Das
ambulâncias eram as sirenes
no seu ondular
estridente
crescente,
angustiante
o silêncio
súbito, o medo
o desvario das
velocidades
que corriam em
mim, em suores
frios temores,
arautos da desgraça,
afinal
fantasmas que me invadiam
os dias
tranquilos ou tementes
.
Depois, foi a
visão do teu corpo longo
esguio entre os
lençóis do hospital
as sirenes lá
fora, cá dentro
o gemer dos
velhos doentes
a luz branca
nas paredes verdes
a assepsia dos
instrumentos
e tu ali,
ligado ao soro e ao leito
pálido,
desamparado, desmaiado
olhos fechados,
sem dar por nós
.
Das
ambulâncias são ainda
os uivos
errantes a invadir e a fugir
do meu
silêncio, que é câmara
de passagem de
fragmentos de ideias,
de receios,
remorsos, recusas, revoltas,
invisíveis
rios de lágrimas
que me inundam
e se afogam nos gritos
diabólicos das
sirenes estridentes,
permanentes
arautos da desgraça
.
Lisboa,
Agosto de 2007