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"Todo aquele
que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato,
médium.
Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um
privilégio exclusivo.
Por isso mesmo, raras são as pessoas que dela não
possuam alguns rudimentos." Allan Kardec O Livro dos Médiuns, Cap.
XIV, Edição FEB)

"Quanto mais investiga a Natureza, mais se convence o homem
de que vive num reino de ondas transfiguradas em luz, eletricidade, calor
ou matéria, segundo o padrão vibratório em que se exprimam." (Mecanismos
da Mediunidade, apresentação, FEB)
"Hoje a
inteligência do século XX compreende que a Terra é um magneto de
gigantescas proporções, constituído de forças atômicas condicionadas e
cercado por essas mesmas forças em combinações multiformes, compondo o
campo eletromagnético típico." (Mecanismos da Mediunidade,
1)
"Nesse reino
de energias, em que a matéria concentrada estrutura o Globo de nossa
moradia e em que a matéria em expansão lhe forma o clima peculiar, a vida
desenvolve agitação. E toda agitação produz ondas."(Mecanismos da
Mediunidade, 1)
"Simplificando
conceitos em torno da escala das ondas, recordemos que, oscilando de
maneira integral, sacudidos simplesmente nos elétrons de suas órbitas ou
excitados apenas em seus núcleos, os átomos lançam de si ondas que
produzem calor e som, luz e raios gama, através de inumeráveis
combinações."(Idem)
"E o homem,
colocado nas faixas desse imenso domínio, em que a matéria quanto mais
estudada mais se revela qual feixe de forças em temporária associação,
somente assinada as ondas que se lhe afinam com o modo de ser."(Mecanismos
da Mediunidade, 1)
"Reconhecemos que toda criatura dispõe de oscilações mentais
próprias, pelas quais entra em combinação espontânea com a onda de outras
criaturas desencarnadas ou encarnadas que se lhe afinem com as inclinações
de desejos, atitudes e obras, no quimismo inelutável do pensamento."
(Mecanismos da Mediunidade, cap. XI, FEB)
"Temo-lo,
dessa maneira, por viajante do Cosmo, respirando num vastíssimo império de
ondas que se comportam como massa e vice-versa, condicionado, nas suas
percepções, à escala do progresso que já alcançou."(Mecanismos da
Mediunidade, I)
"Articulando, ao redor de si mesma, as radiações das
sinergias funcionais das agregações celulares do campo físico ou do
psicossomático, a alma encarnada ou desencarnada está envolvida na própria
aura ou túnica de forças eletromagnéticas, em cuja tessitura circulam as
irradiações que lhe são peculiares." (Mecanismos da Mediunidade, X,
FEB)
"Nos
fundamentos da Criação vibra o pensamento imensurável do Criador e sobre
este plasma divino vibra o pensamento mensurável da criatura, a
constituir-se no vasto oceano de força mental em que os poderes do
Espírito se manifestam." (Mecanismos da Mediunidade, IV, FEB)
"Emitindo uma idéia, passamos a refletir as que se assemelham,
idéia essa que para logo
se corporifica, com intensidade correspondente à nossa insistência em
sustentá-la, mantendo-nos, assim, espontaneamente em comunicação com todos
os que nos esposem o modo de sentir." (Mecanismos da Mediunidade, IV)
"Forçoso reconhecer, todavia, que a mediunidade, na essência,
quanto a energia elétrica em si mesma, nada tem a ver com os princípios
morais que regem os problemas do destino e do ser. Dela podem dispor, pela
espontaneidade com que se evidencia, sábios e ignorantes, justos e
injustos, expressando-se-lhe, desse modo, a necessidade de condução reta,
quanto a força elétrica exige disciplina a fim de auxiliar." (Evolução Em
Dois Mundos, XVII)
"Ainda mesmo
em regime de prisão absoluta, do ponto de vista físico, o homem, no
pensamento, é livre para eleger o bem ou o mal para as rotas do Espírito."
