| PÁGINA INICIAL | HISTORIA DA IAP | IAP PIEDADE | BOLETIM | EVENTOS | ESTUDOS | FOTOS |
Os resumos dos livros estão
dispostos em ordem alfabética
APOCALIPSE
A
chave deste livro encontra-se no versículo inicial. "Revelação de Jesus
Cristo". O propósito principal consiste em revelar o Senhor Jesus Cristo
como o Redentor do mundo e Conquistador do mal, e apresentar de forma simbólica
o programa mediante o qual ele desempenhará seu trabalho.
A
estrutura do Apocalípse fundamenta-se em quatro grandes visões, cada uma das
quais iniciada pela frase: "em espírito", e contém um aspecto da
pessoa de Cristo em sua capacidade de julgar o mundo.
O
Apocalípse começa com cartas que o Senhor dirige às sete igrejas da era
apostólica típicas das igrejas de todos os tempos. Nessas cartas ele expressa
seus elogios e críticas, terminando com uma advertência e uma promessa.
Ao
iniciar-se o quarto capitulo, o vidente é trasladado ao céu, onde contempla
"as coisas que depois destas devem acontecer"(4:1). Mediante uma
sucessão de juízos, selos, trombetas e taças de ira, a terra é castigada por
seu pecado, iniciando-se o grande dia da ira de Deus. Não há indícios da
duração do processo, mas parece que se acelera ao aproximar-se de seu fim.
A
partir do capítulo 17 e até o capítulo 20 inclusive, temos uma vista
pormenorizada da consumação da era. Representa-se o retorno de Cristo em glória
com os exércitos do céu (19:11-21), o estabelecimento do reino e sua conclusão
no juízo final do grande trono branco (20:1-15), e a criação de um novo mundo
(21:1-8). A última visão é prolongamento da terceira, ao descrever com maior
amplitude a natureza da cidade de Deus (21:9-22:5).
A
conclusão do livro é um convite à devoção. Se Cristo vai retornar, a santidade
e o trabalho são obrigatórios no que respeita a seu povo. A oração no final
deve expressar o desejo de todo crente: "Amém. Ora vem, Senhor
Jesus"(22:20).
AUTOR
Ao
autor do livro de Apocalípse dá-se simplesmente o nome de João. Estava na ilha
de Patmos, onde se achava exilado por causa de sua fé cristã (1:4-9; 22:8) Era
bem conhecido entre as igrejas da Ásia, e considerado "profeta"(22:9).
Justino Mártir (cerca do ano 135 d.C.) e Irineu (cerca do ano 180 d.C.),
citaram verbalmente este livro, atribuindo-o a João, um apóstolo de Cristo.
Dado que sua linguagem é tão diferente do evangelho segundo São João, alguns
intérpretes da Bíblia, pensam que não foi escrito pela mesma pessoa. Contudo, o
pensamento conservador atribui a João, filho de Zebedeu, a escritura deste
livro, por volta do ano 95 d.C., durante o governo de Domiciano.
Merrill
C. Tenney Doutor em Filosofia e Letras
ATOS DOS
APÓSTOLOS
Em
Atos 1:8 o Cristo ressurreto declara o propósito do batismo no Espírito Santo:
"Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e
ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até
aos confins da terra". Em virtude de sua localização e ênfase, este
versículo parece designar com clareza o objetivo do livro de Atos dos
Apóstolos. O livro constitui a principal história do estabelecimento e da
extensão da igreja entre judeus e gentios, mediante a gradual localização de
centros de influência em pontos destacados do Império Romano, desde Jerusalém
até Roma. Além disso, Lucas organiza este material histórico de tal maneira que
o progresso do evangelho é de imediato evidente. Trata-se de uma história
grafica, cujo objetivo não é apenas narrar, mas edificar. Portanto, podemos
considerar os Atos dos Apóstolos como um sermão de caráter histórico acerca do
poder cristão: sua fonte e seus efeitos. Sua fonte é o batismo pentecostal com
o Espírito Santo, e o efeito é o poder de dar testemunho perante o mundo. Esse
testemunho é apresentado como resumo no sermão pentecostal de Pedro dirigido
aos membros da dispersão congregados em Jerusalém, e em pormenores progressivas
através do restante do livro.
AUTOR
A
opinião quase universalmente aceita é que o evangelho segundo Lucas e os Atos
têm um autor comum. O autor dos Atos dos Apóstolos começa fazendo referência ao
"primeiro tratado" que se interpreta como a primeira prestação ou
entrega do mesmo volume histórico, dirigido a Teófilo, a mesma pessoa. Existem,
pelo menos três argumentos que confirmam a paternidade literária de Lucas:
Primeiro, existe a evidência do uso da primeira pessoa plural nas seções
l6:10-17; 20:5-15; 21:1-18; 27:1-28:16, sugerindo que o autor era testemunha
ocular, como o foi Lucas. Segundo: há provas de que o escritor era médico. E,
terceiro, uma ampla e convincente tradição apóia a paternidade literária de
Lucas.
Aparentemente,
o livro de Atos dos Apóstolos foi escrito em derredor da época do primeiro
encarceramento de Paulo, com cujo relato termina o livro.
John
H. Gerstner, Doutor em Filosofia e Letras
COLOSSENSES
Os
colossenses dispensavam exagerada atenção a observância de ritos e cerimônias,
e também se davam a alguma forma de adoração de anjos. Estavam, pois,
contaminados por uma heresia que aparentemente contava com elementos tanto
judeus como gnósticos. Paulo ocupa-se do problema ao apresentar-lhes o Cristo
incomparável. Em uma notável passagem, o apóstolo fala do que o Senhor Jesus
Cristo realizou na redenção e reconciliação, e também se refere à preeminência
do Senhor. Cristo é a imagem do Deus invisível. Por ele todas as coisas foram
criadas. Ele é a cabeça da igreja. Assim, o apóstolo Paulo apresenta-lhes o Cristo
que ele prega. Em virtude da excelência de Cristo e de que ele lhes comprou a
salvação, Paulo pode rogar-lhes que se abstenham das sutilezas em que viviam.
Estabelece um contraste entre a nova vida em Cristo e sua antiga forma
pecaminosa de viver, e insta-os a praticar as virtudes cristãs. Visto que são
crentes, devem pautar todas as suas relações segundo a fé cristã. De maneira
que fala das relações que devem existir entre marido e mulher, filhos e pais,
escravos e senhores. Lembra-lhes que o crente deve comportar-se sabiamente
perante os incrédulos. A carta termina com uma série de saudações.
AUTOR
A
carta afirma ser escrita por Paulo (1:1). Tem o estilo de Paulo e expressa as
idéias do apóstolo. Foi escrita da prisão (4:18), que, segundo muitos, foi o
encarceramento em Roma, na fase final de sua vida.
Leon
Morris Doutor em Filosofia e Letras
I CORÍNTIOS
A
primeira epístola aos Coríntios não é apenas uma carta na qual o apóstolo Paulo
ministra conselhos e instrução sobre assuntos de importância da fé e do
comportamento cristão; também jorra luz reveladora sobre determinados problemas
com os quais se defronta uma jovem igreja não muito depois de sua inauguração,
na metade do primeiro século de nossa era. O apóstolo Paulo havia levado a
mensagem de Cristo à cidade de Corinto quando realizou sua segunda viagem
missionária. Esta cidade constituia um tremendo desafio ao evangelho já por
tratar-se de um grande centro cosmopolita de comércio do mundo antigo, já por
ser reconhecido centro de libertinagem e desregramentos. Se a mensagem da cruz
tinha poder para transformar a vida de homens e mulheres de tal ambiente, então
essa mensagem era realmente poderosa. E foi precisamente isto que ocorreu. Além
do mais, os membros desta jovem igreja desfrutavam de uma variedade de dons
espirituais, e esse fato constituía confirmação tanto para eles como para o
mundo, de que Deus se achava presente manifestando-se poderosamente em seu
meio.
Todavia,
não transcorreu muito tempo sem que surgissem entre os crentes graves erros de
doutrina e de conduta; tais erros ameaçavam a vida mesma daquela coletividade
cristã. A primeira carta aos Coríntios destina-se à correção desses erros. Em
primeiro lugar, haviam surgido deploráveis divisões na igreja; essas divisões
se haviam transformado em partidos hostís, que abalavam os próprios alicerces
da unidade que deve vincular todos quantos se dizem irmãos
O
apóstolo Paulo oferece também instrução sobre outras questões que os coríntios
haviam mencionando em carta que le enviaram. Tais questões podem ser assim
resumidas: Era aconselhável ao crente casar-se? Deve o marido ou a esposa,
depois de converter-se, continuar vivendo com um cônjuge inconverso? Qual devia
ser a atitude do crente quanto ao comer carne que anteriormente havia sido
oferecida em sacrifício a idolos? Devia a mulher cobrir a cabeça quando assistia
ao culto público? Qual o significado da variedade de dons espirituais? Que
medidas deveriam ser tomadas com respeito à coleta de fundos para socorro aos
crentes pobres de Jerusalém?
Seria
erro imaginar que o conteúdo desta epístola se aplica somente a esta situação
particular da igreja do primeiro século em Corinto, porque, muito embora as
circunstâncias e a forma externa dos problemas da igreja variem de época para
época, em sua essência continuam sendo os mesmos, e os princípios aqui lançados
pelo apóstolo são aplicáveis a nosso tempo e situação, com tanta eficácia como
o foram naquele tempo.
AUTOR
A
evidência interna e a externa mostam que o apóstolo Paulo foi o autor desta
epístola. Não é possível fixar com certeza a data em que foi escrita, mas
provavelmente o foi na primavera do ano 55, 56 ou 57. Naquele tempo o apóstolo
encontrava-se em Éfeso, durante o correr de sua terceira viagem missionária.
Philip
E. Hughes Doutor em Literatura
II CORÍNTIOS
Nenhum
esboço breve pode proporcionar idéia da riqueza e simpatia desta extraordinária
epístola. O principal motivo que inspira Paulo a escrevê-la é o de reivindicar
sua autoridade apostólica, especialmente quando a igreja de Corinto tinha sido
invadida por falsos apóstolos que procuravam minar sua autoridade e
desencaminhar os crentes do evangelho que haviam recebido por seu intermédio.
Escreve, contudo, não com caráter autoritário, mas antes como pai espiritual
dos crentes de Corinto, aos quais ele ama e quer que respondam com
reciprocidade ao seu amor e permaneçam fiéis as verdades que ele lhes
comunicou. A situação em Corinto chegou a tal ponto que Paulo se vê na
obrigação de falar por si mesmo. Conquanto apele para o conhecimento pessoal e
íntimo que o povo tinha dele e de seu caráter, e lhes lembre os profundos
sofrimentos e as vicissitudes porque passou a fim de comunicar-lhes a mensagem
da salvação, ele o faz com humildade e sinceridade transparente, e por certo
com relutância. Em toda a epístola, a dignidade, a devoção, a fé serena e a apaixonada
consagração do apóstolo Paulo se destacam com um intenso resplendor que abranda
o coração de todos, com exceção de alguns obcecados e indiferentes.
Apresenta-se a si mesmo perante seus leitores como aquele que em sua própria
pessoa é fraco e indigno, mas que, por meio dessa fraqueza, a graça e o poder
do Deus Todo-Poderoso são magnificados. Em contraste com a auto-estima e
interesses pessoais dos falsos apóstolos, contrapõe-se a abnegação de Paulo:
tudo é de Deus e para a glória de Deus. O traço marcante em toda a epístola é o
da segurança divina: "E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu
poder se aperfeiçoa na fraqueza" (12:9). Esta nova descoberta desta
epístola em nossos dias, com sua doutrina de reconciliação em Cristo e seu tema
de glória mediante o sofrimento, significaria uma renovação da visão e
vitalidade do povo de Deus, e por este meio, uma bênção às multidões que vivem
ainda em trevas espirituais.
AUTOR
Não
existem dúvidas razoáveis e respeito da paternidade literária de Paulo no que
se refere a esta epístola. A segunda epístola aos Coríntios foi escrita no
mesmo ano em que o foi a primeira, provavelmente seis meses depois.
Philip
E. Hughes Doutor em Literatura
DANIEL
O
livro de Daniel jamais deixou de despertar interesse e de provocar controvérsia
nos círculos teológicos. Ao mesmo tempo, cativa os leitores com relatos de
heroísmo em tempos de grande perigo e tem servido de consolo a multidão de
fiéis seguidores de Deus quando lêem comoventes narrativas de sua presença e bênção.
