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O
Evangelismo na Pós-Modernidade
A pós-modernidade
não é algo recente como muitos imaginam. Pode ser definida como
um processo de integração mundial com repercussões nos diversos
setores da sociedade. Esse processo tem trazido grandes transformações,
quer na arte, na ciência, na religião, na política, na industria
etc. É o que se conhece por globalização.
Antigamente o
mundo conhecia pequenas
mudanças de cem em cem anos. Essa vacância foi diminuindo no
decorrer do tempo para oitenta, cinqüenta, trinta, dez, dois anos
etc. Hoje o mundo muda a cada instante.
Na modernidade,
que foi o período que antecedeu a esse processo de globalização,
uma pessoa para percorrer 400 Km, precisava de seis
a sete dias, viajando em cima do lombo de um animal. Hoje
um jato pode dar a volta ao mundo em 24h. A nave espacial
precisa somente de 80 min. A cada dia milhares de páginas são
acrescentadas ao conhecimento científico. Precisaria de cinco anos
para alguém ler todo conhecimento científico que se produz em
vinte e quatro horas.
Com a globalização
o Brasil deixou de ser um país de população rural. O êxodo para
os grandes centros não pára, causando um enorme caos social.
Nesse processo de
mudanças podemos destacar áreas que tem se evidenciado, trazendo
influência em diversos setores da sociedade, e inclusive na Igreja
o que é profundamente lamentável:
1-
A nova era se instala na mente humana com força alavancadora;
2-
O solipsismo
tomou proporções alarmantes, e domina a política, a religião, e
até muitos que se autodenominam cristãos. Há um verdadeiro
mercantilismo no meio “evangélico”;
3-
É a época dos valores invertidos como nos diz o profeta Isaías
5: 20 “ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das
trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce
amargo!”.
4-
Época do humanismo dominando quase tudo, influenciando até
Igrejas no meio fundamentalista, através da psicologia. Como se a Bíblia
precisasse de ajuda.
5-
É a época da sexomania.
6-
É a época da descaracterização da família (tornou-se
descartável);
7-
É a época do sincretismo religioso. O ecumenismo avança em
passos galopantes;
8-
É a época do desprezo pela sã doutrina;
9-
É a época do emocionalismo, da cultura acima da Palavra de
Deus;
10-
É a época do pragmatismo substituindo a pureza devidas ao
Senhor Jesus, etc.
Diante
de tantas mudanças como vamos levar a mensagem de salvação aos perdidos?
Em primeiro lugar, a Igreja deve zelar
pela sã doutrina. É com a doutrina correta que vamos ter o
poder pregar o verdadeiro evangelho. A doutrina errada leva a Igreja
a uma prática errada, que somente vai agradar ao mundo, tornando-se
uma afronta ao caráter santo do nosso Senhor e Salvador Jesus. Nós
fundamentalistas precisamos ter cuidado com as influências do
neo-evangelicalismo, que
através da filosofia pragmatista, do humanismo, do desprezo pela
doutrina etc, tem levado o mundo para dentro das Igrejas, deixando o
pecador numa situação confortável aos olhos do mundo, mas diante
de Deus em total desgraça e corrupção. O pragmatismo é letal
pois não está preocupado se determinada prática é bíblica, quer
saber se funciona. Veja o que diz RicK Warren, em seu pragmático
livro Uma Igreja Com Propósito, pg. 339. “O
estilo de música que você escolhe para o seu culto vai ser uma das
decisões mais críticas e controvertidas tomadas na vida da igreja.
Também pode ser o fator mais influente em determinar quem sua
igreja vai alcançar para Cristo e se vai crescer ou não”.
Cabe aqui a seguinte pergunta: o culto é para agradar o pecador ou
ao Senhor Jesus? A teologia bíblica nos ensina que o culto é
exclusivamente teocêntrico. Rick Warreen, na pg. 337, ainda chega
mais ao ridículo afirmando
que a música pode ter mais eficácia
no coração do pecador, do que propriamente a mensagem da
palavra de Deus. Na Bíblia a música tem por finalidade adorar a
Deus. É a Palavra que penetra no fundo da alma levando o pecador a
Jesus, “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais
penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à
divisão da alma e do espírito...” Hebreus 4:12. Esse
“evangelho” sintético, artificial vive de mãos dadas com o
mundo, já perdeu de vista o propósito da Igreja nesse mundo.