(M.M., XII)
"O comprazimento nessa ou naquela espécie de atitude ou
companhia, leitura ou conversação menos edificantes, estabelece em nós o
reflexo condicionado pelo qual inconscientemente nos voltamos para as
correntes invisíveis que representam." (Mecanismos da Mediunidade,
XVI)
"Tomemos o
homem moderno buscando o jornal da manhã, e procurando o setor do
noticiário com que mais sintonize..." (Mecanismos da Mediunidade,
XVI)
"Imaginemos
que certa personalidade se disponha a disciplinar as energias
medianímicas, segundo os moldes morais da Doutrina Espírita, cujos
postulados se destinam a solucionar, tão simplesmente quanto possível,
todos os problemas do destino e do ser." (Mecanismos da Mediunidade,
XVIII)
"Admitida ao
círculo da atividade espiritual, recolherá na oração o reflexo
condicionado específico para exteriorizar as oscilações mentais próprias,
no rumo da entidade desencarnada que mais de perto lhe comungue as
ideações."(M. M., XVIII)
"Decerto que,
nos serviços de intercâmbio, experimentará largo período de vacilações e
dúvidas, porquanto, morando no centro das próprias emanações e recolhendo
a influenciação do plano espiritual - com que, muitas vezes, já se
encontra inconscientemente automatizada, a princípio supõe que as ondas
mentais alheias incorporadas ao campo de seu Espírito não sejam mais que
pensamentos arrojados do próprio cérebro."(Idem)
"Não podemos
esquecer a obrigação de cultuar a mediunidade e acrisolá-la,
aparelhando-nos com os recursos precisos ao conhecimento de nós mesmos."
(Mecanismos da Mediunidade, Pref.)
"Em todas as
atividades mediúnicas, porém, nas quais a mente demande a construção do
bem, sejam elas de grande porte ou se singela apresentação, a importância
do trabalho a realizar e a luz da Vida Superior são sempre as mesmas,
possibilitando ao Espírito a faculdade de falar ao Espírito na obra
incessante de aperfeiçoamento e sublimação." (Mecanismos da Mediunidade,
VI, FEB)

ORAÇÃO,
MEDIUNIDADE E RELIGIÃO
"Misturada à
magia vulgar, a mediunidade é de todos os tempos no mundo. Confundida
entre os totens e manitus, nas raças primitivas, alteia-se,
gradativamente, e surge, suntuosa e complexa, nos templos iniciáticos dos
povos antigos, ou rebaixada e desordenada, entre os magos da praça
pública. Ocioso seria enumerar sucessos e profecias, constantes dos
livros sagrados das religiões, nas épocas anciãs. A cada passo, nas
recordações de todas elas, encontramos referências a manifestações de
anjos e demônios, evocações e mensagens de seres desencarnados, visões e
sonhos, encantamento e exorcismos.
REFLEXO
CONDICIONADO E MEDIUNIDADE
Em toda a
parte, desde os amuletos das tribos mergulhadas em profunda ignorância até
os cânticos sublimados dos santuários religiosos dos tempos modernos,
vemos o reflexo condicionado, facilitando a exteriorização de recursos da
mente, para o intercâmbio com o plano espiritual. Talismãs e altares,
vestes e paramentos, símbolos e imagens, vasos e perfumes, não passam de
petrechos destinados a incentivar a produção de ondas mentais, nesse ou
naquele sentido, atraindo forças do mesmo tipo que as arremessadas pelo
operador dessa ou daquela cerimônia mágica ou religiosa e pelas
assembléias que os acompanham, visando a certos fins. E
compreendendo-se que os semelhantes se atraem, o bruxo que se vale da
mandrágora para endereçar vibrações deprimentes a certa pessoa, a esta
procura induzir à emissão de energias do mesmo naipe com que, à base de
terror, assimila correntes mentais inferiores, prejudicando a si mesma,
sempre que não possua a integridade da consciência tranqüila.; o sacerdote
de classe elevada, toda vez que aproveita os elementos de sua fé para
consolar um espírito desesperado, está impelindo-o à produção de raios
mentais enobrecidos, com os quais forma o clima adequado à recepção do
auxílio sa Esfera Superior; o médico que encoraja o paciente, usando
autoridade e doçura, inclina-o a gerar, em favor de si mesmo, oscilações
mentais restaurativas, pelas quais se relaciona com os poderes curativos
estuantes em todos os escaninhos da Natureza; o professor, estimulando o
discípulo a dominar o aprendizado dessa ou daquela expressão, impulsiona-o
a condicionar os elementos do próprio espírito, ajustando-lhe a onda
mental para incorporar a carga de conhecimento de que
necessita.