Os
primeiros capítulos de Daniel narram certas experiências dos jovens judeus -
Daniel e seus três companheiros - que fazem parte dos cativos judeus na
Babilônia no século sexto antes de Cristo. A recusa de serem atraídos pelo
mundo pagão em que viviam e os perigos que os ameaçavam por causa de sua
fidelidade constituem a essência do drama. Seus livramentos - Daniel da cova
dos leões, e Sadraque, Mesaque e Abdnego da fornálha ardente - demonstram o
poder e o amor de Deus. Nabucodonosor, orgulhoso e seguro de sua conduta
despótica, é humilhado até que reconheça que a providência de Deus governa
inclusive a vida do rei. O drama da escritura na parede fez que esta frase seja
parte proverbial de nosso idioma hoje. O terrível pecado da arrogância diante de
Deus, do qual Belsazar se fez culpado, traz com certeza a derrota e a morte. As
seções narrativas do livro, entre as mais famosas da literatura, mantêm nosso
interesse não somente pelo drama, mas também por sua vigência toda vez que o
materialismo e o paganismo ameaçam envolver os filhos de Deus.
As
visões que o livro de Daniel proporciona, quer sejam dadas a governantes pagãos
ou ao próprio Daniel, são consideradas por sinceros estudiosos da Bíblia como
uma visão prévia do mundo através da história até aos últimos dias. As
profecias relativas aos quatro reinos e ao quinto grande reino, o reino de
Deus, constituem um quadro da marcha do império. Os quatro reinos formaram-se
de acordo com a profecia; o quinto reino espera seu cumprimento por ocasião da
segunda vinda de nosso Senhor.
Os
grandes temas da profecia de Daniel são assunto de vital solicitude para a
igreja na atualidade: a apostasia do povo de Deus, a revelação do homem de
iniquidade, a tribulação, a segunda vinda, o milênio e o dia de juízo. Ao abir
o livro de Daniel, vemo-nos às voltas com uma interpretação da história que não
somente se cumpriu em grande parte, mas que se cumprirá totalmente. Esta
certeza é que faz que o livro de Daniel seja de vital e significativa
importância na presente época.
AUTOR
No
terreno histórico, tanto o Judaísmo como o Cristianismo têm incorporado o livro
de Daniel no cânon, considerando-o obra autêntica do período acerca do qual
afirma falar, isto é, do sexto século antes de Cristo, escrito por Daniel. Não
existe base científica de nenhuma natureza que justifique afastar-se da aceita
tradição judaico-cristã, no sentido de que o livro foi escrito no século VI
a.C., por Daniel.
G.
Douglas Young Doutor em Filosofia e Letras>
DEUTERONÔMIO
O
nome do livro de Deuteronômio, ou "segunda lei", sugere sua natureza
e propósito. Figura, segundo consta
Através
deste livro, os acontecimentos estão repletos de significado. Moisés
proporciona-nos bastante história; mas em quase todos os casos relaciona os
acontecimentos com a lição espiritual que sublinham. Toma a legislação que Deus
dera a Israel havia quase 40 anos, e adapta-se às condições de vida da
coletividade na terra para a qual Israel se mudaria em breve.
Quando
este livro foi escrito, a nação de Israel se encontrava na terra de Moabe, ao
leste do rio Jordão e do mar Morto. Numa oportunidade anterior, Israel havia
falhado, por falta de fé, ao não entrar na Palestina. Agora, 38 anos depois,
Moisés reúne o povo escolhido e procura infundir-lhe fé que capacitará a
avançar
O
livro abrange toda uma gama de perguntas que surgem desta nova fase da vida de
Israel. Sua atitude para com o Senhor é, naturalmente, o principal problema.
Moisés, com toda a diligência de que é capaz, convida Israel a confiar de todo
o coração no Senhor, e a fazer das leis divinas a força diretriz de suas vidas.
Esta lei, se obedecida, infundirá vida e fará que os israelitas sejam povo
destacado entre todas as nações. Receberão bênçãos, e as nações reconhecerão
que seu Deus é Senhor. Porém, se Israel imitar a conduta das nações vizinhas,
esquecendo-se de seu Deus, então sobrevirá a aflição, e finalmente será
espalhada entre os povos.
Através
do livro todo acentua-se a fé somada a obediência. Em um sentido verdadeiro,
esta é a chave do livro.
AUTOR
Nas
páginas do livro de Deuteronômio se declara que Moisés é o autor dos discursos
que abrangem a maior parte da obra. É evidente que a narrativa de sua morte,
que consta do final do livro, foi escrita por outro autor, mui provavelmente
Josué. Daí que é inteiramente apropriado referir-se a Deuteronômio como o
quinto livro de Moisés.
Harold
B. Kuhn Doutor em Filosofia e Letras
ECLESIASTES OU
PREGADOR
Quem
é Eclesiastes? A palavra significa "homem de assembléia", podendo ser
o homem que convoca uma assembléia religiosa (Números 10:7), ou aquele que é
seu porta-voz ou pregador. Nosso porta-voz não é um sacerdote que fizesse uso
da lei, nem um profeta que fizesse uso da palavra, mas um sábio que fazia uso
do conselho (Jeremias 18:18), grande parte de cuja obra se assemelha ao livro dos
Provérbios.
De
1:1 se deduz geralmente que se trata de Salomão, o primeiro dos sábios de
Israel (12:9, 11; também I Reis 3:12; 4:29-34); pelo menos, pensava-se que
parte do livro refletia as experiências do Sábio.
Entretanto,
poderíamos perguntar se Salomão, o terceiro rei de Israel, empregou alguma vez
em sua história o tempo gramatical pretérito para dizer: "Fui rei sobre
Israel em Jerusalem" (1:12). Teríamos confessado, como ele o fez, que a
sabedoria "ainda estava longe de mim"(7:23)? Quando este pregador
escreveu? Evidentemente, quando a nação de Israel vivia angustiada sob o jugo
do opressor (possivelmente a Pérsia, entre os anos 444 e
A
quem se dirige o livro? Embora escrito em hebraico, os traços distintivos de
Israel são poucos. Nunca se emprega o nome de Deus associado com o concerto ou
aliança; Israel é mencionado uma única vez. O autor fala aos filhos dos homens,
e por fim à humanidade toda. Apontado para a estultícia natural do homem e sua
ignorância, prepara o caminho para a sabedoria e para a luz do evangelho.
Por
que este livro consta do cânon? Os rabinos punham em dúvida a consequência do
escritor, porém o livro já figurava
W.
Gordon Brown Bacharel em Teologia
EFÉSIOS
A
epístola aos Efésios apresenta, de modo geral, doutrina na primeira metade e
exortação na segunda; contudo, esta divisão não é absoluta. O discurso
doutrinal é ocasionado pela situação prática, e as exortações se acham
adornadas com formosas verdades.
O
louvor inicial é de regozijo pelo plano de Deus para os crentes, mediante a
redenção efetuada por Jesus Cristo e pela obra do Espírito Santo. Fazendo uma
pausa para pronunciar duas orações (1:15-23 e 3:14-19), o apóstolo Paulo
explica com minúcias as inferências e significados da redenção no que se refere
a estar livre do pecado, à nova vida de vitória, e ao mistério da unidade de
todos os crentes e sua união com Cristo.
Na
segunda metade apresentam-se inferências de caráter ético segundo a unidade
cristã, o novo andar, o amor, a humildade, as relações humanas construtivas, e
a luta vitoriosa contra o mal, mediante a completa dependência das realidades
espirituais.
AUTOR
Sem
dúvida alguma, o apóstolo Paulo é o autor desta epístola. Nenhum dos antigos
intérpretes da Bíblia parece discordar desta opinião. Conquanto a epístola
tenha sido escrita também com a intenção de que circulasse entre outras igrejas
da Ásia, não resta dúvida de que o autor tinha em mente, ao escrevê-la, a
igreja que ele fundara na grande metrópole de Éfeso. As provas indicam que
tanto o manuscrito como a doutrina nos ministram que a epístola esteve
relacionada com a igreja de Éfeso desde época antiqüíssima. Parece que o
apóstolo escreveu essa carta quando estava encarcerado em Roma, quase ao mesmo
tempo em que escreveu as epístolas a Filemon e aos Colossenses, e que foi
enviada por meio do mesmo amigo. Tíquico, que o estivera visitando (ano 62 ou
63 d.C.).
Wilber
T. Dayton Doutor em Teologia
ÊXODO
Assim como Gênesis é o livro dos começos, Êxodo é o livro
da redenção. O livramento dos israelitas oprimidos do Egito é tipo de toda a
redenção. (I Coríntios 10:11). A severidade da escravidão no Egito (tipo do
mundo) e Faraó (um tipo de Satanás) Exigiam por assim dizer, a preparação do
libertador Moisés (2:1-4:31), um tipo de Cristo. A luta com o opressor
(5:1-11:10) culmina com a partida (grego, êxodo ou saída) dos hebreus do Egito.
São remidos pelo sangue do cordeiro pascoal (12:1-28) e pelo poder de Deus
manifestado na travessia do mar Vermelho (13:1-14:31). A experiência da
redenção, festejada mediante o cântico triunfal dos redimidos (15:1-21), é
seguida pela prova que têm de enfrentar no deserto (15:22-18:27). No monte
Sinai a nação redimida aceita a lei (19:1-31:18). O não depender da graça
conduz a infração e à condenação (32:1-34:35). Contudo, triunfa a graça de Deus
ao ser dado ao povo o tabernáculo, o sacerdócio e os sacrifícios, mediante os
quais o povo redimido podia adorar o Redentor e ter comunhão com ele
(36:1-40:38).
AUTOR
Embora o
livro de Êxodo não declare em nenhum lugar que Moisés fosse seu autor in toto,
toda a lei abrangida pelo Pentatêuco, que compreende principalmente a parte que
se estende desde Êxodo 20 e atravessa o livro de Deuteronômio, declara mediante
termos positivos e explícitos seu caráter mosáico. Afirma-se que Moisés é o
escritor do livro do pacto (capítulos
Merrill F.
Unger Doutor em Filosofia e Letras
![]()
![]()
EZEQUIEL
O Livro de
Ezequiel relata a atividade de um profeta durante o exílio na Babilônia. O
profeta dirige suas mensagens a seus compatriotas cativos e também ao povo
hebreu que ainda reside na Palestina. Ambos os grupos permaneceram obstinados e
impenitentes, mesmo depois da captura de Jerusalém levada a cabo pelo rei
babilônio Nabucodonosor, e do exílio de Joaquim, rei de Judá, juntamente com
uma considerável parte da população no ano de
A forma
pela qual o livro de Ezequiel apresenta esta mensagem de juízo e de promessa
distingue-o dos outros livros proféticos do Antigo Testamento. A organização
sistemática do conteúdo constitui seu primeiro traço característico. Os
primeiros vinte e quatro capítulos representam a acusação e condenação de
Israel, com aterradora conseqüencia. Esta perspectiva de juízo, minorada
somente por lampejos incidentais de luz, fica compensada na última parte
(capítulos
Outro traço
característico do livro de Ezequiel é a forma pela qual expressa não somente a
ameaça mas também a promessa. O livro é abundante em visões misteriosas,
alegorias ousadas e estranhos atos simbólicos. Estas formas de revelação divina
ocorrem aqui com maior freqüencia do que em qualquer outro livro profético, e
se acham representadas por uma riqueza de pormenores descritivos. As visões em
particular são bizarras, de forma quase grotesca, e portanto de interpretação dificil.
Todavia, o
significado fundamental do livro de Ezequiel não escapará ao leitor se levar em
conta que a glória de Deus e suas ações de juízo e salvação se acham
apresentadas em linguagem e forma simbólicas. Aquilo que Ezequiel vê em visões,
que descreve em alegorias e põe em prática numa forma que se assemelha a
charadas, tem por objetivo contribuir para a certeza de que Deus leva avante
seu plano de salvação para todos os homens aos quais ele havia iniciado neste
pacto com Israel séculos antes. Purificado pelos juízos de Deus no exílio
babilônio, o povo de Israel se tornaria de novo o veículo das promessas que se
cumprirão no novo pacto e no final dos tempos. Tudo isto Ezequiel vê em
perspectiva profética, na qual se sobrepõem no mesmo quadro relativo ao reino
de Deus futuro e permanente algumas cenas de um futuro imediato e de um futuro
distante.
