefas". E quando nós todos nos manifestarmos como de Cristo, já que Cristo não é dividido em nós, então pela misericórdia de Deus nós preservaremos o corpo de Cristo não dividido, e estaremos corajosamente diante do Trono do Senhor".

A personalidade de liderança no Terceiro Concílio Ecuménico, São Cirilo de Alexandria, em sua "Epístola sobre Símbolos Sagrados", que está incluída nos Actos desse Concílio, escreve: "Os mais santos Padres, ... que então se reuniram em Niceia, compuseram o venerável Símbolo Ecuménico (Credo). Com eles Cristo, ele próprio presidiu, pois Ele disse: "Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí, estou eu no meio deles" (Mt. 18, 20). Pois como pode existir qualquer dúvida que Cristo presidiu esse Santo e Ecuménico Concílio? Porque lá, uma certa base e uma firme e uma insuperável fundação foi lançada, e mesmo estendida para todo universo, isto é, esta santa e irrevogável confissão. Se é assim, então Cristo que é a Fundação, pode estar ausente se de acordo com as palavras do sapientíssimo Paulo: "Porque ninguém pode por outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo" (1 Cor. 3, 11).

O Bem-aventurado Teodoreto, em uma homilia que também foi colocada nos Actos do Terceiro Concílio Ecuménico, endereçada aos heréticos, os seguidores de Nestório, diz: "Cristo é uma pedra de tropeço e escândalo para os descrentes, mas não põe os fiéis em vergonha; uma preciosa pedra e uma fundação, de acordo com as palavras de Isaías quando ele disse que Cristo é a pedra que os construtores rejeitaram e que tornou-se a pedra de esquina. Cristo é a fundação da Igreja. Cristo é a pedra que foi tirada não com mãos, e foi mudada para uma grande montanha e cobriu o universo, de acordo com a profecia de Daniel; é para Ele, com Ele, e pelo seu poder que nós batalhamos, e por quem nós somos removidos para longe das cidades reinantes, mas não somos excluídos do Reino do Céu; pois nós temos uma cidade no alto, Jerusalém, "da qual o artífice e construtor é Deus" (Heb. 11, 10), como diz o Apóstolo Paulo.

A respeito da pedra sobre a qual o Senhor prometeu ao Apóstolo Pedro fundar sua Igreja, São Juvenal, Patriarca de Jerusalém, em sua Epístola ao clero da Palestina depois do Quarto Concílio da Calcedónia escreve: "quando o chefe e primeiro dos Apóstolos Pedro disse: "Tu és o Cristo, Filho de Deus vivo", o Senhor respondeu: "Bem-aventurado és tu Simão Barjonas, porque tu não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai que está nos céus. Pois eu também te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela" (Mt. 16, 16-18). Nessa confissão a Igreja de Deus é feita firme, e essa fé, dada a nós pelos santos Apóstolos; a Igreja tem mantido e manterá até o fim do mundo".

 

 

Arcebispo Primaz Katholikos

Mons. Dom ++ Paulo Jorge de Laureano - Vieira y Saragoça

(Mar Alexander I da Hispânea)

 

 

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Última actualização deste Link em 01 de Abril de 2009

 

 

 

 

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