CATECISMO ORTODOXO
Parte II
Deus Manifestado no Mundo
6 - Dogmas a respeito da Santíssima
Virgem Maria
c - O Dogma
Católico Romano da Imaculada Conceição
O dogma da Imaculada Conceição foi proclamado por
uma Bula do Papa
Pio IX em
Em 1950, o assim chamado Ano do Jubileu, o Papa
Pio XII triunfante proclamou um segundo dogma, o Dogma da Assunção da Mãe
de Deus com o seu corpo para o céu. Dogmaticamente esse ensinamento foi
deduzido na teologia romana do Dogma romano da Imaculada Conceição e é um
desenvolvimento lógico decorrente do ensinamento romano do pecado original. Se
a Mãe de Deus morresse, então, na visão dos teólogos romanos, ela teria
aceitado a morte voluntariamente, como para emular seu Filho: mas a morte não
teria domínio sobre ela.
A declaração de ambos os dogmas corresponde à teoria
romana de "desenvolvimento de dogmas". A Igreja Ortodoxa não
aceita o sistema latino de argumentos a respeito do pecado original.
Particularmente, a Igreja Ortodoxa, confessando a pessoal e perfeita
imaculabilidade e a perfeita santidade da Mãe de Deus, a quem o Senhor Jesus
Cristo por seu nascimento através dela fez que ela fosse mais venerável que os
Querubins e incomparavelmente mais gloriosa que os Serafins -
não viu e não vê nenhuma base para o estabelecimento do dogma da Imaculada
Conceição no sentido da interpretação Católica-Romana, apesar de venerar a
concepção da Mãe de Deus, assim como venera também a concepção do Santo Profeta
e Precursor João Baptista.
De um lado, vemos que Deus não privou a humanidade,
mesmo depois da queda, de sua graça doadora de dons, como por exemplo as
palavras do Salmo 51 indicam: "Não retires de mim o teu Espírito
Santo... sustém-me com um Espírito Voluntário..." ou nas palavras do
Salmo 71: "Por ti tenho sido sustentado desde o ventre; das entranhas
da minha mãe tu me tiraste".
De
outro lado, de acordo com o ensinamento na Sagrada Escritura, em Adão toda a
humanidade provou o fruto proibido. Só Deus-homem, o Cristo começa consigo a
nova humanidade, libertada por ele do pecado de Adão. Por isso, ele é chamado
de "o primogénito de muitos irmãos" (Rom. 8, 29), isto é: o
primeiro da nova raça humana; ele é o "novo Adão". A Santíssima
Virgem Maria nasceu sujeita ao pecado de Adão junto com toda a humanidade, e
com ela partilhou da necessidade de redenção (Epístola aos Patriarcas
Orientais, parágrafo 6). A pura e imaculada vida da Virgem Maria até a
Anunciação pelo Arcanjo, sua liberdade de pecados pessoais, foi o fruto da
união de seu trabalho espiritual sobre si própria e a abundância de graça que
foi derramada sobre ela. "Tu achaste graça diante de Deus", o
Arcanjo disse a ela ao saúda-la: "tu achaste", isto é, obtiveste,
adquiriste, mereceste, a Santíssima Virgem Maria foi preparada pela melhor
parte da humanidade como um vaso digno para a descida de Deus o Verbo para a terra.
A vinda do Espírito Santo ("Descerá sobre ti o Espírito Santo")
santificou totalmente o ventre da Virgem Maria para a recepção de Deus o verbo.
Deve-se saber que o princípio de um
"privilégio" preliminar é alguma coisa que não tem harmonia com os
conceitos cristãos, pois "para com Deus, não há acepção de
pessoas" (Rom. 2, 11).
Para a tradição a respeito da assunção do corpo da
Mãe de Deus: a crença na assunção de seu corpo depois de seu sepultamento
existe na Igreja Ortodoxa. Ela é expressa no conteúdo do Ofício para a Festa da
Dormição
da Mãe de Deus, e também na Confissão do Concílio de Jerusalém dos
Patriarcas Ortodoxos em 1672. São
João Damasceno em sua segunda homilia sobre a Dormição relata que uma vez a
Imperatriz Pulquéria (século V), que tinha construído uma Igreja em
Constantinopla, pediu ao Patriarca de Jerusalém Juvenalius, um dos
participantes do Concílio de Calcedónia, relíquias da Santíssima Virgem Maria,
para colocar na Igreja, Juvenalius respondeu que, de acordo com a antiga
tradição, o corpo da Mãe de Deus tinha sido levado para o céu, e ele juntou a
essa resposta o bem conhecido relato de como os Apóstolos tinham sido reunidos
de modo milagroso para o sepultamento da Mãe de Deus, como depois da chegada do
Apóstolo Tomé, o seu túmulo havia sido aberto e o seu corpo não estava lá, e
como foi revelado aos Apóstolos que o seu corpo havia subido ao céu.
Testemunhos escritos da Igreja sobre esse assunto datam em geral de um período
relativamente tardio (não antes do século IV), e a Igreja Ortodoxa, com todo o
respeito por esses escritos, não atribui a eles o significado de uma fonte
dogmática. A Igreja, aceitando a tradição da Ascensão do corpo da Mãe de Deus,
não encarou e não encara essa pia tradição como uma das verdades fundamentais
ou dogmas da Fé Cristã.
Mons. Dom ++
(Mar Alexander I
da Hispânea)