A pessoa de
Ezequiel se acha tão imersa na mensagem, que além de seu nome, pouco sabemos
com referência a ele. Somente dois fatos de caráter biográfico podem deduzir-se
do livro: que era filho de Buzi, o sacerdote, e, diferentemente de seu
contemporâneo Jeremias. Ezequiel era casado, mas "o desejo dos teus
olhos" lhe foi tirado de um golpe, enquanto realizava sua missão por ordem
de Deus.
Ezequiel
tem sido considerado, com freqüencia, uma pessoa severa, insensível. Tem-se
dito que é impessoal, indiferente a seus ouvintes, e só lhe preocupa a
vindicação da glória de Deus, mesmo na proclamação da misericórdia. Conquanto
seus sentimentos não aflorem à superficie, como no caso de Jeremias, a
afirmativa de que ele não é compassivo equivialeria a ir além das evidências.
Nem tampouco podem os críticos radicais justificar suas teorias que afirmam que
o profeta sofria de ataques catalépticos e de paranóia esquizofrênica. Os atos
simbólicos que ele executa e as visões que recebe não são, em essência,
diferentes dos que os outros profetas registram.
Ezequiel
foi levado para a Babilônia no ano de
Walter B.
Roehrs Doutor em Filosofia e Letras
![]()
FILEMON
Depois da
saudação e da ação de graças a Deus pela fé e pelo amor de Filemon, e da oração
para que continue crescendo na graça, o apóstolo Paulo ventila o tema central
da carta. Onésimo, escravo que pertencia a Filemon, fugira da casa de seu
senhor em Colossos, aparentemente depois de haver cometido um furto. Chegou ã
metrópole de Roma onde entrou em contacto com Paulo e converteu-se a Cristo sob
a influência e ministério do apóstolo. E então quando Paulo o envia de volta a
seu dono legal, com esta carta pessoal de recomendação a seu favor, para ser
entregue a Filemon. Roga a Filemon que receba de volta o arrependido (e também
convertido) escravo, com boa vontade; que lhe perdoe e o reabilite, já que não
continuaria sendo escravo para ele, mas "irmão amado". O apóstolo
mesmo reembolsaria a Filemon qualquer perda que Onésimo lhe houvesse causado, e
esperava que aquele procedesse segundo as circunstâncias do amor e do dever
cristãos. O relato em sua totalidade nos oferece uma impressionante analogia da
história da redenção, narrada no evangelho.
Em três
ocasiões o autor desta epístola identifica-se como Paulo (vers. 1, 9, 19), e a
carta está, além disso, relacionada com aquela que o apóstolo dirigiu aos
colossenses (Colossenses 4:10-17); Filemon 2, 23, 24). Sua autenticidade é
geralmente aceita. A carta foi, com toda probalidade, escrita ao final da
primeira prisão de Paulo em Roma, mais provavelmente nos anos 61 ou 62 d.C.
Jacobus J.
Muller Doutor em Teologia
![]()
FILIPENSES
Esta é uma
das cartas mais pessoais do apóstolo Paulo. Basta que observemos a freqüência
da construção verbal da primeira pessoa do singular. O apóstolo escrevia a um
grupo de amigos aos quais amava profundamente. Esta carta não se presta com
facilidade a um esboço sistemático. Nela destaca-se com caracteres nítidos a
solicitude de Paulo por estes crentes. Escreve-lhes, não tanto como o apóstolo
fundador da igreja em Filipos, mas como seu pai
A nota
dominante desta breve epístola é a alegria. E esta nota se faz mais notável
ainda se levarmos em conta o fato de que Paulo a escrevia da prisão. As
circunstâncias imediatas que rodeiam o crente não devem constituir-se em
fatores que determinem sua atitude com respeito à vida em geral.
As notas
gêmeas de humildade e solicitude pelos outros também são muito evidentes. Em
vista do que Cristo realizou, não há lugar para a soberba no coração do filho
de Deus. Em virtude do profundo exemplo lançado por Cristo, seus seguidores
jamais devem adotar conduta egoísta.
Esta carta
contém muito pouca teologia no sentido habitual que se dá a este termo.
Contudo, uma exceção digna de nota é a grande passagem sobre a humilhação e
exaltação de Cristo (2:5-11). Igualmente, a carta proporciona pouquíssimas
instruções sobre ética. A carta contém advertências diretas e breves acerca dos
que haviam causado ao apóstolo tantas dificuldades em outros lugares (3:2),
porém não se refuta o erro teológico, nem se censuram com vigor as faltas
dentro da igreja.
Presentemente,
a opinião quase universalmente aceita é a de que Paulo foi quem escreveu esta
epístola. Foi escrita da prisão, porém não se menciona o lugar onde estava dita
prisão. Três localidades têm sido sugeridas: Roma, Cesaréia e Éfeso.
Tradicionalmente, acredita-se que foi em Roma que o apóstolo a escreveu. Se
situarmos a escritura desta carta próxima do encarceramento do apóstolo, a data
seria por volta do ano 62 d.C.
Ralph A.
Gwinn Doutor em Filosofia e Letras
![]()
![]()
GÁLATAS
O apóstolo
Paulo escreveu esta carta aos gálatas convertidos em alguma época situada entre
os anos
Paulo
sustenta que os crentes, tanto judeus como gentios, desfrutam de completa
salvação
O argumento
de Paulo demonstra que todas as versões legalistas do evangelho são corrupções
deste, e que o gozo da liberdade cristã depende de ver que a salvação é somente
pela graça, unicamente mediante Jesus Cristo, recebida exclusivamente pela fé.
James I.
Packer Doutor em Filosofia e Letras
![]()
![]()
GÊNESIS
Gênesis
pode ser descrito com exatidão como o livro dos inícios. Pode ser dividido em
duas porções principais. A primeira parte diz respeito à história da humanidade
primitiva (caps. 1-11). A segunda parte trata da história do povo específico
que Deus escolheu como o Seu próprio (caps.12-50), para si. O autor apresenta o
material de forma extremamente simples. Oferece dez "histórias que podem
ser prontamente percebidas segundo o esboço do livro. Algumas dessas histórias
são breves e muito condensadas, mas, não obstante, ajudam a completar o
conteúdo. É bem possível que o autor do livro tenha empregado fontes
informativas, orais e escritas, pois seus relatos remontam à história mais
primitiva da raça humana. Embora muito se tenha escrito sobre o assunto das
possíveis fontes literárias do livro de Gênesis, há muitas objeções válidas que
nos impedem de aceitar os resultados da análise destas "fontes".
O livro de
Gênesis salienta, por todas as suas páginas, a desmerecida graça de Deus. Por
ocasião da criação do munto, a graça se exibe na maravilhosa provisão preparada
por Deus para as Suas Criaturas. Na criação do homem, a graça de Deus se
manifesta no fato que ao homem foi concedida até mesmo a semelhança com Deus. A
Graça de Deus se evidencia até mesmo no dilúvio. Abraão foi escolhido, não por
merecimento, mas antes, devido ao fato de Deus ser cheio de graça. Em todos os
seus contatos com os patriarcas. Deus exibe grande misericórdia: sempre recebem
muito mais favor do que qualquer deles poderia ter merecido.
Há uma
outra importante característica do livro de Gênesis que não se pode esquecer, a
saber, o modo eminentemente satisfatório pelo qual responde nossas perguntas
sobre as origens. O homem sempre haverá de querer saber como o mundo veio à existência.
Além disso, sente bem dolorosamente o fato de que alguma grande desosordem caiu
sobre o mundo, e gostaria de saber qual a sua natureza; em suma, preocupa-se em
saber como o pecado e todas as suas tremendas consequências sobrevieram. E,
finalmente, o homem precisa saber se existe alguma esperança básica e certa de
redenção para este mundo e seus habitantes de que consiste essa esperança, e
como veio a ser posse do homem.
AUTOR
Ninguém
pode afirmar com absoluta certeza que sabe quem escreveu o livro de Gênesis.
Visto que Gênesis é o alicerce necessário para os escritos de Êxodo a
Deuteronômio, e visto que a evidência disponível indica que Moisés escreveu
esses quatro livros, é provável que Moisés tenha sido o autor do próprio livro
de Gênesis. A evidência apresentada pelo Novo Testamento contribui para essa
posição (cfe. especialmente João 5:46-47); Lucas 16:31; 24:44). Na tradição da
Igreja, o livro de Gênesis tem sido comumente designado como Primeiro Livro de
Moisés. Nenhuma evidência em contrário tem sido capaz de invalidar essa
tradição.
Traduzido por João Bentes, da
Holman Study Bible, publicada pela A. J. Holman Co. de Philadelphia, Pa (EUA),
cfe. A Bíblia Vida Nova, S.R. Edições Vida Nova, São Paulo, Brasil, 1980.
![]()
![]()
HEBREUS
Conquanto
Deus tenha falado aos pais pelos profetas, agora falou por intermédio de seu
Filho. O prólogo afirma o caráter distintivo do Filho. Ele é antes da história,
está na história, é superior à história, é a meta da história. Compartilha a
essência da Deidade e irradia a glória da Deidade. Ele é a suprema revelação de
Deus (1:1-3).
A passagem
seguinte (1:4-14) declara de forma inequívoca a preeminência de Cristo. Ele é
superior aos anjos. Estes ajudam os que serão herdeiros da salvação. Cristo, em
virtude de sua identidade, de sua nomeação divina e do que realizou, ergue-se
por cima deles. Quão trágico é descuidar a grande salvação que ele proclama.
Ele cumprirá a promessa feita ao homem de que todas as coisas estarão
harmoniosamente sujeitas ao homem. Pode fazê-lo, porque é verdadeiro homem e
realizou a expiação pelos pecados. É superior a Moisés. Moisés era servo entre
o povo de Deus. Cristo é um Filho que está sobre o povo de Deus. Quão trágico é
deixar de confiar nele! Por causa da incredulidade, uma geração toda de
israelitas não entrou na terra de Canaã. Os crentes são advertidos contra tal
incredulidade. Acentua-se tanto a fé como o fervor para se entrar no eterno
descanso de Deus. O evangelho de Deus e o próprio Deus esquadrinham o homem.
O
saderdócio de Cristo é também desenvolvido por comparação (4:14 - 10:18). Os
requisitos, as condições e as experiências do sacerdócio arônico se enumeram em
comparação com Cristo como sacerdorte. Antes de desenvolver com maior amplitude
este assunto, o escritor adverte os leitores sobre sua falta de preparação para
um ensino mais avançado. Somente a sincera diligência nas coisas de Deus os
tirará da imaturidade. Cristo, como sacerdote, à semelhança de Melquizedeque, é
superior ao sacerdócio levítico, uma vez que sua vida é indestrutível; foi a um
tempo sacerdote e sacrifício; seu sacerdócio é eterno. Seu santuário está no
céu e seu sangue estabelece a validez do novo concerto que é igualmente eterno.
A
perseverança dos crentes nasce da comunhão com Deus, da atividade em favor de
Deus, da fé nele e da consciência do que o espera (10:19 - 12:29).
A cruz como
altar cristão e a ressurreição do Grande Pastor são as bases para a ação
divina. Estes acontecimentos históricos e redentores estimulam o crente à ação
(13:1-25).
AUTOR
Não se
menciona o nome do autor. Com exceção da epístola aos Hebreus e da primeira
epístola de João, todas as demais epístolas do Novo Testamento designam seu
autor, seja pelo nome, seja pelo título.
Desde o
primeiro século, o problema da autoria da epístola aos Hebreus tem causado
muita discussão. Várias são as respostas dadas pelos crentes da igreja
primitiva. Na margem oriental do mar Mediterrâneo e perto de Alexandria
atribui-se o livro a Paulo. Orígenes (anos 185-254 d.C.) considerava que os
pensamentos do livro eram de Paulo, mas a linguagem e a composição pertencial a
outrem. No norte da África, Tertuliano (155-225 d.C.) sustentava que Barnabé
escreveu a epístola aos Hebreus. Embora a carta tenha sido conhecida primeiro
em Roma e no Ocidente (I de Clemente, datada ao redor do ano 95 d.C. cita
Hebreus com freqüência), a opinião unânime nesta região durante 200 anos foi
que Paulo não escreveu a epístola aos Hebreus. Estes crentes da igreja
primitiva não disseram quem, a seu ver, havia escrito a epístola. Simplesmente
não o sabiam.