GRANDEZA DA
ORAÇÃO
Observamos em
todos os momentos da alma, seja no repouso ou na atividade, o reflexo
condicionado (ou ação independente da vontade que se segue, imediatamente,
a uma excitação externa) na base das operações da mente, objetivando esse
ou aquele gênero de serviço. Daí resulta o impositivo da vigilância
sobre a nossa própria orientação, de vez que somente a conduta reta
sustenta o reto pensamento e, de posse do reto pensamento, a oração,
qualquer que seja o nosso grau de cultura intelectual, é o mais elevado
toque de indução para que nos coloquemos, para logo, em regime de comunhão
com as Esferas Superiores. De essência divina, a prece será sempre o
reflexo positivamente sublime do Espírito, em qualquer posição, por
obrigá-lo a despedir de si mesmo os elementos mais puros de que possa
dispor. (MECANISMOS DA MEDIUNIDADE, Cap. XXV, Pág.
175)
AURA
HUMANA Mediunidade e Corpo Espiritual
"Considerando-se toda célula em
ação por unidade viva, qual motor microscópico, em conexão com a usina
mental, é claramente compreensível que todas as agregações celulares
emitem radiações e que essas radiações se articulem, através de sinergias
funcionais, a se constituírem de recursos que podemos nomear por "tecidos
de força", em torno dos corpos que as exteriorizam. Todos os seres
vivos, por isso, dos mais rudimentares aos mais complexos se revestem de
um "halo energético" que lhes corresponde à natureza. No homem,
contudo, semelhante projeção surge profundamente enriquecida e modificada
pelos fatores do pensamento contínuo que, em se ajustando às emanações do
campo celular, lhe modelam, em derredor da personalidade, o conhecido
corpo vital ou duplo etéreo de algumas escolas espiritualistas, duplicata
mais ou menos radiante da criatura. Nas reentrâncias e ligações sutis
dessa túnica eletromagnética de que o homem se entraja, circula o
pensamento, colorindo-a com com as vibrações e imagens de que se
constitui, aí exibindo, em primeira mão, as solicitações e os quadros que
improvisa, antes de irradiá-los no rumo dos objetos e das metas que
demanda. Aí temos, nessa conjugação de forças físico-químicas e
mentais, a aura humana, peculiar a cada indivíduo, interpenetrando-o, ao
mesmo tempo que parece emergir dele, à maneira de campo ovóide, não
obstante a feição irregular em que configura, valendo por espelho sensível
em que todos os estados da alma se estampam com sinais característicos e
em que todas as idéias se evidenciam, plasmando telas vivas, quando
perduram em vigor e semelhança, como no cinematógrafo comum. Fotosfera
psíquica, entretecida em elementosa dinâmicos, atende à cromática variada,
segundo a onda mental que emitimos, retratando-nos todos os pensamentos em
cores e imagens que nos respondem aos objetivos e escolhas, enobrecedoras
ou deprimentes."
