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Literatura
Préfacil – Mensagens de Erros e Avisos
A perspicácia de meu amigo Fernando me assusta. Quando disse a ele que
estava interessado em poesias “tecnológicas”, não esperava uma resposta tão
rápida feito o mais moderno computador que existe. Talvez ele tenha um
“clock” muito rápido para a minha humilde memória RAM e, logo, não pude
acompanhar seu raciocínio.
Talvez motivado pela revolução tecnológica que assola o mundo – o
que Edgar Morin prefere chamar “barbárie” – , Fernando escreveu uma
poesia digna de Maiakóvskis ou João Cabrais. Provavelmente o leitor mais cético
surpreender-se-á com minha colocação e, respaldado nos túmulos dos autores
canonizados, dirá que sou louco (ou que contraí um vírus de macro). Porém, não
posso fugir à comparação do poeta que fazia das siglas partidárias, dos
comerciais matérias para sua poesia ou, da mesma forma, ao poeta que se
preocupou com cada palavra (ou cidadão) em seus poemas.
Mensagens de Erros e Avisos foi editado por mim através de duas
“colagens” – não bem ao estilo “kitsch” – que foram inseridas
juntamente com o som de mensagem de erro. A rapidez do poema é impressionante.
Do arquivo não encontrado ao botão FACA,
é um bit. A linguagem é tão compatível com o sistema operacional vigente que
chega a ser uma não-metáfora, uma descrição crua das duas barbáries com que
convivemos: o capitalismo e a revolução tecnológica.
Escolha o sistema operacional leitor. O capitalismo ou a revolução? Ou
preferes alterar sua senha e utilizar o sistema com um log on diferente?
Será
que tenho mesmo escolha?
Fernando não se rendeu. Sua poesia é a prova disso. As mensagens de
erro estão aí, por todas as partes. O poema é, antes de mais nada, a clara
evidência do que um país e uma empresa podem fazer utilizando o velho truste,
as traquinagens de mercado, a falta de livre concorrência indo exatamente
contra o que o padrão de seu país – e do mundo – rege.
Em lendo a poesia, o leitor notará a diferença de linguagem em relação
a um texto parnasiano, por exemplo. Porém, considerando a obra como “viva”,
um todo, podemos atentar-nos em relação à estrutura da poesia que é, na
verdade, o diretório-raiz. A linguagem da poesia é tudo; as palavras são seus
arquivos de inicialização, são puras, não possuem vírus e podem,
facilmente, serem transmitidas aos leitores sem a necessidade de fazer “download”.
As considerações humanas no texto emergem como um grito de liberdade
que ecoa em todas as direções.
Virar
as costas e fingir que não tem nada a ver com isso?
Jogar
a culpa no governo e na sociedade, como se não
fizesse
parte dela?
Desligar
o sistema e reiniciar com um logon diferente?
Espero que nós possamos dar um “boot” no sistema e reiniciá-lo da
maneira mais humana possível. Condições, razões e corações temos para
isso, não são necessários privilégios de administrador para pensarmos e
agirmos. Essa foi a poesia que exibe as mensagens de erros e avisos, cremos ver
a de acertos em breve...
Leitura completada com
êxito.
clique aqui para ler o poema de Fernando Augusto Lopes
Eduardo
Messias Oliveira é estudante de Língua e Literatura Brasileira da UMESP