Em nossos
dias os crentes não devem ser dogmáticos acerca de um assunto mantido em dúvida
durante tanto tempo. Todavia, os estudiosos das Sagradas Escrituras devem
estudar o livro de Hebreus. Um cuidadoso exame do texto grego diz-nos muitas
coisas sobre o autor. O livro está escrito num grego brilhante, da pena de um
escritor eloqüente. Não se parece, pois, com o estilo de Paulo. Com freqüência,
o apóstolo Paulo segue o fio de um novo pensamento antes de haver finalizado o
anterior. O escritor da epístola aos Hebreus nunca segue esse processo. O
vocabulário, as figuras de dicção e de pensamento apontam a influência
alexandrina e filônica (Filo,
Não sendo
Paulo o autor, quem será? Apolo parece preencher as condições que se encontram
no livro. Vinha de Alexandria. Era homem eloqüente e instruído. Era poderoso
nas Escrituras Sagradas. As seguintes passagens do Novo Testamento falam-nos de
Apolo: Atos 18:24-28; 19:1; I Coríntios 1:12, 3:4-6, 22; 4:6; 16:12; Tito 3:13.
É provável que nunca venhamos a estar seguros do nome do autor; se, porém,
lermos a epístola com cuidado, chegaremos a conhecê-lo.
A data mais
aceita para a escritura desta epístola oscila entre os anos 68 e 70 d.C.
A. Berkeley
Mickelsen Doutor em Filosofia e Letras
![]()
![]()
![]()
![]()
I e II CRÔNICAS
Nas
Escrituras hebraicas, nossos dois livros das Crônicas formavam originalmente um
só. Os tradutores da Versão dos Setenta (cerca do ano
Parece
evidente que quando o cronista se propõe abranger o mesmo terreno que os livros
de Samuel e dos Reis, deseja apresentar os fatos segundo seu próprio ponto de
vista da história do povo de Deus, desde os dias de Samuel até ao cativeiro. A
nação necessitava de reconstruir-se sobre sólidos alicerces espirituais, visto
que o longo cativeiro havia produzido uma séria brecha no que respeita aos ideais
e tradições de seu próprio povo. Anteriormente, haviam pertencido a uma
teocracia, na qual se esperava que os dirigentes civis e religiosos honrassem e
obedecessem tanto à verdade divina como a lei.
Israel
estivera sob a monarquia persa, cujo rei era estrangeiro e pagão, nada sabia do
Deus de Israel. Só mediante uma vigorosa e estrita organização eclesiástica
pôde a nação manter a unidade religiosa. Quanto mais passavam os dias, tanto
mais se sentiam os judeus convencidos de que a prometida soberana davídica,
perpétua se prendia mais ao reino espiritual do que ao secular. Daí que se
escrevesse o livro das Crônicas. Não se tratava de uma hábil casta sacerdotal
que desejasse impor suas idéias contra os profetas, como costumavam declará-lo
os críticos liberais. Os que haviam regressado do cativeiro deviam compreender
sua própria relação com o povo de Deus.
Depois de
passar em revista a história do homem antes da época de Davi, o cronista nos
aponta o significado superior da promessa feita à linha genealógica de Davi,
especialmente com respeito ao futuro Messias. Acentua-se a atitude anterior dos
reis com referência a assuntos religiosos mais que seus empreendimentos civis.
Acentua-se a imensa importância do
templo, do
sacerdócio, dos ritos religiosos e da lei moral. Demonstra-se que quando os
reis desafiam a lei de Deus,são eles apanhados por inequívoco castigo, enquanto
os que honram as ordenanças divinas, esses prosperam. O livro das Crônicas é
acentuadamente didático, e insiste nas bênçãos recebidas por aqueles que vivem
uma vida religiosa autêntica. O livro deve ter causando efeito estimulante na
religião nacional. Ressalta somente as partes da história que exemplificam a
vida eclesiástica (que era agora a única esfera sagrada); por exemplo, a
história das dez tribos apóstatas é abondanada, visto como não conduz à
edificação espiritual.
AUTOR
Os livros
das Crônicas, de Esdras e de Neemias estão intimamente relacionados, e refletem
o mesmo espírito. Crônicas é o antecedente dos outros dois, e se ocupa dos
acontecimentos ocorridos depois do cativeiro. O Talmude, e a maior parte dos
escritores judeus, bem como os pais da igreja cristã, atribuem os livros das
Crônicas a Esdras. Os livros das Crônicas e de Esdras são semelhantes no que
respeita à linguagem e ponto de vista. Têm-se feito objeções no sentido de que
as Crônicas contêm relatos de acontecimentos posteriores à época de Esdras.
Poderíamos muito bem aceitar Esdras como o principal autor (ou compilador),
mesmo quando pudessem ter sido feitas algumas adições mais tarde. Muitos
exegetas conservadores não vêem necessidade de reconhecer tais acréscimos.
O livro das
Crônicas foi compilado de ricas fontes históricas que constavam de arquivos
anteriores, além de Samuel e de Reis. Um estudo cuidadoso do livro tem levado
muitos comentaristas dignos de crédito a fixar sua data entre os anos 430 e
Alexandre
M. Renwick Doutor em Divindade
![]()
![]()
I E II SAMUEL
Os livros
de Samuel relatam o período de transição da teocracia para a monarquia, e o
estabelecimento desta. A história começa nos dias finais dos juízes e nos deixa
com o velho Davi firmemente entronizado como rei de Israel e de Judá. Samuel e
Saul são os outros dois grandes personagens do livro.
Samuel foi
o último dos juízes e o primeiro dos profetas. Homem de profunda piedade e
dircenimento espiritual, dedicava-se totalmente à realização dos propósitos de
Deus para o bem de Israel. Embora não descendesse da linha genealógica de Arão,
sucedeu a Eli no cargo sacerdotal. Ao que parece, foi o primeiro a estabelecer
uma instituição para o preparo dos jovens que desejavam abraçar a vocação
profética. Viu-se na contingência de guiar a Israel em algumas das mais
profundas crises de sua história; no desempenho de suas funções quase alcança a
estatura de Moisés. Embora não tivesse ambições pessoais, achou-se no papel de
"fazedor de reis", comissionado para ungir a Saul, o primeiro rei, e
a Davi, o maior dos reis de Israel.
Saul, o
monarca, é um personagem enigmático. Era homem de extraordinária coragem,
contudo lhe faltava a perseverança, ingrediente essencial para a grandeza. A
inconstância de seu temperamente empanou todas as suas relações pessoais, e um
medo mórbido de que surgissem possíveis rivais embargou-lhe a mente e afetou
seu raciocínio. De origem humilde, foi chamado a desempenhar a função mais
elevaqda da nação. Finalmente, sem haver alcançado o êxito que lhe desse
direito de ser sepultado em um túmulo real, seus ossos foram devolvidos à sua
terra de origem.
Davi é um
dos grandes personagens da história bíblica. Como Saul, procedia de família
humilde, mas era dotado de atributos de ordem superior. Era homem com dotes de
comando, capaz de conseguir e manter a lealdade de seus subordinados. Alguns de
seus servos mais fiéis provinham de lugares situados fora de Judá e de Israel.
Itai, por exemplo, era oriundo de Gate. Davi era administrador prudente e podia
julgar com acerto a natureza humana. Sua capacidade de tomar decisões rápidas
fica bem demonstrada por sua solução do delicado problema que surgiu com
respeito a Melfibosete(II Samuel 19:24 e outros). Era poeta altamente
inspirados; suas canções de louvor enriqueceram a adoração, primeiro do templo,
e depois da igreja cristã. Pensaríamos que o elevar-se a tão grande altura e a
um custo tão alto lhe houvessem dado forças para vencer a tentação. Todavia,
seu poder de resistência não era maior do que o dos outros mortais. Mesmo
levando-se em consideração a época em que viveu, devemos admitir que apesar de
suas fraquezas, percebeu claramente os propósitos de Deus para seu povo, e
previu a vinda do Rei messiânico, a quem ele, em sua vida, representou de modo
imperfeito.
Os livros
de Samuel proporcionam-nos um capítulo indispensável nos anais do trato de Deus
com seu povo Israel, e sua preservação e preparação para seus duplos fins:
serem depositários dos oráculos de Deus e trazerem à luz, no seu devido tempo,
"o mais importante Filho do grande Davi".
AUTOR
Em nenhuma
parte se nos diz quem escreveu estes livros. A declaração constante de I
Crônicas 29:29 sugere-nos de modo vigoroso que Samuel escreveu de co-autoria
com Natã e Gade.
W. J.
Martin Doutor em Filosofia e Letras
![]()
![]()
I e II REIS
Em parte
alguma se diz com clareza qual o propósito destes livros. Porém, mesmo uma
leitura casual deixará bem claro que o escritor se propõe demonstrar que embora
Israel tivesse uma aliança com Deus, a maior parte de seus reis havia rejeitado
e ultrajado as obrigações inerentes a tal aliança.
Passa-se em
revista tanto os reis de Judá como os de Israel, e até onde possível, são
tratados segundo a época em que viviam. O valor de cada rei é determinado
mediante comparação com dois reis de épocas anteriores. O rei Davi que se manteve
bastante fiel à aliança, e o rei Jeroboão de Israel, que menosprezou, a
referida aliança.
A
comparação, feita desta forma, demonstra se um determinado rei "andou em
todo o caminho de Davi seu pai", ou andou em "todos os caminhos de
Jeroboão, filho de Nebate". É evidente que o escritor dos livros dos Reis
descobriu que sobre estas bases foram muito poucos os reis de Israel ou de Judá
que guardaram a aliança com Deus. Exceções notáveis são Asa (I Reis 15), Josafá
(I Reis 22), Ezequias (II Reis 18-20), e Josias (II Reis 22-23), e mesmo estes
tinham falhas.
Davi foi o
rei que mais se aproximou do ideal. Pouco antes de morrer, aconselha seu filho
Salomão a guardar os preceitos do Senhor (I Reis 2:3). Essa conduta é a única
esperança de prosperidade e paz. O afastamento desse caminho, dessa conduta,
equivalia a expor-se ao juízo divino.
A Lealdade
a aliança de Deus era requisito antigo
O escritor
remonta à história de Israel desde Salomão até ao último rei de Judá. De
maneira sincera, franca, narra a história triste da rejeição da aliança por
parte da maioria dos reis. O colapso final de Israel diante da Síria (II Reis
17) e o de Judá diante da Babilônia (II Reis 25), constituiam uma demonstração
da verdade do princípio que o livro sublinhava, e não constituiu surpresa
alguma para os homens de discernimento espiritual.
Em dias
prosteriores, os dois livros dos Reis passaram a ser uma advertência para o remanescente
do povo de Deus, proporcionando assim uma lição prática no sentido de que a
rejeição da aliança com Deus, um ato pecaminoso e rebelde, só pode provocar o
castigo divino.
AUTOR
Não se sabe
quem seja o autor dos livros dos Reis. Sabe-se que tinha acesso aos anais
escritos, tais como o "livro dos sucessos de Salomão"(I Reis 11:41),
o "livro das crônicas dos reis de Israel" (I Reis 14:19), e o
"livro das crônicas do rei de Judá" (I Reis 14:29), que eram
provavelmente documentos oficiais. Talvez tivesse acesso a outras fontes
anteriores, possivelmente compilados por alguns dos profetas.
O
compilador final deve ter vivido depois da queda de Judá no ano
Pelo
interesse que demonstra na aliança, podemos conjeturar que se tratava de um
profeta aproximadamente contemporâneo de Jeremias, e que escreveu na primeira
metade do século dezesseis antes de Jesus Cristo.
J. A.
Thompson Mestre em Teologia
![]()
![]()
ISAÍAS
Isaías é
merecidamente conhecido como o profeta evangélico, visto que nos proporciona a
mais ampla e clara exposição do evangelho de Jesus Cristo registrada no Antigo
Testamento. Semelhante, em determinados aspectos, à epístola aos Romanos no
Novo Testamento, Isaías serve de compêndio das grandes doutrinas da era
pré-cristã, e se ocupa de quase todos os pontos cardiais na escala da teologia.
Acentua de modo especial a doutrina de Deus, sua onipotência, sua onisciência e
seu amor redentor. Em confronto com os deuses imaginários dos adoradores pagãos
de ídolos, Deus se revela como o verdadeiro Deus, o Soberano Criador do
Universo, que ordena todos os acontecimentos da história de acordo com um
plano-mestre que ele próprio estabeleceu. Mediante a demonstração de sua autoridade
e inspiração de sua Palavra, cumpre maravilhosamente as predições pronunciadas
muito antes pelos profetas. Ele é o mantenedor da lei moral, que traz a juízo
todas as nações ímpias dos pagãos, inclusive as mais ricas e poderosas dentre
elas, e destina-se ao montão de cinzas da eternidade, ao passo que seu povo
escolhido vive para lhe glorificar o nome.