Mediunidade
Inicial
"A aura é, portanto, a nossa
plataforma onipresente em toda comunicação com as rotas alheias, entecâmara
do Espírito, em todas as nossas atividades de intercâmbio com a
vida que nos rodeia, através da qual somos vistos e examinados pelas
Inteligências Superiores, sentidos e reconhecidos pelos nossos afins, e
temidos e hostilizados ou amados e auxiliados pelos irmãos que caminham em
posição inferior à nossa. Isso porque exteriorizamos, de maneira
invariável, o reflexo de nós mesmos, nos contatos de pensamento a
pensamento, sem necessidade das palavras para as simpatias ou repulsões
fundamentais. É por essa couraça vibratória, espécie de carapaça
fluídica, em que cada consciência constrói o seu ninho ideal, que
começaram todos os serviços da mediunidade da Terra, considerando-se a
mediunidade como atributo do homem encarnado para corresponder-se com os
homens liberados do corpo físico. Essa obra de permuta, no entanto, foi
iniciada no mundo sem qualquer direção consciente, porque, pela natural
apresentação da própria aura, os homens melhores atraíram para si os
Espíritos humanos melhorados, cujo coração generoso se voltava,
compadecido, para a esfera terrena, auxiliando os companheiros da
retaguarda, e os homens rebeldes à Lei Divina aliciaram a companhia de
entidades da mesma classe, transformando-se em pontos de contato entre o
bem e o mal ou entre a Luz e a Sombra que se digladiam na própria
Terra. Pelas ondas de pensamento a se enovelarem umas sobre as outras,
segundo a combinação de freqüência e trajeto, natureza e objetivo,
encontraram-se as mentes semelhantes entre si, formando núcleos de
progresso em que homens nobres assimilaram as correntes mentais dos
Espíritos Superiores, para gerar trabalho edificante e educativo, ou
originando processos vários de simbiose em que almas estacionárias se
enquistaram mutuamente, desafiando debalde os imperativos da evolução e
estabelecendo obsessões lamentáveis, a se elastecerem sempre novas, nas
teias do crime ou na etiologia complexa das enfermidades mentais. A
intuição foi, por esse motivo, o sistema inicial de intercâmbio,
facilitando a comunhão das criaturas, mesmo a distância, para
transfundi-las no trabalho sutil da telementação, nesse ou naquele domínio
do sentimento ou da idéia, por intermédio de remoinhos mensuráveis de
força mental, assim como na atualidade o remoinho eletrônico infunde em
aparelhos especiais a voz ou a figura de pessoas ausentes, em comunicação
recíproca na radiotelefonia e na televisão."
Função da
Doutrina Espírita
"Forçoso reconhecer, todavia, que a
mediunidade, na essência, quanto a energia elétrica em si mesma, nada tem
a ver com os princípios morais que regem os os problemas do destino e do
ser. Dela podem dispor, pela espontaneidade com que se evidencia,
sábios e ignorantes, justos e injustos, expressando-se-lhe, desse modo, a
necessidade de condução reta, quanto a força elétrica exige disciplina a
fim de auxiliar. Esse motivo por que os Orientadores do Progresso
sustentam a Doutrina Espírita na atualidade do mundo, por Chama Divina,
cristianizando fenômenos e objetivos, caracteres e faculdades, para que o
Evangelho de Jesus seja de fato incorporado às relações humanas. Como
nas intervenções cirúrgicas em que tecidos são transplantados com êxito
para melhoria das condições orgânicas, é indispensável nos atenhamos ao
impositivo das operações mediúnicas pelas quais se efetuem proveitosas
enxertias psíquicas, com vistas à difusão do conhecimento
superior."
Mediunidade
e Vida
"Eminentes fisiologistas e
pesquisadores de laboratório procuraram fixar mediunidade e médiuns a
nomenclaturas e conceitos da ciência metapsíquica; entretanto, o problema,
como todos os problemas humanos, é mais profundo, porque a mediunidade jaz
adstrita à própria vida, não existindo, por isso, dois médiuns iguais, não
obstante a semelhança no campo das impressões. Por outro lado,
espiritualistas distintos julgam-se no direito de hostilizar-lhe o serviço
e impedir-lhe a eclosão, encarecendo-lhe os supostos perigos, como se eles
próprios, mentalizando os argumentos que avocam, não estivessem
assimilando, por via mediúnica, as correntes mentais intuitivas, contendo
interpretações particulares das Inteligências desencarnadas que os
assistem. A mediunidade, no entanto, é faculdade inerente à própria
vida e, com todas as suas deficiências e grandezas, acertos e desacertos,
é qual o dom visão comum, peculiar a todas as criaturas, responsável por
tantas glórias e tantos infortúnios na Terra. Ninguém se lembrará,
contudo, de suprimir os olhos, porque milhões de pessoas, em face de
circunstâncias imponderáveis da evolução, deles se tenham valido para
perseguir e matar nas guerras de terror e destruição. Urge iluminá-los,
orientá-los e esclarecê-los. Também a mediunidade não requisitará
desenvolvimento indiscriminado, mas sim, antes de tudo, aprimoramento da
personalidade mediúnica e nobreza de fins, para que o corpo espiritual,
modelando o corpo físico e sustentando-o, possa igualmente erigir-se em
filtro leal das Esferas Superiores, facilitando a ascensão da Humanidade
aos domínios da luz." (André Luiz, Evolução em Dois Mundos, Cap.
