Tradução

A obra de ruptura do romance moderno é aqui lida em português através das traduções dos irmãos Campos em Panaroma de Finnegans Wake

    

Tradução: Trechos de Finnegans Wake  

 

         A disincarnated spirit, called Sebastion, from the Rivera in Januero

                                                                                                                                          (536)

 

         Finnegans Wake de James Joyce, considerada a obra-marco da revolução da prosa no início do século. O autor irlandês já havia tentado a ruptura em Ulysses. Porém, em Finnegans, Joyce soltou as mãos da prosa e as deu à experiência do mundo lingüístico, semiótico.

         Augusto e Haroldo de Campos, em 1962, lançaram a edição não-comercial de Panaroma de Finnegans Wake, uma espécie de estudo-tributo a Joyce e sua obra memorável. Tradutores tão hábeis quanto poetas – Augusto chama de “transcriação” –, os irmãos concretos aventuraram-se pela floresta de significantes/significados de Finnicius Revém (tradução sugerida pelos irmãos).

         O livro só ganhou algumas traduções (e, mesmo assim, de alguns trechos) no ano da exposição comemorativa a Joyce e sua obra. Verteram alguns capítulos – em especial Anna Lívia – para o francês, tcheco, italiano e alemão. Joyce supervisionou pessoalmente a italiana e a francesa, sendo essas, as “mais confiáveis”. O Brasil foi premiado, recentemente, com a tradução de Donald Schüller para os primeiros capítulos. Augusto, em carta endereçada ao próprio Donald, congratulou a tradução dizendo ser uma das mais perfeitas já vistas até então.

         Mas, o que faz dessa obra tão “aberta” – para utilizarmos um termo mais apropriado – que dificulta a tradução? Palavras de Haroldo de Campos:

 

Traduzir James Joyce, especialmente fragmentos de Finnegans Wake, é uma ginástica com a palavra: um trabalho de perfeccionismo.

 

         E, para deixarmos algo “claro” como o “riverrun” de Joyce, colocamos aqui um trecho traduzido por Augusto de Campos:

 

Então Esta é Dubilingue?

Halto! Cautela! Ecolândia!

Heis um caminho esquisito! Lembra, de rasto, a deslavada negravura que bostumávamos manchar no borramuro de sua pensão instinta. Crostumavam? (Estou certo de que aquele chatigante matracavo com sua caixa de chocolates mujicais, Muco Michel, está escutando) Digo, restos da desusada gravultura onde postumavam murchar os Ptolomeus dos Incabus. Gostumávamos? (Ele está apenas pretrendentro estar peliscando a harpa jubalar de um segundo existinto ouvivente, Fero Farelo.) Isto é bem conhecido. Ferrolha-te a ele mesmo e vê o velho novo em folha. Dbln. W.K.O.O. Ouve? Junto ao muro mausolimo. Fimfim fimfim. Um cortejo funébrio, Fumfum fumfum. É optofone que ontofana. Ouve! A mágica menlira de Wheatstone. Eles lutharão por mil lírios. Eles escutarão por mil heras. Eles retumbarão por mil luras. Seus daedos tangerão a harp-discórdia por mil liras.

 

         Para os amorantes da palavra, a versão original:

 

So This is Dyoublong?

Hush!Caution! Echoland!

How charmingly exquisite! It reminds you of the outwashed engravure that we used to be blurring on the blotchwall of this innkempt house. Used they? (I am sure that tiring chabelshoveller with the mujikal chocolat box, Miry Mitchel, is listening) I say, the remains of the outworn gravemure where used to be blurried the Ptollmens of the Incabus. Used we? (He is only pretendant to be stugging at the jubalee harp from a second existed lishener, Fiery Farrelly.) It is well known. Lokk for himself and see the old butte new. Dbln. W.K.O. O Hear? By the mausolime wall. Fimfim fimfim. With a grand funferall. Fumfum fumfum. ‘Tis optophone which ontophanes. List! Wheatstone´s magic lyer. They will be tuggling foriver. They will be lichening for allof. They will be pretumbling forover. The harpsdischord shall be theirs for ollaves.

 

         É óbvio que para uma tradução sejam necessários outros “meios”. Porém, desafio você leitor a fazer uma tradução para o trecho acima. O trecho em português pode ajudar – mas não será tudo – e, em um prosa-poema desses, há trechos? Ou cada signo é um trecho? A dúvida fica, a sua tradução é esperada. Ou melhor, sua transcriação é esperwaite...

Eduardo Messias Oliveira é estudante de Língua e Literatura Brasileira da UMESP

 

 

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