É, acima de
tudo, o Santo de Israel que Isaías apresenta como o Senhor que o inspirou a
profetizar. Em sua qualidade de Santo, exige acima das formalidades da adoração
mediante sacrifícios, o sacrifício vivo de uma vida piedosa. Para este fim,
apresenta as mais vigorosas persuasões dirigidas à consciência de seu povo,
tanto na forma de advertência e apelos proféticos, como nas ameaças de castigo
destinadas a levá-los ao arrependimento. Mas, na qualidade do Santo de Israel, apresenta-se como inalteradamente obrigado para com seu povo da
aliança, e o fiador fiel de suas misericordias promessas de perdoar-lhes,
quando se arrependerem, e libertá-los do poder do inimigo. Está preparado para
resgatá-los dos assaltos de seus arrogantes opressores gentios, e trazê-los, da
escravidão e do exílio, para a Terra Prometida.
Entretanto,
na análise final, até mesmo os crentes israelitas, instruídos nos ensinos do
Antigo Testamento e usufruindo de imcomparáveis privilégios de acesso a Deus,
demonstram ser inerentemente pecaminosos e incapazes de salvar-se a sí mesmo do
mal. Seu livramento final só pode provir do Salvador, do Messias divino e
humano. Este Emanuel, nascido de uma virgem, que é o próprio poderoso Rei,
estabelecera seu trono como rei de toda a terra, e porá em vigor as exigências
da santa lei de Deus, ao estabelecer a paz universal, a bondade e a verdade
sobre o mundo todo. Contudo, este Messias soberano obterá o triunfo somente
como Servo de Jeová, rejeitado e desprezado por seu próprio povo, oferecendo
seu corpo sagrado como expiação pelos pecados deles. Mediante o sofrimento e a
morte, libertará a alma não somente dos verdadeiros crentes de Israel como nação,
mas também de todos os gentios de terras distantes que abrirem o coração para
receberem a verdade. Tanto os judeus como os gentios formarão um rebanho de fé
e constituirão os súditos felizes de seu reino milenial, que está destinado a
estabelecer o governo de Deus e assegurar a paz de Deus sobre toda a terra.
AUTOR
Isaías,
filho de Amós, provinha, ao que parece, de uma rica e respeitável família de
Jerusalém, visto que não somente se registra o nome de seu pai, mas ainda
desfrutava de estreita relação com a família real e com os mais altos
funcionários do governo. Embora, talvez, tenha iniciado seu ministério
profético no final do reinado de Uzias, menciona o ano da morte deste rei,
provavelmente
![]()
![]()
JEREMIAS
O
prolongado ministério de Jeremias, que durou mais de quarenta anos, estendeu-se
desde o ano de
As angustiosas
circunstâncias sob as quais Jeremias trabalhava e a extraordinária extensão com
que a idolatria tomara o lugar da religião revelada em Judá manifestam-se com
clareza nas predições de Jeremias. Igualmente, a angústia espiritual de
Jeremias é causada por esta apostasia. Contudo, não era ele um homem
pessimista. Era, essencialmente, guerreiro de Deus, porém um guerreiro que
também exercia as funções de atalaia e testemunha. O primeiro capítulo descreve
o chamado de Jeremias para o mninistério profético. Os capítulos
Nos
oráculos de Jeremias, Deus, o Governante moral do mundo, é o Deus das alianças
de Israel. Por meio de Israel, procurou atingir fins morais. Em realidade, o
adultério, pelo assim dizer, do reino setentrional com os baalins obrigou Deus
a dar-lhe carta de divórcio, ou seja, mandá-lo para o exílio. Judá, o reino
meridional, não tirou proveito da experiência de Israel. Na verdade, superou a
Israel na prática de impurezas sexuais, a despeito de rejeitar as acusações de
infidelidade religiosa. Portanto, Deus teve de castigá-la.
O
arrependimento poderia ter suspenso o processo de divórcio (exílio), apesar de
seus adultérios, visto como a graça divina é imensa. Todavia, tão arraigada
estava a imoralidade em Judá que a nação não era capaz de corrigir-se
moralmente. Aos poucos foram desaparecendo as virtudes sociais. Nem os
sacrifícios nem os ritos poderam substituir o arrependimento e a justiça. A
espantosa pecaminosidade de Judá significava que o pecado devia ser congênito,
por conseguinte, não tinha capacidade moral. Esse pecado nascia de uma natureza
pacaminosa. O juízo e o exílio eram inevitáveis. Porém o exílio não era a
última palavra.
Voltaria um
remanescente para viver sob a administração messiânica, em um ambiente de
segurança religiosa e social. O governo justo do Messias sobre um povo reto
contribui para explicar a doutrina do novo concerto de Jeremias. As pessoas
seriam justas porque teriam o coração renovado. Obedeceriam às leis de Deus de
coração espontaneamente. A nova aliança, garantindo o perdão e uma dinâmica
espiritual interior, transcederia o legalismo da antiga aliança. Finalmente,
pelo sacrifício e morte de Cristo, e mediante a manifestação regeneradora
interior do Espírito Santo, a nova aliança se tornaria realidade.
AUTOR
Não se
observa princípio algum na organização das profecias de Jeremias. Os oráculos
sob os últimos cinco reis de Judá não seguem uma linha cronológica. A ordem dos
capítulos, no hebraico, difere da ordem da Versão dos Setenta (Septuaginta), e
nesta Versão se observam consideráveis omissões, conquanto de escassa
importância. Isto nos sugere uma revisão redatorial distinta. Jeremias ditou as
profecias e Baruque as escreveu (36:1-8, 32). O Novo Testamento contém
numerosas referências a Jeremias.
J. G. S. S.
Thomsom Doutor em Filosofia e Letras
![]()
![]()
JÓ
A
apresentação claramente visível do livro - prólogo, discurso e epílogo, além
dos ciclos dentro dos próprios discursos - demonstra-nos que se trata de uma
interpretação teológica de certos acontecimentos da vida de um homem chamado
Jó. Do começo até ao fim o autor procura com diligência responder a uma
pergunta básica. Qual é o significado da fé?
Chefe
tribal de extraordinária piedade e integridade, Jó é abençoado por Deus com
prosperidade terrena que o converte no homem "maior do que todos os do
oriente" (1:3). De repente, Jó sofre vários reveses de fortuna. Vítima de
uma série de grandes calamidades, vê-se privado primeiro de seus bens e de seus
filhos (1:13-19). Seu corpo se cobre de uma enfermidade repulsiva (2:7). Três
amigos, que se apresentam com a intenção evidente de consolar Jó, insistem em
que seu sofrimento é castigo pelo pecado , e por isso mesmo, seu único recurso
é o arrependimento. Mas Jó repudia com veemência esta solução, afirmando sua
integridade, e admitindo ao mesmo tempo sua incapacidade de entender sua
própria condição. Outro amigo, Eliú, sugere que Jó está passando por um período
de disciplina de amor ordenada por Deus, para impedi-lo de continuar pecando.
Jó rejeita também esta interpretação. Finalmente, Deus responde às contínuas
solicitações de Jó, de uma explicação direta de seus sofrimentos. Deus
responde, não mediante uma justificação de sua conduta, nem mediante uma
solução imediata, mas em virtude de sua apresentação de si mesmo com sabedoria
e poder. Esta apresentação é suficiente para Jó; observa ele que, por ser Deus
quem é, deve haver uma solução, e nela apoia sua fé.
Conquanto o
tema do sofrimento e suas causas seja predominante no livro, este preenche um
fim mais amplo na mente do autor: o de demonstrar que a certeza da fé não
depende das circustâncias externas nem das explicações conjeturais, mas do
encontro da fé com um Deus onipotente e onisciente.
AUTOR
O livro não
nos dá indicações certas do autor nem do tempo em que foi escrito. Embora
muitos, atualmente, afirmem que foi escrito no exílio ou em época pós-exílio
(sexto a terceiro século a.C), tradicionalmente tem-se fixado a data na época
dos patriarcas (século XVI a.c.), ou nos dias de Salomão (século X a.C.).
Robert B.
Laurin Doutor em Filosofia e Letras
I JOÃO, II JOÃO e III JOÃO
A primeira
epístola de João foi escrita a uma coletividade cristã que tinha de enfrentar a
heresia gnóstica do primeiro século. João procurava animar seus membros a viver
uma vida conseqüente com a comunhão com Deus e com Cristo. Ventila assuntos tão
vitais como a justiça, o amor, a verdade e o conhecimento. O autor não
considera estes assuntos simplesmente como requisitos éticos, mas como
realidades religiosas fundamentadas na revelação cristá de Deus e de seu Filho,
o Senhor Jesus Cristo. Portanto, a doutrina cristã é parte integrante do livro
e sentimos, às vezes a tentação de pensar nele como uma exposição doutrinal da
realidade da encarnação de Deus
A segunda
epístola foi escrita para advertir uma mulher cristã contra a comunhão
indiscriminada com os incrédulos. As idéias principais da epístola são o amor,
a verdade e a obediência, que em parte se complementam entre si. A obediência
sem amor é servil; o am or sem obediência é irreal; nenhum dos dois elementos
pode florescer fora do ambiente da verdade.
A carta é
dirigida "a senhora eleita", e este é, provavelmente, seu
significado, embora muitos interpretem como expressão figurativa que designa a
uma igreja. Ao que parece, a epístola é uma carta pessoal a uma mulher cristã
que João conhece, talvez uma viúva, e o motivo foi o enncontro com alguns de
seus filhos aos quais ele achou fiéis na fé em Cristo (ver. 4).
O propósito
da terceira carta é elogiar a Gaio, leigo leal e ativo que tinha consideráveis
bens, por sua hospitalidade cristã, dando acolhida a pregadores que viajavam de
uma cidade para outra, e ajudando-os no caminho, participando assim em sua obra
missionária. A carta refere-se também a determinada cinrcunstância interna da
igreja, que envolve Gaio e Diótrefes.
AUTOR
As provas
disponíveis indicam que João, o apóstolo, foi o autor não somente do evangelho
do mesmo nome, mas também destas três epístolas. Estas cartas foram escritas,
segundo se supõe, entre os anos 85 e 100 d.C.
Fred L.
Fisher Doutor em Teologia
![]()
![]()
JOÃO
O quarto
evangelho declara, de forma inequívoca, a finalidade do livro: "Jesus...
operou também... muitos outros sinais... Estes, porém, foram escritos para que
creais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que crendo, tenhais vida
em seu nome" (29:30, 31).
Desde o
prólogo (1:1-18) com sua frase culminante, "e vimos a sua
glória"(vers. 14), até à confissão de Tomé, no final, "Senhor meu, e
Deus meu!" (20:28), o leitor sente-se impulsionado constantemente a pôr-se
de joelhos. O Senhor Jesus destaca-se como algo mais que mero homem; em
realidade, mais ainda que um enviado sobrenatural ou representante da Deidade.
Ele é o verdadeiro Deus que veio em carne.
Todavia, o
povo hebreu, que esperava seu futuro redentor, necessitava de provas das
afirmativas de Jesus de que ele era o Messias prometido do Antigo Testamento.
João apresenta essas verificações. Milagres e discursos escolhidos de um
período de vinte dias no ministério público de Jesus, ministério que durou três
anos, confirmam-no dramaticamente como o Cristo, o Filho de Deus. Oito sinais
ou maravilhas revelam não só o seu poder, mas atestam sua glória como Portador
divino da graça redentora. Jesus é o grande "Eu sou", a única
esperança de uma raça que de outra sorte não teria esperança alguma. A água
transforma-se em vinho; os mercadores e os animais destinados aos sacrifícios
são expulsos do templo; o filho do nobre é curado à distância; o paralítico
recebe cura no dia de descanso; a multiplicação dos pães; Jesus anda sobre o
mar; o cego de nascença recebe a vista; Lázaro é ressuscitado. Estes milagres
revelam quem é Jesus Cristo e o que faz. Progressivamente, João apresenta-o
como Fonte da nova vida, a Água da vida e o Pão da vida. Por fim, seus próprios
inimigos retrocederam e caíram por terra ante o "Eu sou", que se
entrega voluntariamente para sofrer na cruz (18:5, 6).
