|
"Há
mundos particularmente destinados aos Espíritos, nos quais podem
habitar
temporariamente, e nele gozam de um bem-estar maior ou
menor." ALLAN KARDEC (O Livro dos Espíritos,
234)

-
"Eu
guardava a impressão de haver perdido a idéia de tempo. A noção de
espaço esvaíra-se-me de há muito. Estava convicto de não mais
pertencer ao número de encarnados no mundo e, no entanto, meus
pulmões respiravam a longos haustos." (Nosso Lar, 1,
FEB)
-
"Sentia-me, na verdade, amargurado duende nas
grades escuras do horror. Cabelos eriçados, coração aos saltos,
medo terrível senhoreando-me, muita vez gritei como louco,
implorei piedade e clamei contra o doloroso desânimo que me
subjugava o espírito."
(Nosso Lar, 1)
-
"Perdera toda a noção de rumo. O receio do ignoto e
o pavor da treva absorviam-me todas as faculdades de raciocínio,
logo que me desprendera dos últimos laços físicos, em pleno
sepulcro!" (Nosso Lar, 1, FEB)
-
"E a
estranha viagem prosseguia... com que fim? Quem o poderia dizer?
Apenas sabia que fugia sempre... O medo me impelia de roldão. Onde
o lar, a esposa, os filhos?"
Nosso Lar, 1)
-
"De
início, as lágrimas lavavam-me incessantemente o rosto e apenas,
em minutos raros, felicitava-me a benção do sono. Interrompia-se,
porém, bruscamente, a sensação de alívio. Seres monstruosos
acordavam-me, irônicos; era imprescindível fugir deles."
(Idem)
-
"Suicida! Suicida! Criminoso! Infame! - gritos
assim, cercavam-me de todos os lados. Onde os sicários de coração
empedernido? Por vezes enxergava-os de relance, escorregadios na
treva espessa e, quando meu desespero atingia o auge, atacava-os
mobilizando extremas energias." (Nosso lar, 2)
-
"Em
vão, porém, esmurrava o ar nos paroxismos da cólera. Gargalhadas
sarcásticas feriam-me os ouvidos, enquanto os vultos negros
desapareciam na sombra." (Nosso lar, 2)
-
"Para
quem apelar? Torturava-me a fome, a sede me escaldava. Comezinhos
fenômenos da experiência material patenteavam-se aos meus olhos.
Crescera-me a barba, a roupa começava a romper-se com os esforços
da resistência, na região desconhecida."
(Nosso lar,
2)
-
"A circunstância
mais dolorosa, no entanto, não era o terrível
abandono a que me sentia votado, mas o assédio incessante de
forças perversas que me assomavam nos caminhos ermos e obscuros."
(Nosso Lar, 2)
-
"E
quando as energias me faltaram de todo, quando me senti
absolutamente colado ao lodo da Terra, sem forças para
reerguer-me, pedi ao Supremo Autor da Natureza me estendesse mãos
paternais, em tão amargurosa emergência." (Nosso Lar, 2,
FEB)
-
"Ah! é
preciso haver sofrido muito, para entender todas as misteriosas
belezas da oração; é necessário haver conhecido o remorso, a
humilhação, a extrema desventura, para tomar com eficácia o
sublime elixir de esperança. (Nosso Lar, 2,
FEB)
-
"Ah! é
preciso haver sofrido muito, para entender todas as misteriosas
belezas da oração; é necessário haver conhecido o remorso, a
humilhação, a extrema desventura, para tomar com eficácia o
sublime elixir de esperança. (Nosso Lar, 2,
FEB)
-
"Foi
nesse instante que as neblinas espessas se dissiparam e alguém
surgiu, emissário dos Céus. Um velhinho simpático me sorriu
paternalmente. Inclinou-se, fixou nos meus os grandes olhos
lúcidos, e falou: "Coragem, meu filho! O Senhor não te desampara."