XVII)
CAMPO DA
AURA
"Articulando, ao redor de si mesma,
as radiações das sinergias funcionais das agregações celulares do campo
físico ou do psicossomático, a alma encarnada ou desencarnada está
envolvida na própria aura ou túnica de forças eletromagnéticas, em cuja
tessitura circulam as irradiações que lhe são peculiares.
Evidenciam-se essas irradiações, de maneira condensada, até um ponto
determinado de saturação, contendo as essências e imagens que lhe
configuram os desejos no mundo íntimo, em processo espontâneo de
auto-exteriorização, ponto esse do qual sua onda mental se alonga adiante,
atuando sobre todos os que com ela se afinem e recolhendo naturalmente a
atuação de todos os que se lhe revelem simpáticos. E, desse modo,
estende a própria influência que, à feição do campo proposto por Einstein,
diminui com a distância do fulcro consciencial emissor, tornando-se cada
vez menor, mas a espraiar-se no Universo infinito." (André Luiz,
Mecanismos da Mediunidade, X, FEB)
ALLAN
KARDEC E ANDRÉ LUIZ: JESUS E MEDIUNIDADE
ALLAN
KARDEC: Superioridade da Natureza de Jesus
"Sem nada prejulgar quanto à
natureza do Cristo, natureza cujo exame não entra no quadro desta obra (um
exame de Kardec, sobre a natureza do Cristo foi divulgado somente após a
sua morte, em Obras Póstumas - Nota Nossa), considerando-o apenas um
Espírito superior, não podemos deixar de reconhecê-lo um dos de ordem mais
elevada e colocado, por suas virtudes, muitíssimo acima da humanidade
terrestre. Pelos imensos resultados que produziu, a sua encarnação neste
mundo forçosamente há de ser sido uma dessas missões que a Divindade
somente à seus mensageiros diretos confia, para cumprimento de seus
desígnios. Mesmo sem supor que ele fosse o próprio Deus, mas unicamente um
enviado de Deus para transmitir sua palavra aos homens, seria mais do que
um profeta, porquanto seria um Messias divino. Como homem, tinha a
organização dos seres carnais; porém, como Espírito puro, desprendido da
matéria, havia de viver mais da vida espiritual, do que da vida corporal,
de cujas fraquezas não era passível. A sua superioridade com relação aos
homens não derivava das qualidades particulares do seu corpo, mas das do
seu Espírito, que dominava de modo absoluto a matéria e da do seu
perispírito, tirada da parte mais quintessenciada dos fluidos terrestres.