Procurando
resgatar o homem do pecado e do juízo, e restaurá-lo à comunhão divina e santa,
o Logos eterno faz deste mundo sua residência transitória (1:14). Em virtude de
sua graça, o homem caído está capacitado para residir em Deus (14:20) e,
finalmente, nas mansões eternas (14:2, 3). Em sua própria pessoa Jesus cumpre o
significado das profecias e festas do Antigo Testamento. Por fim, triunfa sobre
a própria morte e o túmulo, e deixa a seus seguidores um legado extraordinário
para que levem avante esta missão de misericórdia, única na história.
Deslocando-se
de uma eternidade para outra, o quarto evangelho vincula o destino de judeus e
gentios como parte da criação toda à resurreição do Logos encarnado e
crucificado.
AUTOR
Muito
embora o quarto evangelho não mencione de modo definitivo seu autor, não resta
dúvida de que foi João, o amado, quem o escreveu. Somente uma testemunha
ocular, do círculo íntimo dos seguidores do Senhor Jesus Cristo (compare 12:16;
13:29) poderia proporcionar-nos determinados pormenores do livro. Além disso, o
relato especial e às vezes indireto da participação de João confirmaria sua
paternidade literária (1:37-40; 19:26; 20:2, 4, 8; 21:20, 23, 24). Exegetas
conservadores colocam sua data depois que foram escritos os outros evangelhos,
portanto, entre o ano 69 da nossa era (antes da queda de Jerusalém) e o ano 90.
Carl F. H.
Henry Doutor em Filosofia e Letras
![]()
![]()
JUDAS
A epístola
de Judas foi escrita como advertência contra certos cristãos nominais que
ameaçavem solapar e destruir a comunhão dos crentes, mediante seu caráter e
conduta imorais. Os que seguiam seus passos receberiam o justo castigo de Deus.
Em realidade, o Antigo Testamento dá testemunho de cinco juízos de Deus contra
tais pecados praticados por estas pessoas (vers. 5-11). Como se quisesse
acentuar o fato de que tais pessoas estavam prestes a sofrer a ira de Deus,
Judas acrescenta uma descrição de doze pontos acerta de sua culpa (ver. 12-16).
Em
contraste com a atitude mundana e destruidora dos falsos mestres, o crente deve
demonstrar amor espiritual e construtivo. Lembrando a misericórdia de Cristo
para com eles, devem também demonstrar misericórdia para com os que estão afundados
nestes males. Talvez sejam desse modo salvos (ver. 12-23).
A formosa
doxologia (ver. 24, 25) é especialmente apropriada para os que estão passando
por grandes tentações.
Além do uso
que faz do Antigo Testamento, Judas demonstra conhecer a atual tradição
judaica. (Referências em Judas 9, 14, embora nao se encontrem no Antigo
Testamento, acham-se em outros escritos judeus da época). A epístola guarda
relação particularmente íntima com a segunda epístola de Pedro, e é provável
que ambas as cartas fossem dirigidas ao mesmo grupo de crentes. Muito embora
alguns exegetas creiam que a segunda epístola de Pedro tenha empregado material
de Judas, é mais provável que a segunda espístola de Pedro fosse a mais antiga
das duas. Os males que II Pedro (2:1; 3:3) prediz são descritos em Judas (vers.
4, 8, 19) como se houvessem ocorrido de acordo com a profecia apostólica a esse
respeito.
AUTOR
Segunda a
tradição, Judas é o irmão de Jesus (Mateus 13:55) que se tornou crente só
depois da ressurreição (João 7:5; Atos 1:14), e cujo irmão, Tiago, foi o
primeiro personagem dirigente da igreja primitiva (Atos 15:13; Gálatas 1:19).
Isto concorda com a referência que Judas faz de Tiago (ver.1) como se este
fosse amplamente conhecido. Em face de tudo isto, poder-se-ia sugerir uma data
que oscilaria entre os anos 70 e 80 d.C., para a escritura desta carta.
E. Earle
Ellis Doutor em Filosofia e Letras
![]()
![]()
LAMENTAÇÕES DE JEREMIAS
O livro de
Lamentações contém um tema principal. Os sofrimentos que recaíram sobre
Jerusalém quando o rei Nabucodonosor capturou a cidade no ano de
O primeiro
lamento descreve e explica as aflições de Jerusalém em termos gerais. O segundo
descreve o desastre em maiores minúncias. Ressalta que a destruição da cidade é
um juízo divino sobre o pecado. Alguns fatores fundamentais deste juízo se
esclarecem no terceiro lamento. O quarto sublinha algumas lições que Jerusalém
aprendeu por meio do juízo. O quinto e último lamento (poderíamos dizer mais
acertadamente oração)descreve como Jerusalém, por causa de seus sofrimentos,
lançou-se à misericórdia divina, esperando que Deus novamente se mostre
misericiordioso para com Israel, agora purificada no cadinho da aflição. Considerando-se
que as Lamentações de Jeremias tratam o sofrimento como castigo sobre o pecado,
o crente afligido tem no referido livro a linguagem de sua confissão,
auto-humilhação e invocação.
AUTOR
Desde época
antiqüissima, tanto os judeus como os cristãos têm atribuído a Jeremias o livro
das Lamentações. A Versão dos Setenta (Septuaginta) atribui a autoria do livro
a esse profeta, desde o segundo século antes de Cristo, e a Bulgata o faz desde
o quarto século de nossa era. Se dermos por definida a paternidade literária de
Jeremias, o livro das Lamentações converte-se em "suplemento do livro de
Jeremias", que com tanta freqüencia profetizou uma catástrofe como a que o
livro das Lamentações descreve. Jeremias não adota um tom de censura em seu lamento,
como quem diz: "Eu o avisei." Sente a dor das aflições de Jerusalém,
e roga a Deus que não a rejeite para sempre.
J. G. S. S.
Thomson Doutor em Filosofia e Letras
![]()
LEVÍTICO
Conforme
diz o nome, Levitico, o terceiro livro de Moisés ressalta a função dos
sacerdotes de Israel, membros da tribo de Levi aos quais Deus escolheu para
prestar serviços em seu santuário (Deuteronômio 10:8). Portanto, muitos crentes
pensam que o Levítico é uma espécie de manual técnico que orientava os antigos
sacerdotes nos pormenores das cerimônias que o povo de Deus já deixou de
observar, e por isso mesmo, o Levítico é hoje o menos prezado dos livros do
Pentateuco. Contudo, devemos afirmar que sua mensagem estava dirigida
originariamente a todos os crentes (Levítico 1:2), e suas verdades continuam
sendo de principal significado para o povo de Deus, visto que o Levítico
contitui a primeira revelação pormenorizada do tema vivo do Grande Livro em
geral, isto é, a revelação da forma mediante a qual Deus restaura o homem
perdido. Tanto a atividade redentora de Deus como a conduta do homem que se
apropria de tal redenção se acham resumiddas no versículo-chave, que diz:
"Ser-me-eis santos, porque eu, o Senhor, sou santo, e separei-vos dos
povos, para serdes meus "(20:26).
A fim de
realizar a salvação e restaurar o homem ao seio de seu Criador, é preciso
prover um meio de acesso a Deus. A primeira metade do Levítico (capítulos
Mas a
salvação não é apenas separação do mal: abrange uma união positiva ao que é
bom, justo. De modo que a segunda metade do Levítico (capítulos 17-27) apresenta
uma série de padrões práticos do que o homem deve aceitar a fim de viver uma
vida santa. Esta conduta prática inclui expressões de devoção em assuntos
cerimoniais (capítulo 17), na adoração (capítulos
Em sua
forma, Levítico existe principalmente como legislação expressa por Deus:
"Chamou o Senhor a Moisés e... disse: Fala aos filhos de Israel, e
dize-lhes..."(1:1-2), As duas narrativas históricas (capítulos
AUTOR
Em mais de
50 pontos em seus 27 capítulos, o Levítico afirma ser palavra de Moisés
dirigida por Deus. O Novo Testamento também cita o livro ao dizer: "Ora,
Moisés escreveu..."(Romanos 10:5). Os críticos que relegam o Levítico a um
milênio depois de Moisés, fazem-no a expensas da integridade da evidência
bíblica. As Sagradas Escrituras descrevem o Levítico como livro dado a Israel
pouco depois que os israelitas foram adotados como o povo da aliança de Deus
(Êxodo 19:5). Fora-lhes dada a lei moral básica, o Decálogo (Êxodo 29:43;
40:34). A seguir, vem o Levítico, segundo Deus o havia prometido (Êxodo 25:22),
como guia para a conduta e para a adoração. Sua legislação e seus
acontecimentos abrangem tão-somente algumas semanas de tempo, desde o
levantamento do tabernáculo por parte de Moisés (Êxodo20:17), até à partida de
Israel do monte Sinai, menos de dois meses depois (Números 10:11), no mês de
maio de
J. Barton
Payne Doutor em Teologia
LUCAS
O tema que
destaca no evangelho segundo São Lucas é: Jesus é o Salvador divino. No
princípio, tudo se concentra nesta verdade surpresa. Antes mesmo de seu
nascimento, o anjo enviado por Deus ordena a Maria que dê ao menino o nome de
Jesus (que significa o Senhor salva, 1:31). Aos pastores o anjo deu "novas
de grande alegria" (2:10) de que na cidade de Davi nascera o Salvador, que
é Cristo, o Senhor (2:11). E no primeiro anúncio público que o Senhor fez a
respeito de sua missão, afirmou de modo inequívoco que ele era o divino
Salvador acerca de quem os escritos sagrados do Antigo Testamento faziam
referência (4:17-21).
A partir
desse momento, observamos de que forma o Senhor Jesus se revela como o Redentor
divino que veio para salvar os perdidos. Salva do poder dos espíritos maus
(4:33-36), de enfermidades graves (4:38-40), da lepra (5:12, 13) e, inclusive,
do poder e das conseqüências do pecado (5:20-26). Além disso, Lucas nos
apresenta Jesus como o Salvador Todo-poderoso que tem poder e autoridade divina
para ressuscitar mortos (7:12-17). Sendo um com o Pai, tem igualmente poder
sobre a natureza e pode salvar seus discípulos de uma violenta tempestade
(8:22-25), e livrar da fome a multidão (9:11-17).
Depois de
haver-se revelado como o Salvador Todo-poderoso e de os apóstolos o haverem
confessado como o Cristo (9:18-20), Jesus começa a mostrar a seus seguidores
que para ele poder ser o Salvador divino deles, primeiro ele devia sofrer e
morrer (9:22).
As palavras
pronunciadas pelo Senhor Jesus em 19:10, "Porque o Filho do homem veio
buscar e salvar o que se havia perdido", cristalizam a maravilhosa
mensagem do evangelho segundo São Lucas.
Lucas demonstra-nos
que o Senhor Jesus veio como Salvador em sentido universal - para os povos de
todos os tempos e de todas as condições, para os judeus (1:13, 2:10), para os
samaritanos (9:51-56), para os pagãos (2:23; 3:6, 38), para os publicanos, para
os pecadores e desprezados (7:37-50) bem como para pessoas respeitáveis (7:36),
para os pobres (1:53) e também para os ricos (19:2; 23:50).
Ao mesmo
tempo, nosso Senhor advertiu seriamente a todos de que embora ele tivesse vindo
para salvar e não para destuir, todos quantos se negavam a ser salvos por ele
trariam sobre si mesmos sofrimentos (19:27, 41:44).
O evangelho
segundo São Lucas proclama as boas-novas do Senhor Jesus, que não somente
afirmava ser o Salvador divino, mas também se revelava como o Redentor Todo-Poderoso
e Unigênito Filho de Deus. Mediante sua ressurreição e ascensão (24:50-53),
demonstrou finalmente a verdade de suas afirmativas e a autencidade de sua
auto-revelação como Salvador do mundo, enviado, aprovado e equipado por Deus
(4:17-21; 10:22).
AUTOR
Sem dúvida
alguma, é correta a tradição que afirma ser Lucas, o médico amado (Colossenses
4:14), o autor deste evangelho. Como companheiro de Paulo (Filemon 24; II
Timóteo 4:11; Colossenses 4:10-14; Atos 1:1; 20:5 - 21:17; 27:2 - 28:16), Lucas
tinha muitos contatos pessoais com apóstolos e outras testemunhas da história
do evangelho. Tudo isto, somado à sua base cultural grega, seu preaparo
intelectual e sua íntima relação com homens como Marcos (que também escreveu um
evangelho), capacitaram-no para escrever um evangelho, digno de crédito, amplo
e formoso. Provavelmente, escreveu-o entre os anos 64 e 70 de nossa era. Pouco
depois, escreveu os Atos dos Apóstolos.