(Nosso Lar, 2, FEB)
-
"Clarêncio, que se apoiava num cajado de substância
luminosa, deteve-se à frente de grande porta encravada em altos
muros, cobertos de trepadeiras floridas e graciosas."(Nosso Lar,
2, FEB)
-
"Branda claridade inundava ali todas as coisas. Ao
longe, gracioso foco de luz dava a idéia de um pôr do sol em
tardes primaveris. À medida que avançávamos, conseguia identificar
preciosas construções, situadas em extensos jardins." (Nosso Lar,
3, FEB)
-
"Recordei, então, que nunca fixara o Sol, nos dias
terrestres, meditando na imensurável bondade d'Aquele que no-lo
concede para o caminho eterno da vida."(Nosso Lar, 3,
FEB)
-
"A
essa altura, serviram-me caldo reconfortante, seguido de água
muito fresca, que me pareceu portadora de fluidos divinos."(Nosso
Lar, 3, FEB)
"Amigos, por quem sois, explicai-me em que novo
mundo me encontro... De que estrela me vem, agora, esta luz
confortadora e brilhante? " André Luiz Crepúsculo em
Nosso Lar, 3, FEB)
-
"Estamos nas esferas espirituais vizinhas da Terra,
e o Sol, que nos ilumina, neste momento, é o mesmo que nos
vivifica o corpo físico." (Nosso Lar, 3, FEB)
-
"Decorridas algumas semanas de tratamento ativo,
saí, pela primeira vez, em companhia de Lísias. Impressionou-me o
espetáculo das ruas. Vastas avenidas, enfeitadas de árvores
frondosas. Passados alguns minutos, eis-nos à porta de graciosa
construção, cercada de colorido jardim." (Nosso Lar,
8)
-
"Entramos. Ambiente simples e acolhedor. Móveis
quase idênticos aos terrestres; objetos em geral, mostrando
pequeninas variantes. Quadros de sublime significação espiritual,
um piano de notáveis proporções, descansando sobre ele grande
harpa talhada em linhas nobres e delicadas." (NOSSO
LAR,17)
-
"Quando o discípulo está preparado, o Pai envia o
instrutor. O mesmo se dá, relativamente ao trabalho. Quando o
servidor está pronto, o serviço aparece..."(Nosso Lar, 26,
FEB)
-
"As
câmaras de Retificação estão localizadas nas vizinhanças do
Umbral. Os necessitados que aí se reúnem não toleram as luzes, nem
a atmosfera de cima, nos primeiros tempos de moradia em "Nosso
Lar". (Nosso Lar, 26, FEB)
-
"Memória inquieta, coração oprimido, em poucos
instantes localizei-a no passado. Era Elisa. Aquela mesma Elisa
que conhecera nos tempos de rapaz. Estava modificada pelo
sofrimento, mas não podia ter quaisquer dúvidas." (Nosso Lar,
40)
- "Ouça, minha
amiga - falei com emoção forte -, também eu me chamo André e
preciso ajudá-la. Conte comigo, doravante... Até agora, não tenho
propriamente uma família em "Nosso Lar". Mas você será aqui minha
irmã do coração." (Nosso Lar, 40)
"Vive o amor sublime no corpo mortal, ou na
alma eterna? Na Espiritualidade o noivado é muito mais
belo, porque não existem véus de ilusão a obscurecer o
olhar." (Nosso Lar, 45, FEB) |
|
|
"Recolhido ao quarto confortável e espaçoso, orei ao
Senhor da Vida agradecendo a bênção de ter sido útil. A "proveitosa
fadiga" dos que cumprem o dever não me deu ensejo a qualquer vigília
desagradável. Daí a instantes, sensações de leveza invadiram-me a
alma toda e tive a impressão de ser arrebatado em pequenino barco,
rumando a regiões desconhecidas." (N.L., 36)
"Desembarquei com precipitação verdadeiramente
infantil. Reconheceria aquela voz entre milhares. Num momento,
abraçava minha mãe em transbordamentos de júbilo." (Nosso Lar,
36)
"Fui
conduzido então por ela, a prodigioso bosque, onde as flores eram
dotadas de singular propriedade - a de reter a luz, revelando a
festa permanente do perfume e da cor. Tapetes dourados e luminosos
estendiam-se dessa maneira, sob as grandes árvores sussurrantes ao
vento." (Nosso Lar, 36)
"Minhas
impressões de felicidade e paz eram inexcedíveis. O sonho não era
