CATECISMO ORTODOXO

 

  

Parte II

Deus Manifestado no Mundo

 

 

8 - A economia geral da salvação

a - A condição do mundo antes da vinda do Salvador

Nos livros proféticos do Velho Testamento, e em particular nos Salmos de David, o povo escolhido, o povo Hebreu, como representativo de todo género humano, é apresentado como a "plantação de Deus", como a vinha de Deus (Isaías 5, 7; 61, 3). A imagem de um jardim, tendo o mesmo significado é dado também no Evangelho. Uma vinha ou jardim deve produzir frutos. Preservando e guardando a sua plantação, o Senhor espera frutos dela. Mas o que deveria ser feito com um pomar quando ele não dá frutos, e ainda mais, se está infestado com doença? Deveria ele ser olhado e cuidado se ele não justifica o seu propósito?

"E também agora e está posto o machado à raiz das árvores: toda árvore, por que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo" (Mt. 3, 10). Assim São João, o precursor preveniu e acusou o povo antes da vinda do Senhor.

O Senhor fala a mesma coisa, e conta aos seus discípulos a parábola da figueira:

"Um certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha, e foi procurar nela fruto, não o achando. E disse ao vinhateiro: Eis que há três anos venho procurar fruto nessa figueira e não acho; corta-a, porque ocupa ainda a terra inutilmente? E respondendo ele, disse-lhe: Senhor, deixa-a este ano, até que eu a escave e a esterque; e, se der fruto, ficará, e se não, depois a mandará cortar" (Lc. 3, 6-9).

Assim como essa figueira, a raça humana era sem fruto. Uma vez já tinha sido exterminada pelo dilúvio. Agora havia sido condenada - ela havia condenado a si própria - à perda da vida eterna, à perda geral do Reino de Deus porque ela tinha perdido todo valor por não ter cumprido seu propósito e estar se afogando no mal.

"Não tem o oleiro poder sobre o barro?... E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportar com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição; para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou?" (Rom. 9, 21-23).

A humanidade, nas pessoas de seus melhores representantes, reconhecem o débito em aberto, o pesado débito de numerosas gerações precedentes e da sua própria época. Era um débito impossível de ser pago. Esse sentimento de culpa na sua forma mais pura foi apresentado pelo povo judeu. O género humano tentou eliminar os seus pecados por meio de sacrifício, que expressavam o dar a Deus a melhor parte do que estava na posse do homem, na posse de sua família, como um presente para Deus. Mas esses sacrifícios não eram capazes de regenerar moralmente os homens.

Citemos aqui as palavras do justo e santo, o Padre João de Kronstadt, em seu sermão na festa da Exaltação da Cruz do Senhor: "Entremos no significado do mistério da Cruz. O mundo, isto é, a raça humana, teria sido dado para a morte eterna, tormentos eternos, de acordo com a imutável, estrita justiça de Deus, se o Filho de Deus não se tivesse tornado dada à sua bondade ilimitada um voluntário Intermediário e Redentor da humanidade, que era criminosa, suja e corrupta pelo pecado. Porque pela ilusão da serpente, o assassino de homens, ela foi jogada num aterrador abismo sem lei e de perdição. Entretanto para que o homem fosse capaz dessa reconciliação e redenção do alto, foi necessário que o Filho de Deus descesse ao mundo, para tomar sobre si corpo e alma humanos, e tornar-se Deus-homem de modo que em sua própria pessoa, em sua natureza humana, ele fosse capaz de cumprir toda a justiça de Deus que tinha sido descaradamente violada por todas as formas de injustiça humana; para que ele pudesse cumprir a lei completa de Deus, até a última virgula, e se tornasse o maior de todos os homens justos pelo total das injustiças do género humano, e ensinasse a humanidade justiça com arrependimento por todas as suas injustiças e mostrasse frutos do arrependimento. Isso ele cumpriu, não sendo culpado de um único pecado, e foi o único homem perfeito, em hipostática união com a divindade" (Sermon on the Feast of the Exaltation: "The Meaning of the Mistery of the Cross").

 

 

Arcebispo Primaz Katholikos

Mons. Dom ++ Paulo Jorge de Laureano - Vieira y Saragoça

(Mar Alexander I da Hispânea)

 

 

 

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Última actualização deste Link em 26 de Março de 2009

 

 

 

 

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