J. Norval
Geldenhuys Mestre em Teologia
![]()
![]()
MARCOS
O segundo
evangelho tem traços que se destacam sobremaneira. A personalidade de Pedro
reflete-se quase em cada uma de suas páginas. Assemelha-se a ele pela rapidez
de movimentos, pela atividade, pela impulsividade. A rapidez
de ação é um dos traços principais. o
relato passa de um acontecimento a outro com extraordinária rapidez. Com
propriedade tem-se denominado o evangelho de Marcos de filme do ministério de
Jesus. A intensidade dos pormenores é outro de seus característicos distintivos. Embora Marcos seja o mais
curto dos quatro evangelhos, com freqüencia narra pormenores vividos que não se
encontram nos relatos do mesmo assunto em Mateus ou Lucas. Dispensa-se
extraordinária atenção ao aspecto e aos gestos de Jesus.
O terceiro
característico saliente é a descrição pictórica. Ao relatar a alimentação dos cinco mil, Marcos diz-nos que o povo se
assentou em "ranchos" ou grupos sobre a erva verde.
O evangelho
segundo São Marcos é, preeminentemente, o evangelho da ação. Não somente
abrange o discurso mais longo de Jesus (o discurso proferido no monte das
Oliveiras), como não deixa passar fatos ou ações. Ressalta antes as obras que
as palavras de Cristo. Marcos registra dezoito dos milagres de Jesus, mas
apenas quatro de suas parábolas.
Seu modo de
acentuar as ações é apropriado em um evangelho escrito provavelmente em Roma e
dirigido principalmente aos romanos. Marcos emprega dez latinismos e faz menos
referências ao Antigo Testamento que os demais evangelistas. Explica os
costumes judeus aos leitores romanos. Nem sequer emprega a palavra lei, que aparece oito vezes em Mateus, nove vezes em Lucas e quatorze
vezes em João.
Considerando
que escreve aos romanos, omite qualquer referência à genealogia de Jesus, bem
como à sua infância. Os romanos estavam mais interessados no poder do que
Conquanto o
evangelho segundo São Marcos seja antes de tudo histórico, observa-se nele um
forte teor teológico. O primeiro versículo dá-nos o traço característico:
"Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus". Repetidas vezes
acentua-se a Deidade de Jesus, seja explícita ou implicitamente. É o Filho do
Homem, o Messias, aquele por quem esperaram os longos séculos. Em uma das mais
vigorosas passagens teológicas dos evangelhos sinópticos afirma-se a declaração
de Jesus de que o Filho do Homem veio para "dar a sua vida em resgate de
muitos"(10:45). Conforme o diz o primeiro versículo do livro, é
principalmente o evangelho de Jesus
Cristo, as boas-novas da salvação mediante sua morte expiatória.
AUTOR
De modo
quase unânime a igreja primitiva atribui o segundo evangelho a Marcos, primo de
Barnabé e companheiro de Paulo e de Pedro. A maioria dos intérpretes da Bíblia
sustenta que este é o mais antigo dos quatro evangelhos. Pode afirmar-se com
segurança que foi escrito entre os anos 50 e 70 de nossa era.
Ralph Earle Doutor em
Teologia
![]()
![]()
MATEUS
O evangelho
segundo São Mateus tem em mira dar testemunho de que Jesus é o prometido
Messias da antigüidade, e que sua tarefa messiânica consistia em levar aos
homens o reino de Deus. Estes dois temas - a messianidade de Jesus e a presença
do reino de Deus - estão inseparavelmente vinculados, e cada um deles engloba
um "mistério"- uma nova revelação do propósito redentor e divino.
(Leia Romanos 16:25, 26).
O mistério
da missão messiânica está que
antes que o Messias venha nas nuvens, como celestial Filho do Homem, para
estabelecer seu reino sobre a terra, deve primeiramente vir com humildade entre
os homens, como o Servo sofredor que morrerá na cruz. O judeu do primeiro
século jamais tinha ouvido tal coisa. Para o crente da atualidade, o capítulo
53 de Isaías relata com meridiana clareza os sofrimentos do Messias. Contudo,
nesta passagem não se faz referência ao Messias, e o contexto (Isaías 48:20;
49:3) cita especificamente a Israel como servo de Deus. Portanto, não devemos
surpreender-nos com o fato de que os judeus não compreendessem que o capítulo
53 de Isaías se referia ao Messias. Esperavam um Messias que viesse com poder e
vitória, e o Antigo Testamento promete, em realidade, tal Messias.
O Filho de
Davi é um Rei divino que governará no reino messiânico (Isaías 9:11; Jeremias
33), quando todo o pecado e todo o mal serão tirados, e prevalecerão a paz e a
justiça. O Filho do Homem é um Ser celestial a quem é confiado o governo sobre
todas as nações e reinos da terra. O Antigo Testamento não nos diz de que forma
se relacionam entre si estes dois conceitos proféticos do Rei davídico e do
celestial Filho de Deus, ou de que modo cada um deles pode ser identificado com
o Homem de dores do capítulo 53 de Isaías. Portanto, os judeus do primeiro
século esperavam um Messias vencedor, ou um Filho do Homem, porém celestial, e
não um Servo humilde do Senhor, que sofreria e morreria. O mistério messiânico
- a nova revelação do propósito divino -- consiste em que o celestial Filho do
Homem deve primeiro sofrer e morrer em cumprimento de sua missão messiânica e
redentora, como o Varão de dores, antes de apresentar-se com poder e glória.
O mistério
do reino está intimamente associado com o mistério messiânico. O capítulo 2 do
livro de Daniel descreve a vinda do reino de Deus com linguagem vivida, do
ponto de vista da destruição de toda e qualquer potência que resista a Deus e
se oponha à vontade divina. O reino virá com poder, varrendo todo mal e todo
governo hostil, transformando a terra e apresentando uma nova ordem universal
de perfeita paz e justiça. Contudo, o Senhor Jesus não apresentou um reino de
poder portentoso. Daí que tanto sua mensagem como sua pessoa deixassem
completamente perplexos seus contemporâneos, inclusive seus discipulos. Era
filho de um carpinteiro; sua família era conhecida em Nazaré; tinha muitíssima
semelhança com qualquer rabino judeu. Suas obras eram atos bondosos de afeto e
amor; não obstante isso, afirmou que em suas palavras, em seus feitos e em sua
pessoa havia chegado a eles o reino de Deus. Contudo, os reinos do homem e do
mundo continuavam como sempre, sem que o odiado governo romano sobre o povo de
Deus fosse desafiado. Como podia ser o reino de Deus se ele não despedaçava os
outros reinos do mundo? Que esse reino viesse com poder espiritual antes de
apresentar-se em glória era uma nova revelação do propósito divino.
AUTOR
A tradição
do segundo século da igreja atribui a autoria do primeiro evangelho ao apóstolo
Mateus. George E. Ladd Doutor em Filosofia e Letras
![]()
![]()
NÚMEROS
O livro de
Números deriva seu nome
O livro de
Números parece, às vezes, constituir uma coleção não muito estruturada de
informações, narrativas e rituais ou lei civil. Contudo, estas informações são
sempre pertinentes à história, ao passo que os pronunciamentos legais surgem,
com frequência, das exigências da situação na vida, tal como a autorização para
celebrar uma páscoa especial (9:1-14) em circunstâncias que impediam a
observância da páscoa regular; ou o pedido das filhas de Zelofeade (27:1-11)
cujo resultado foi que Deus estabeleceu medidas para a herança das filhas
quando não houver filho sobrevivente.
No aspecto
histórico, o livro de Números começa onde termina o Êxodo, dando lugar
necessariamente às seções de narrativas dispersas de Levítico. Abrange um
período de aproximadamente 40 anos na história da caminhada de Israel sobre a
Palestina. Conquanto estes anos descrevam, em geral, a peregrinação, é evidente
que o povo residiu ao sul de Canaã, principalmente na zona conhecida como o
Neguebe, não muito distante de Cades- Barnéia, durante 37 anos. No decorrer
desse período, o tabernáculo foi o ponto central tanto da vida civil como da
religiosa, visto como era aqui onde Moisés exercia suas funções
administrativas. Presume-se que o povo seguia os costumes dos povos nômades,
vivendo em tendas e apascentando os rebanhos nas estepes semi-áridas. Nestas
circunstâncias, o povo necessitava da provisão especial divina de alimentos e
água.
No livro de
Números, Deus é apresentado como um soberano que exige absoluta obediência à
sua santa vontade, mas que também demonstra misericórdia ao penitente e
obediente. Assim como o pai educa e castiga os filhos. Deus dirige a Israel,
seu povo amado. Escolhe entender-se com o homem servindo-se de mediadores.
Destes, Moisés é único, embora outros talvez estejam dotados de dons proféticos
e até mesmo um pagão, Balaão, pode ser usado, visto como Deus é o Deus dos
espíritos e de toda a carne.
No Novo
Testamento se encontram diversas referências ao livro de Números, em que o
livramento do Egito é considerado como modelo terreno da redenção eterna.
Afirma-se que as experiências no deserto estão registradas para nossa
admoestação (I Coríntios 10:11). Nosso Senhor Jesus Cristo referiu-se ao
incidente da serpente de bronze como ilustração da forma em que ele próprio
será levantado a fim de que os que crêem nele não pereçam mas tenham a vida
eterna.
AUTOR
Tanto
judeus como cristãos tradicionalmente têm considerado Moisés o autor do livro
de Números. Considerando que o período mosaico é, quando menos, de 1300 anos
antes de Cristo, o livro, em sua forma atual, passou por muitas mãos, e mesmo
no hebraico tem sido transcrito de um tipo de escritura para outro. Sem dúvida,
existem aqui e acolá adições redatoriais. Expoentes extremos da crítica
literária têm procurado negar que Moisés pudesse ter escrito qualquer parte do
livro, e têm procurado dividi-lo em documentos que datam de períodos diferentes
da história de Israel. Todavia, os descobrimentos arqueológicos têm demonstrado
a antiguidade das leis, das instituições e das condições de vida descritas no
livro de Números. A opinião de que o livro de Números procede da pena de Moisés
e do período no qual ele viveu é apoiada, também, pela profunda veneração que
os judeus tinham por Moisés e pelos escritos sagrados a ele atribuidos.
David W.
Kerr Mestre em Teologia
![]()
![]()
I PEDRO
Esta bela
carta foi escrita aos crentes da Ásia Menor, a fim de criar neles uma jubilosa
esperança diante da perseguição que ameaçava cair sobre eles. Era intenção do
apóstolo que esta carta circulasse entre os crentes de herança
predominantemente gentia, em congregações localizadas nas províncias do Império
Romano onde, provavelmente, o jugo imperial seria mais severo. A igreja não
desconhecia a perseguição. Desde às primeiras perseguições no tempo de Estêvão
e a dispersão que se seguiu, até à constante fustigação de que era alvo o
apóstolo Paulo por onde quer que fosse, os crentes da igreja primitiva haviam
experimentado na própria carne a fadiga e a tensão provocadas pelo antagonismo.
E agora a ira do demente imperador Nero estava prestes a explodir em Roma, a
expensas da igreja. Portanto, o apóstolo Pedro procurou preparar a igreja na
Ásia Menor para o desastre iminente que se avizinhava nestas províncias
orientais, onde a opressão se espalharia, sem dúvida, de sua origem
AUTOR
Esta carta
de Pedro foi, provavelmente, enviada de Roma aos crentes da Ásia Menor, entre
os anos 62 e 69 d.C. Existe uma extraordinária semelhança de pensamentos entre
esta carta e a epístola de Paulo aos Romanos (ano
Robert Paul
Roth Doutor em Filosofia e Letras
![]()
![]()
II PEDRO
Enquanto a
primeira epístola de Pedro é uma carta de jubilosa esperança em face do
sofrimento, a segunda epístola desse apóstolo é uma mensagem da verdade fiel
diante do erro. A segunda carta começa por uma declaração direta da verdade de
Deus, que se fundamenta tanto na palavra profética como na palavra do
testemunho. Adverte contra falsos mestres que procurarão substituir a Palavra
divina por palavras humanas. E termina com a afirmação de que a vinda de Cristo
é uma realidade futura que destruirá o mundo e trará novos céus e nova terra.
