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Agora, é a videira
que se enche de parras e de uvas,
que cresce, afoita,
num reboliço de gavinhas,
limbos, pecíolos,
bainhas, e que se expande sobre o muro,
galgando-o
magnificamente, desafiando a rua,
debruçando-se,
viçosa, com seus cachos caprichosos,
sobre os carros, as
carrinhas e os apressados peões.
Nada teme esta
videira citadina, tão tranquilamente verde,
tão essencialmente
terra, água e sol, tão fiel a si mesma!

Pudéssemos nós,
humanos, conhecer a nossa natureza,
interiorizá-la,
assumi-la, vivê-la, expressá-la,
independentemente do
solo onde nascemos
e dos obstáculos
que a vida nos coloca,
indiferentemente das
modas e passageiras seduções.
Seríamos o Homem na
sua identidade perfeita,
íntegro defensor do
Amor, da Paz universal e do Bem.
Tão natural nos
seria sermos humanos como à vinha é ser vinha.

Na vinha encontro a
plenitude, a beleza do ser.
Enquanto os homens
continuarem a plantar vinhas na cidade,
alguma esperança
haverá para o Mundo!

Ilona Bastos
Lisboa, 13 de
Setembro de 2004
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