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"Porque por tuas palavras serás justificado, e por tuas palavras serás condenado." (Mt 12:37)

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O mundo moderno tem sido marcado pela ilusão dos espetáculos e shows.  A televisão tem mesclado, de madeira sutil, a realidade com ilusão.  A questão da verdade tornou-se irrelevante.  O que mais importa é produtos.  A telinha (com seus espetáculos e shows) tem feito de tudo para mutilar a capacidade de pensar e refletir.  Por outro lata, quando uma programação exige a reflexão e o exercício de nossa capacidade de pensar, não há interesse em assisti-la.  A cultura contemporânea é a cultura do espetáculo.  Há uma predisposição, por parte das pessoas, de participarem de eventos dessa natureza.

Não é exagero dizer que o mundo moderno (a sociedade em que vivemos) é um grande show.  O espetáculo da vida não se apresenta apenas como uma coleção social entre pessoas mediatizadas pelas imagens.  Tudo o espetáculo tem como finalidade entreter, relaxar, levar a uma mão-reflexão.

Por essa razão as pessoas não mais se concentram em um assunto por mais de quinze minutos.  No turbilhão audiovisual das imagens e da interatividade que caracteriza o nosso tempo, estamos quase nos desfazendo de um dos métodos mais eficazes para a compreensão e prática da vontade de Deus:  a pregação do evangelho.

Relegada a um plano secundário, a pregação do evangelho no mundo contemporâneo está cedendo um lugar avantajado às atividades lúdicas e interativas.  Cultuar a Deus tem sido sinônimo de "louvorzão", e o espaço da pregação no culto tem sido reduzido cada vez mais, para dar espaço ao efêmero.

Que fazer?  Aceitar a realidade nebulosa que se agiganta ou resgatar o lugar deste importante método de exposição do evangelho, que leva ao homem a oportunidade de salvação?

De fato, a igreja não pode abandonar a primazia da pregação por causa dos caprichos da cultura.  O que ela deve fazer é dar primazia à pregação da palavra.

Muitas igrejas têm crescido sem priorizar o ensino e a pregação da palavra;  outras  crescem a partir dela.  Aquelas, com resultados temporários e superficiais; estas, já são mais maduras em relação aos resultados e à permanência dos mesmos.

A igreja não pode se deixar absorver pelos mecanismos utilizados pelos meios de comunicação.  Ela tem uma resposta à contemporaneidade, uma grande contribuição a dar para melhor compreender os acontecimentos ao nosso redor; no entrando, isso só pode se dar se devolvermos à pregação seu lugar de proeminência!

O lugar da pregação no mundo contemporâneo deve ser resgatado pelos seguintes motivos:

Deus revelou-se através da palavra.  João, o apóstolo, disse:  "No princípio era o verbo (palavra)" (Jo 1.1).  O Filho de Deus (Jesus Cristo) é a palavra.  Ele é a comunicação de Deus para o mundo.  Deus revelou-se a si mesmo como palavra e, também, por meio dela.

É através da palavra que Deus realiza a sua obra no meio do seu povo:  O mundo foi feito pela sua palavra (Hb 11.3).  Em Timóteo 2.16-17, lemos:  "Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda a boa obra em nós, será pela palavra.  Da mesma forma, o salmista afirma que o homem que medita na sua palavra "será como árvore plantada junta às correntes de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cuja folha não cai; e tudo quanto fizer prosperará" (Sl 1.3).  Aí está uma grande verdade:  é através da palavra que Deus age em nosso meio.

Em Hebreu 4.12, lemos:  "Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão da alma e espírito, e de juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamento e intenções do coração".  A Palavra de Deus age de maneira grandiosa e espetacular, como agente de julgamento e avaliadora de nossas convicções.

No Evangelho de João (17.17) lemos:  "Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade".  A obra de santificação é realizada por meio da palavra.

A igreja cristã primitiva dava maior relevância à palavra de Deus no momento da adoração, e não o contrário.  Por exemplo, Filipe, quando desceu à cidade de Samário, "pregava-lhes..." (Atos 8.5).  Pedro quando se apresentou diante do centurião romano, em Cesaréia, disse-lhe que o Senhor "nos mandou pregar" (Atos 10.42).  Os filósofos atenienses identificaram Paulo como um possível pregador (Atos 17.18).  Os filósofos tinham razão, pois Paulo considerava a pregação sua principal tarefa.  Em 1 Coríntios 1.17, ele diz:  "Porque Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar o evangelho..."

Os acontecimentos históricos têm mostrado que a expansão do reino de Deus tem se dado por meio da pregação de palavra.

Entretanto, o conceito de pregação, na mentalidade moderna, parece ter sido modificado.  Uma pregação "ótima" é, ao mesmo tempo, breve e estimulante.  Ela deve conter entretenimento e levar o público a um frenesi.  Esse tipo de pregação nos tem levado a uma completa acomodação, reflexo de uma sociedade educada pela televisão.  É agradável, mas, em contrapartida, não apresenta nenhuma preocupação com a verdade.

A pregação deve ocupar o seu lugar - o de primazia.  Os pregadores que priorizaram a pregação do evangelho foram os que obtiveram resultados significativos,e permanentes em seus ministérios e, conseqüentemente, o reino de Deus cresceu fortificado.  Precisamos de pregações com conteúdo, com argumentos lógicos e que expressem com propriedade a vontade de Deus para o povo.  Pregações que dependam da aprovação de Deus e não se preocupem em agradar ao público, mas, em transmitir a mensagem de salvação.

 

Pr. Almir Cordeiro de Jesus

Retirado da revista Atitude 3º Trimestre de 2002.

 

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