propriamente qual se verifica na Terra. Eu sabia, perfeitamente, que
deixara o veículo inferior no apartamento das Câmaras de Retificação, em "Nosso Lar", e tinha absoluta consciência daquela
movimentação em plano diverso."(Nosso Lar, 36)
"Ligado
o receptor, suave melodia derramou-se no ambiente, embalando-nos em
harmoniosa sonoridade, vendo-se no espelho da televisão a figura do
locutor, no gabinete de trabalho."(Nosso Lar,
24)
"Daí a
instantes, começou ele a falar: - Emissora do Posto Dois, de
"Moradia". Continuamos a irradiar o apelo da colônia, em benefício
da paz na Terra."(Nosso Lar, 24)
"Estamos
ouvindo "Moradia", velha colônia de serviços muito ligada às zonas
inferiores."(Nosso Lar, 24)
"Assombrava-me, sobretudo, a imensidade dos serviços
espirituais nos planos de vida nova a que me recolhera. Pois havia
cidades de espíritos generosos, suplicando socorro e cooperação?"
(Nosso Lar, 24)
REGRESSANDO A CASA
"André,
amanhã acompanharei nossa irmã Laura à esfera carnal. Se lhe apraz,
poderá vir conosco para visitar sua família."(Nosso Lar,
48)
"Possuído de Júbilo intenso, agradeci, chorando e
rindo ao mesmo tempo. Ia, enfim, rever a esposa e os filhos
amados..." (Nosso Lar, 49, FEB)
"Imitando a criança que se conduz pelos passos dos
benfeitores, cheguei à minha cidade, com a sensação indescritível do
viajante que torna ao berço natal depois de longa ausência." (Nosso
Lar, 49, FEB)
"Gritei
minha alegria com toda a força dos pulmões, mas as palavras pareciam
reboar pela casa sem atingir os ouvidos dos circunstantes.
Compreendi a situação e calei-me, desapontado. Abracei-me à
companheira, com o carinho da minha saudade imensa, mas Zélia
parecia totalmente insensível ao meu gesto de amor."(Nosso Lar, 49,
FEB)
"Mas,
doutor, salve-o, por caridade! Peço-lhe! Oh! não suportaria uma
segunda viuvez."(Nosso Lar, 49, FEB)
"Um
corisco não me fulminaria com tamanha violência. Outro homem se
apossara de meu lar. A esposa me esquecera. A casa não mais me
pertencia. Valia a pena ter esperado tanto para colher semelhantes
desilusões?" (Nosso Lar, 49, FEB)
"Chegou
a noite e voltou o dia, encontrando-me na mesma situação de
perplexidade, a ouvir conceitos e a surpreender atitudes que nunca
poderia ter suspeitado." (Nosso Lar, 49, FEB)
"Aproximei-me da filha chorosa e estanquei-lhe o
pranto, murmurando palavras de encorajamento e consolação, que ela
não registrou auditiva, mas subjetivamente, sob a feição de
pensamentos confortadores." (Nosso Lar, 49)
"Roguei
ao Senhor energias necessárias para manter a compreensão
imprescindível e passei a interpretar os cônjuges como se fossem
meus irmãos." (Nosso Lar, 50)
"Reconheci que
Zélia e Ernesto se amavam intensamente. E, se de fato me sentia
companheiro fraternal de ambos, devia auxiliá-los com os recursos ao
meu alcance. (Nosso Lar, 50)"Ao fim da semana, chegara ao termo de
minha primeira licença nos serviços das Câmaras de Retificação. A
alegria tornara aos cônjuges, que passei a estimar como
irmãos."(Nosso Lar, 50)"À luz dormente e cariciosa do crepúsculo,
tomei o caminho de "Nosso Lar", totalmente modificado. Naqueles
rápidos sete dias, aprendera preciosas lições práticas no culto vivo
da compreensão e da fraternidade legítimas." (André Luiz, Nosso Lar,
50, FEB)

A
ORAÇÃO COLETIVA
"Aquela melodia
renovava-me as energias profundas. Levantei-me vencendo dificuldades
e agarrei-me ao braço fraternal que Lísias me estendia. Seguindo
vacilante, cheguei a enorme salão, onde numerosa assembléia meditava
em silêncio, profundamente recolhida. Da abóbada cheia de claridade
brilhante, pendiam delicadas e flóreas guirlandas, que vinham do
teto à base, formando radiosos símbolos de Espiritualidade Superior.
