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É o clamor
difuso das folhas das árvores
É
a verdura que emoldura as pedras da calçada
É
o voar dos toldos brancos na tenda do jardim
É
o céu em tons de cinzento que súbito chora
É
o aroma silvestre da terra e da relva molhada
É
o vento que empurra gabardinas e guarda-chuvas
É
o assobio que entra pelas frinchas das janelas
É
a corrida das gotas de água no pára-brisas
É
o aguaceiro que pára, espantado, e sorri
É
o reflexo agitado dos ramos nas poças de chuva
É
o fumo das castanhas assadas à saída do cinema
É
a nuvem dourada das folhas varridas e amontoadas
É
o florir inocente das violetas no vaso da minha
sala.
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