A Igreja tem que ter a visão da grandeza
da obra, Mt 28:19-20. Nos estamos no projeto de Deus que é o
maior e mais importante serviço desse mundo. Quando olhamos as
demais obras desse mundo, por mais majestosas que elas pareçam, são
efêmeras, e terão seu fim, mas o nosso serviço produz resultados
eternos; ainda que pareça sem valor aos olhos do mundo, “Porque a
palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós que
somos salvos, é o poder de Deus” I Coríntios 1:18.
Em Mateus 9:35-38, vemos o exemplo deixado
pelo nosso Senhor Jesus, que ia ao encontro dos pecadores. Nosso
Senhor foi um trabalhador incansável, não perdia tempo. Em Lucas
4: 43-44, contemplamos o Senhor Jesus vencendo barreiras geográficas,
e foi justamente isto que aconteceu com o Igreja primitiva, após
sofrer perseguição. Ela se espalhou por toda parte levando o
evangelho de salvação Atos 14:20-21.
A Igreja não pode ficar enclausurada nas quatro paredes
enquanto a ordem é avançar, pois o evangelho de nosso Senhor Jesus
é a resposta para esse mundo corrompido pelo pecado. Muitos
pastores sem visão preferem orientar suas ovelhas que tragam
visitantes, e inchar o rol de membros é sua meta prioritária. A
tarefa da evangelização não pode ficar restrita ao púlpito.
Podemos fazer essa obra de diversas maneiras:
1-
Enviando missionários. Temos em nosso país mais de
mil municípios que nada possuem do evangelho. Temos também cento e
vinte tribos indígenas que nada sabem sobre a salvação em Jesus
Cristo. A ordem é ir. Mateus 28:19-20;
2-
Reproduzindo através de congregações, na cidade e
no estado;
3-
Distribuindo literaturas;
4-
Promovendo discipulado. Jesus pegou doze homens deu
treinamento e mandou-os fazer discípulos;
5-
Usando todos os recursos tecnológicos possíveis; (rádio,
televisão, Internet, fax, telefone etc.).
6-
Usando a mensagem puramente bíblica. Hoje é triste
ver como muitas Igrejas se corrompem deixando de pregar os desígnios
de Deus, como a doutrina do pecado, e a santidade de Deus.
7-
Ensinando a Igreja a viver conforme o caráter santo do
nosso Deus I Pedro 1:15-16
Estamos nesse mundo por conta do que o Senhor
Jesus iniciou. Quando olhamos a
estratégia usado por nosso Salvador em Mateus 9:36 “E, vendo as
multidões, teve grande compaixão delas, porque andavam cansadas e
desgarradas...”. Jesus tinha consciência da situação espiritual
daquela gente, e ia ao encontro do pecador O mundo atual está
desgarrado e desesperado, pois a ilusão da nova era, nem a
religiosidade podem saciar o vazio existencial. A aflição que o
homem contemporâneo se encontra é quase mais que se pode suportar.
Os divãs dos psicólogos não possuem a resposta para a dor
o medo e a perplexidade humana.
Precisamos ter a visão de nosso Senhor, pois o evangelho, sim, tem
a solução para o conflito da alma.
Quando Jesus foi assunto aos céus, ele disse algo solene e
consolador “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há
de vir; ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a
Judéia e Samaria, e até os confins da terra” Atos 1:8. Antes de
nos comissionar, ele nos equipou com a sua virtude, para
desempenharmos essa sublime tarefa. Se a Igreja tem a virtude do céu,
ela vai na direção dos perdidos com a mensagem do céu. Se a
Igreja compactua com o mundo, sua mensagem não confrontará a
filosofia hedonista, cujo o bem maior é a busca do prazer. Esse
tipo de Igreja podemos comparar com Laudicéia, que sua prática
buscava agradar o povo, sem se importar com a fidelidade a Deus. Por
que o neo-evangelicalismo tem sido um catalisador para o ecumenismo?
Justamente pela sua mensagem que enfatiza o amor e não a sã
doutrina. A Igreja fiel, prega a mensagem do céu que é missões.
Ela é consciente de que não temos nada nesse mundo que sirva de âncora.
Nosso tesouro não é terreno e sim celestial. “Porque onde
estiver o vosso tesouro, aí estará o vosso coração” Mateus
6:21. Esse exemplo foi deixado pela Igreja primitiva, em Atos
2:42-47. Diz o versículo 47, “... E todos os dias acrescentava o
Senhor à Igreja aqueles que haviam de se salvar”. O mundo mudou,
mas a mensagem do Senhor sempre será a resposta para o homem
perdido.
Emidio de Souza Viana
Pastor da Igreja Batista Regular da Cidade Satélite,
Natal/RN
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