Sua alma, provavelmente, não se achava presa ao corpo, senão pelos laços
estritamente indispensáveis. Constantemente desprendida, ela decerto lhe
dava dupla vista, não só permanente, como de excepcional penetração e
superior de muito à que de ordinário possuem os homens comuns. O mesmo
havia de dar-se, nele, com relação a todos os fenômenos que dependem dos
fluidos perispirituais ou psíquicos. A qualidade desses fluidos lhe
conferia imensa força magnética secundada pelo incessante desejo de fazer
o bem. Agiria como médium nas curas que operava? Poder-se-á
considerá-lo médium curador? Não, porquanto o médium é um intermediário,
um instrumento de que se servem os Espíritos desencarnados e o Cristo não
precisava de assistência, pois que era ele quem assistia os outros. Agia
por si mesmo, em virtude de seu poder pessoal, como o podem fazer, em
certos casos, os encarnados, na medida de suas forças. Que Espírito, ao
demais, ousaria insuflar-lhe seus próprios pensamentos e encarregá-lo de
os transmitir? Se algum influxo estranho recebia, esse só de Deus lhe
poderia vir. Segundo definição dada por um Espírito, ele era médium de
Deus." ALLAN KARDEC - A GÊNESE, Cap. XV, item 2: Superioridade da
Natureza de Jesus
ANDRÉ LUIZ:
DIVINA MEDIUNIDADE
"Em nos reportando a qualquer
estudo da mediunidade, não podemos olvidar que, em Jesus, ela assume todas
as características de exaltação divina. (Aqui, André Luiz indica o trecho
acima, transcrito de a Gênese - Nota Nossa). Desde a chegada do Excelso
Benfeitor ao Planeta, observa-se-lhe o pensamento sublime penetrando o
pensamento da Humanidade. Dir-se-ia que no estábulo se reúnem pedras e
arbustos, animais e criaturas humanas, representando os diversos reinos da
evolução terrestre, para receber-lhe o primeiro toque mental de
aprimoramento e beleza. Casam-se os hinos singelos dos pastores aos
cânticos de amor na vozes dos mensageiros espirituais, saudando aquele que
vinha libertar as nações, não na forma social que sempre lhes será
vestimenta às necessidades de ordem coletiva, mas no ádito das almas, em
função da vida eterna. Antes dele, grandes comandantes da idéia haviam
pisado o chão do mundo, influenciando multidões. Guerreiros e
políticos, filósofos e profetas alinham-se na memória popular, recordados
como disciplinadores e heróis, mas todos desfilaram com exércitos e
fórmulas, enunciados e avisos, em que se misturam retidão e parcialidade,
sombra e luz. Ele chega sem qualquer prestígio de autoridade humana,
mas, com a sua magnitude moral, imprime novos rumos à vida, por
dirigir-se, acima de tudo, ao Espírito, em todos os climas da
Terra. Transmitindo as ondas mentais das Esferas Superiores de onde
procede, transita entre as criaturas, despertando-lhes as energias para a
Vida Maior, como que a tanger-lhes as fibras recônditas, de maneira a
harmonizá-las com a sinfonia universal do Bem Eterno."
MÉDIUNS
PREPARADORES
"Para
recepcionar o influxo mental de Jesus, o Evangelho nos dá notícias de uma
pequena congregação de médiuns, à feição de transformadores elétricos
conjugados, para acolher-lhe a força e armazená-la, de princípio, antes
que se lhe pudessem canalizar os recursos. E longe de anotarmos aí a
presença de qualquer instrumento psíquico menos seguro do ponto de vista
moral, encontramos importante núcleo de medianeiros, desassombrados na
confiança e corretos na diretriz. Informamo-nos, assim, nos
apontamentos da Boa Nova, de que Zacarias e Isabel, os pais de João
Batista, precursor do Médium Divino, "eram ambos justos perante Deus,
andando sem repreensão, em todos os mandamentos e preceitos do Senhor"
(Lucas 1:5), que Maria, a jovem simples de Nazaré, que acolheria o
Embaixador Celeste nos braços maternais, se achava "em posição de louvor
diante do Eterno Pai" (Lucas 1:30), que José da Galiléia, o varão que o
tomaria sob paternal tutela, "era justo" (Mateus 1:19), que Simeão, o
amigo abnegado que o aguardou em prece, durante longo tempo, "era justo e
obediente a Deus"(Lucas 2:25), e que Ana, a viúva que o esperou em oração,
no Templo de Jerusalém, por vários lustros, vivia "servindo a Deus" (Lucas
2:37). Nesse grupo de médiuns admiráveis, não apenas pelas percepções
avançadas que os situavam em contato com os Emissários Celestes, mas
também pela conduta irrepreensível de que forneciam testemunho,
surpreendemos o circuito de forças a que se ajustou a onda mental do
Cristo, para daí expandir-se na renovação do mundo."