Ninguém parecia dar conta da minha presença, ao passo que mal
dissimulava eu a surpresa inexcedível. Todos os circunstantes,
atentos, pareciam aguardar alguma coisa. Contendo a custo numerosas
indagações que me esfervilhavam na mente, notei que ao fundo, em
tela gigantesca, desenhava-se prodigioso quadro de luz quase
feérica. Obedecendo a processos adiantados de televisão, surgiu o
cenário de templo maravilhoso. Sentado, em lugar de destaque, um
ancião coroado de luz fixava o alto, em atitude de prece, envergando
alva túnica de irradiações resplandecentes. Em plano inferior,
setenta e duas figuras pareciam acompanhá-lo em respeitoso silêncio.
Altamente surpreendido, reparei Clarêncio participando da
assembléia, entre os que cercavam o velhinho refulgente. Apertei
o braço do enfermeiro amigo, e, compreendendo ele que minhas
perguntas não se fariam esperar, esclareceu em voz baixa, que mais
se assemelhava a leve sopro: - Conserve-se tranqüilo. Todas as
residências e instituições de "Nosso Lar" estão orando com o
Governador, através da audição e visão a distância. Louvemos o
Coração Invisível do Céu. Mal terminara a explicação, as setenta
e duas figuras começaram a cantar harmonioso hino, repleto de
indefinível beleza. O cântico celeste constituía-se de notas
angelicais, de sublimado reconhecimento. Pairavam no recinto
misteriosas vibrações de paz e de alegria e, quando as notas
argentinas fizeram um delicioso staccato, desenhou-se ao longe, em
plano elevado, um coração maravilhosamente azul (Imagem simbólica
formada pelas vibrações mentais dos habitantes da colônia - Nota do
Autor espiritual), com estrias douradas. Cariciosa música, respondia
aos louvores, procedente talvez de esferas distantes. Foi aí que
abundante chuva de flores azuis se derramou sobre nós; mas, se
fixávamos os miosótis celestiais, não conseguíamos detê-los nas
mãos. As corolas minúsculas desfaziam-se de leve, ao tocar-nos a
fronte, experimentando eu, por minha vez, singular renovação de
energias ao contato das pétalas fluídicas que me balsamizavam o
coração. Terminada a sublime oração, regressei ao aposento de
enfermo, amparado pelo amigo que me atendia de perto. Entretanto,
não era mais o doente grave de horas antes. A primeira prece
coletiva, em "Nosso Lar", operara em mim completa transformação.
Conforto inesperado envolvia-me a alma. Pela primeira vez, depois de
anos consecutivos de sofrimento, o pobre coração, saudoso e
atormentado, à maneira de cálice muito tempo vazio, enchera-se de
novo das gotas generosas do licor da esperança." (Nosso Lar, 3,
FEB)
"Quantas existências, quantos corpos, quantos
séculos, quantos serviços, quantos triunfos,
quantas mortes
necessitamos ainda?" André Luiz (Nosso Lar - Prefácio)
HOMEPAGE
.
|
|