ILONA BASTOS |
POEMAS |
| LÁGRIMAS
Ilona Bastos .Se as lágrimas fossem palavras, Sobre esta página branca Estaria escrito um poema pungente, Testemunho de pesar por todos os que pereceram Na escola de Beslan, na Ossétia do Norte. Aqui estaria estampado um retrato vivo Do sofrimento das crianças russas de olhar puro, A imagem das suas mães e avós, chorosas, Com o coração sangrando, desfeito de dor, E dos pais, abatidos pelo desespero, Carregando nos seus braços os filhos feridos. . Se as lágrimas tivessem poder, Sobre esta folha outra surgiria, E nela estaria inscrita uma lei imperativa, Absoluta e inviolável, porque física, (criação de Deus e não dos homens) Nos termos da qual nunca, Mas nunca mais, as crianças sofreriam, Nunca mais sobre elas o mal se abateria, Fosse sob que forma fosse, E que assim estabeleceria: . Não mais as armas dispararão, Quando o objecto em mira for uma criança. . Não mais as balas atingirão o alvo, Quando este for ou puder ser uma criança. . Não mais as bombas explodirão, Quando no seu raio de acção se achar uma criança. . Não mais um objecto contundente ferirá, Quando utilizado sobre uma criança. . Não mais um ser humano pensará actuar, Ou actuará, com violência, sobre uma criança. . Mais determina esta lei que o mesmo regime seja aplicável Aos familiares (assim sendo considerados todos em linha recta, E até ao centésimo grau da linha colateral), professores, amigos e vizinhos De uma criança. . Esta lei entra imediatamente em vigor! . . Lisboa, 5 de Setembro de 2004 |
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Pintura de Henri Lebasque
Som de fundo: Chopin, 24 Preludes, nº4
Mais recente actualização: 2 de Fevereiro de 2005