EFEITOS
FÍSICOS
"Cedo começa
para o Mestre Divino, erguido à posição de médium de Deus, o apostolado
excelso em que lhe caberia carrear as noções da vida imperecível para a
existência na Terra. Aos doze anos, assenta-se entre os doutores de
Israel, "ouvindo-os e interrogando-os" (Lucas 2:46), a provocar admiração
pelos conceitos que expendia e a entremostrar a sua condição de
intermediário entre culturas diferentes. Iniciando a tarefa pública, na
exteriorização de energias sublimes, encontramo-lo em Caná da Galiléia,
oferecendo notável demonstração de efeitos físicos, com ação a distância
sobre a matéria, em transformando a água em vinho (João 2:1-12). Mas, o
acontecimento não permanece circunscrito ao âmbito doméstico, porquanto,
evidenciando a extensão de seus poderes, associados ao concurso dos
mensageiros espirituais que, de ordinário, lhe obedeciam as ordens e
sugestões, nós o encontramos, de outra feita, a multiplicar pães e peixes
(João 6:1-15) no topo do monte, para saciar a fome da turba inquieta que
lhe ouvia os ensinamentos, e a tranqüilizar a Natureza em desvario (Marcos
4:35-41), quando os discípulos assustados lhe pedem socorro, diante da
tormenta. Ainda no campo da fenomenologia física ou metapsíquica
objetiva, identificamo-lo em plena levitação, caminhando sobre as águas
(Marcos 6:49-50), e em prodigiosa ocorrência de materialização ou
ectoplasmia, quando se põe a conversar, diante dos aprendizes, com dois
varões desencarnados que, positivamente, apareceram glorificados, a lhe
falarem de acontecimentos próximos. (Lucas 9:28-32) Em Jerusalém, no
templo, desaparece de chofre, desmaterializando-se, ante a expectação
geral (João 7:30), e, na mesma cidade, perante a multidão, produz-se a voz
direta, em que bênçãos divinas lhe assinalam a rota. (João 12:28-30) Em
cada acontecimento, sentimo-lo a governar a matéria, dissociando-lhe os
agentes e reintegrando-os à vontade, com a colaboração dos servidores
espirituais que lhe assessoram o ministério de luz."
EFEITOS
INTELECTUAIS
"No capítulo
dos efeitos intelectuais ou, se quisermos, nas provas da metapsíquica
subjetiva, que reconhece a inteligência humana como possuidora de outras
vias de conhecimento, além daquelas que se constituem dos sentidos
normais, reconhecemos Jesus nos mais altos testemunhos. A distância da
sociedade hierosolimita , vaticina os sucessos amargos que culminariam com
a sua morte na cruz (Lucas 18:31-34). Utilizando a clarividência que lhe
era peculiar, antevê Simão Pedro cercado de personalidades inferiores da
esfera extrafísica, e avisa-o quanto ao perigo que isso representa para a
fraqueza do apóstolo (Lucas 22:31-34). (Sal da Terra, Luz do Mundo, pág.
100, item 208). Nas últimas instruções, ao pé dos amigos, confirmando a
profunda lucidez que lhe caracterizava as apreciações percucientes,
demonstra conhecer a perturbação consciencial de Judas (João 13:21-22), a
despeito das dúvidas que a ponderação suscita entre os ouvintes. Nas
preces de Getsêmani, aliando clarividência e clariaudiência, conversa com
um mensageiro espiritual que o conforta. (Lucas
22:43).
EVANGELHO E
MEDIUNIDADE
"A prática da
mediunidade não está somente na passagem do Mestre entre os homens, junto
dos quais, a cada hora, revela o seu intercâmbio constante com o Mundo
Superior, seja em colóquios com os emissários de alta estirpe, seja em se
dirigindo aos aflitos desencarnados, no socorro aos obsessos do caminho,
mas também na equipe dos companheiros, aos quais se apresenta em pessoa,
depois da morte, ministrando instruções para o edifício do Evangelho
nascente. No dia de Pentecostes, vários fenômenos mediúnicos marcam a
tarefa dos apóstolos, mesclando-se efeitos físicos e intelectuais na praça
pública, a constituir-se a mediunidade, desde então, em viga mestra de
todas as construções do Cristianismo, nos séculos subseqüentes. Em
Jesus e em seus primitivos continuadores, porém, encontramo-la pura e
espontânea, como deve ser, distante de particularismos inferiores, tanto
quanto isenta de simonismo . Neles, mostram-se os valores mediúnicos a
serviço da Religião Cósmica do Amor e da Sabedoria, na qual os
regulamentos divinos, em todos os mundos, instituem a responsabilidade
moral segundo o grau de conhecimento, situando-se, desse modo, a Justiça
Perfeita, no íntimo de cada um, para que se outorgue isso ou aquilo, de
conformidade com as próprias obras." ANDRÉ LUIZ - MECANISMOS DA
MEDIUNIDADE Cap. XXVI: Jesus e Mediunidade
ANTE A
MEDIUNIDADE
"Depois de um
século de mediunidade, à luz da Doutrina Espírita, com inequívocas provas
da sobrevivência, nas quais a abnegação dos Mensageiros Divinos e a
tolerância de muitos sensitivos foram colocadas à prova, temo-la, ainda
hoje, incompreendida e ridicularizada. Os intelectuais, vinculados ao
ateísmo prático, desprezam-na até agora, enquanto que cientistas que a
experimentam se recolhem, quase todos, aos palanques da Metapsíquica,
observando-a com reserva. Junto deles, porém, os espíritas sustentam-lhe a
bandeira de trabalho e revelação, conscientes de sua presença e
significado perante a vida. Tachados, muitas vezes, de fanáticos,
prosseguem eles, à feição de pioneiros, desbravando, sofrendo, ajudando e
construindo, atentos aos princípios enfeixados por Allan Kardec em sua
codificação basilar. Alguém disse que "os espíritas pretenderam
misturar, no Espiritismo, ciência e religião, o que resultou em grande
prejuízo para a sua parte científica." E acentuou que "um historiador, ao
analisar as ordenações de Carlos Magno, não pensa em Além-Túmulo; que um
fisiologista, assinalando as contrações musculares de uma rã, não fala em
esferas ultraterrestres; e que um químico, ao dosar o azoto da lecitina,
não se deixa impressionar por nenhuma fraseologia da sobrevivência
humana", acrescentando que, "em Metapsíquica, é necessário proceder de
igual modo, abstendo-se o pesquisador de sonhar com mundos etéreos ou
emanações anímicas, de maneira a permanecer no terra-a-terra, acima de
qualquer teoria, para somente indagar, muito humildemente, se tal ou tal
fenômeno é verdadeiro, sem o propósito de desvendar os mistérios de nossas
vidas pregressas ou vindouras." ... Existem, no entanto, outras
manifestações da luz, da eletricidade, do calor e da matéria,
desconhecidas nas faixas da evolução humana, das quais, por enquanto,
somente poderemos recolher informações pelas vias do espírito. ... A
Parapsicologia nas Universidades e o estudo dos mecanismos do cérebro e do
sonho, do magnetismo e do pensamento nas instituições ligadas à
Psiquiatria e às ciências mentais, embora dirigidos noutros rumos,
chegarão igualmente à verdade, mas, antes que se integrem conscientemente
no plano da redenção humana, burilemos, por nossa vez, a Mediunidade, à
luz da Doutrina Espírita, que revive a Doutrina de Jesus, no
reconhecimento de que não basta a observação dos fatos em si, mas também
que se fazem indispensáveis a disciplina e a iluminação dos ingredientes
morais que os constituem, a fim de que se tornem fatores de aprimoramento
e felicidade, a benefício da criatura em trânsito para a realidade maior."
(Mecanismos da Mediunidade, Prefácio de André Luiz,
FEB)
"A
mediunidade não é uma arte, nem um talento, pelo que não pode tornar-se
uma profissão. Ela não existe sem o concurso dos espíritos;
faltando
esses, já não há mediunidade." Allan Kardec
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