AUTOR
Há
incerteza quanto ao autor, à data e ao destinatário da segunda epístola de
Pedro. Contudo, a igreja tem suustentado tradicionalmente o ponto de vista de
que o apóstolo Pedro foi o autor desta carta. A diferença de estilo entre as
duas epístolas poderia ser explicada da seguinte maneira: Pedro teve diferentes
ajudantes; escreveu a uma só congregação em vez de fazê-lo a um grupo; escreveu
com menor urgência porque seu propósito e a situação eram diferentes. Quando,
em sua segunda epístola, se refere a uma anterior, não devemos supor que faça
alusão à primeira epístola de Pedro e, sim, a uma carta que se perdeu. Existe,
inclusive, a possibilidade de que Pedro tenha escrito a segunda epístola antes
da que conhecemos como primeira. As circunstâncias do escrito refletem uma
situação na qual as heresias gnósticas contaminavam a igreja. Este falso ensino
levava a um comportamento licencioso. Somente a correta compreensão da
sabedoria de Deus à luz do retorno de nosso Senhor Jesus Cristo refutaria tais erros.
Robert Paul
Roth Doutor em Filosofia e Letras
![]()
![]()
ROMANOS
Depois da
saudação e da ação de graças, o apóstolo Paulo, referindo-se a um texto do
Antigo Testamento (Habacuque 2:4), apresenta o tema da epístola que é a justificação
pela fé.
Os três
capítulos iniciais estabelecem o primeiro ponto principal: que todos os homens
são pecadores. Paulo começa por uma descrição da crassa idolatria e imoralidade
dos gentios; contudo, em virtude da revelação do poder de Deus na natureza, e
pelo testemunho de suas próprias consciências de que "são dignos de morte
os que tais coisas praticam", os gentios são considerados responsáveis.
Ao mesmo
tempo, os judeus são igualmente pecadores, muito embora sejam eles objeto dos
oráculos divinos. Os gentios pecaram sem lei - perecerão sem lei, os judeus
pecaram sob a lei - serão julgados pela lei. "Porque os que ouvem a lei
não são justos diante de Deus: mas os que praticam a lei hão de ser
justificados" 2:13.
Contudo,
não há praticantes da lei, quer judeus quer gentios; porque "Não há um
justo, nem um sequer"(3:10). "Por isso nennhuma carne será
justificada diante dele"(3:20).
Portanto,
se alguém vier a ser justificado, Deus mesmo terá de proporcionar
misericordiosamente a justiça necessária para a absolvição. Isto se efetua em
virtude de sacrifício propiciatório de Cristo. Seu sangue derramado satisfaz a
justiça do Pai, de maneira que Deus pode ser justo e ao mesmo tempo justificador daquele que tem fé em Jesus.
O capítulo
4, citando a Abraão como principal exemplo, explica mais extensamente de que
forma Deus atribui a justiça sem as obras. A seguir, o capítulo 5 estabelece um
paralelo entre Adão e Cristo. Todos aqueles a quem Adão representava foram
feitos pecadores por sua ofensa; todos quantos estão em Cristo são feitos
justos por sua obediência.
Em resposta
à acusação de que a justificação pela fé estimula o pecado,
"Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde?" (6:1), o
apóstolo Paulo explica que o crente sincero recorreu a Cristo a fim de escapar
do pecado. A justificação produz santificação, e essa luta pela santificação
pessoal (7:14-25) é prova de que escapamos à condenação. Portanto, em virtude
do amor imutável de Deus (8:39), podemos ter a segurança da salvação.
A
justificação pela fé, a rejeição dos judeus e a inclusão dos gentios são
conseqüentes com as promessas de Deus a Israel. Tais promessas foram feitas aos
descendentes espirituais de Abrão. Deus escolheu a Isaque e rejeitou a Ismael.
Deus escolheu a Jacó e rejeitou a Esaú. Estas escolhas e exclusões são
inerentes às próprias promessas. A eleição de Deus é soberana. É como o oleiro
que fabrica vasos para determinados fins.
Contudo,
chegará o dia quando, em geral, os judeus serão exertados de novo.
Em virtude
destas misericórdias divinas, todo crente deve cumprir sua função particular na
igreja, com diligência e singeleza. De igual maneira, no país, todo crente deve
ser bom cidadão.
Finalmente,
Paulo expressa a esperança de visitar Roma em sua viagem com destino à Espanha,
e termina a carta com saudações pessoais.
AUTOR
A epístola
aos Romanos, a mais longa, a mais sistemática e a mais profunda de todas as
epístolas, e talvez o livro mais importante da Bíblia, foi escrita pelo
apóstolo Paulo (1:1, 5). Naquela ocasião ele se encontrava em Corinto (15:26;
16:1, 2). A cuidadosa composição da carta sugere que depois de algumas
experiências tempestuosas ali, desfrutou um período de tranqüilidade antes de
receber dinheiro de ajuda aos santos
Gordon H.
Clark Doutor em Filosofia e Letras
![]()
![]()
I TESSALONICENSES
A igreja de
Tessalônica, fundada por Paulo durante sua segunda viagem missionária (Atos
17), compunha-se de convertidos judeus, gregos devotos, mulheres nobres (Atos
17:4), e de muitos gentios que tinham vivido no paganismo. Depois de deixar
Tessalônica (Atos 17:10), o apóstolo Paulo enviou Timóteo a fazer-lhes uma
visita (I Tessalonicenses 3:1-3); mais tarde o citado discípulo leva um
relatório a Paulo
As
epístolas aos Tessalonicenses são importantes, não só porque figuram entre as
primeiras cartas de Paulo, mas também porque revelam muito do caráter do
ministério do apóstolo e das condições prevalecentes na igreja, e porque contém
tantos ensinos relativos a segunda vinda de Cristo.
AUTOR
No prefácio
e saudação (1:1) afirma-se a autoria de Paulo, tendo como seus companheiros
Silvano e Timóteo. A opinião unânime dos comentaristas da Bíblia é de que o
apóstolo Paulo é o autor das epístolas aos Tessalonicenses. A primeira epístola
foi escrita de Corinto, no ano 51 d.C.
J. Dwight
Pentecost Doutor em Teologia
![]()
![]()
II TESSALONICENSES
O portador
da primeira epístola aos Tessalonicenses trouxe a Paulo notícias referentes ao
crescimento espiritual dos crentes. Paulo sentiu-se profundamente consolado com
o relatório. Além disso, o relatório apresentado ao apóstolo dizia que um
ensino errôneo, atribuído a Paulo, já havia chegado a Tessalônica por meio de
uma carta falsificada ou devido a informações orais ou escritas tratando de seu
ensino. Alguns sustentavam que as tribulações e perseguições que eles sofriam
eram as tribulações do dia do Senhor, e em conseqüência disso haviam sido
excluídos da transladação, ou então Paulo havia comunicado ensinos errôneos (I
Tessalonicenses 4:13 - 5:10). Paulo escreve-lhes a segunda epístola para
felicitá-los por seu crescimento espiritual (1:3, 4); para consolá-los em suas
perseguições (1:5-10); para transmitir-lhes a informação correta e acalmar os
temores acerca do dia do Senhor (2:1-12); e para corrigir a conduta desordenada
na igreja (3:6-15).
AUTOR
Pela
semelhança das condições nas duas epístolas, chega-se à conclusão de que o
apóstolo Paulo escreveu a segunda epístola pouco depois da primeira,
provavelmente dentro de um período de poucos meses. Foi escrita de Corinto no
ano 51 d.C.
J. Dwight
Pentecost Doutor em Teologia
![]()
![]()
TIAGO
Imitando o
estilo da literatura de sabedoria do Antigo Testamento, com evidentes
pressupostos cristãos. Tiago escolhe o tema da "religião pura"
(1:27), a religião do amor divino experimentado no coração. Mostra que a
religião pura é posta à prova pelas tentações e pelas dificuldades dos fiéis, e
de si mesma põe à prova o carnal e o egoísta. Estas experiências positivas e
negativas da religião pura revelam o contraste entre as qualidades espirituais,
da sabedoria benéfica e da falsa, da fé verdadeira e da falsa, do eu espiritual
e do eu carnal, e da confiança verdadeira e da falsa.
Inequivocadamente
cristã em seu reconhecimento das reivindicações de Cristo (1:2; 2:1, 7), e em
sua referência à segunda vinda (1:12; 5:7, 8) e à regeneração pessoal mediante
a fé (1:18-21), a epístola lembra-nos os ensinos da assim chamada literatura de
sabedoria do Antigo Testamento, como se observa em Jó, em alguns dos Salmos, em
Provérbios e
O autor tem
em mente os crentes fiéis que constituem exemplos da "religião pura"
nas provações e vicissitudes. A estes ele anima. Tiago leva em conta também os
mais carnais e egoístas, cuja conduta demonstra que não saíram airosos da prova
da "religião do coração, quer seja posta à prova na vida dos fiéis ou pondo a prova e julgando a vida das pessoas carnais.
Tiago
emprega repetidas vezes o paradoxo ao afirmar a superioridade dos valores
espirituais tão comumente descumpridos. Por isso fala-nos de dois tipos de eu.
Observa-los-emos à medida que o assunto se desenvolve. Tiago é prático, e sua
ênfase não é teológica. O primeiro capítulo, que nos fala do programa de Deus
no que concerne à santificação do crente, apresenta em miniatura os temas que
serão ventilados com maior amplitude nos capítulos restantes.
AUTOR
A epístola
diz ter sido escrita por Tiago. O Novo Testamento menciona três pessoas com
este nome. Todavia, a igreja cristã atribui a Tiago, filho de José e Maria, e
irmão do Senhor Jesus Cristo, a paternidade literária desta epístola. Tiago, em
seus ensinos, apresenta notável semelhança com nosso Senhor. Uma comparação
desta epístola com o sermão do Monte revela, pelo menos, doze paralelismos
evidentes. Eleito moderador da igreja de Jerusalém, na época posterior ao
Pentecoste, Tiago imprime a esta epístola uma nota de autoridade modesta. Sem
desculpar-se em nenhum momento, os 108 versículos contém 54 mandamentos.
Stephen W.
Paine Doutor em Filosofia e Letras
![]()
![]()
I TIMÓTEO
Desde o
princípio do século 18, I e II Timóteo e Tito têm sido chamadas cartas pastorais.
Embora não seja totalmente apropriada, esta designação indica a natureza
prática do assunto nelas ventilado. Timóteo, pastor inexperiente, ficou
encarregado da importante igreja de Éfeso. Paulo, seu pai espiritual, escreve a
fim de animá-lo e transmitir-lhe instruções relativas a questões práticas como
a adoração em público, requisitos que os oficiais da igreja devem preencher, e
confronto com o ensino falso na igreja. Instrui a Timóteo igualmente quanto às
relações entre os diferentes grupos da igreja, abrangendo as viúvas, as pessoas
idosas, os escravos e os falsos mestres. A primeira epístola a Timóteo contém,
portanto, muita informação concernente aos problemas de desenvolvimento da
igreja por volta do ano 75 de nossa era. Por toda a carta reflete-se o afeto
pessoal do grande apóstolo por seu filho na fé, e sua ênfase no grande
requisito para o ministério de Cristo: piedade.
AUTOR
Tradicionalmente,
atribui-se a Paulo a paternidade literária da primeira epístola a Timóteo. Esta
epístola foi escrita da Macedônia (provavelmente Filipos), por volta do ano 63
de nossa era, no intevalo entre a primeira e a segunda prisão do apóstolo.
Walter W.
Wessel Doutor em Filosofia e Letras
![]()
![]()
II TIMÓTEO
A segunda
epístola a Timóteo é, cronologicamente, a última na ordem das três epístolas
pastorais. Exala uma atmosfera diferente das outras duas. Na primeira epístola
a Timóteo e na carta a Tito, o apóstolo Paulo encontra-se livre para formular
planos de viagem e transferir-se de um lugar para outra à vontade. Nesta
epístola está preso e seu fim aproxima-se rapidamente (4:6). Não se sabe onde
Paulo foi preso a segunda vez, nem por que motivos. Escreve a segunda epístola
a Timóteo aparentemente de Roma, onde espera ser executado. Todos o abandonaram,
exceto Lucas. Está desejoso de que Timóteo, que se encontra provavelmente em
Éfeso, vá a Roma antes do inverno. Todavia, em face de suas próprias
circunstâncias, prefere que Timóteo cumpra o ministério para o qual foi
chamado. O conteúdo da carta é rico e variado, e inclui vários apelos
comovedores, especialmente em vista da situação na qual o apóstolo se encontra.
Quatro incumbências e ordens se fazem especificamente a Timóteo, as quais se
relacionam principalmmente com sua vida pessoal na qualidade de ministro. A
ameaça dos ensinamentos falsos adquire muita importância, tanto nesta carta
como na primeira dirigida a Timóteo.
AUTOR
As
circuntâncias do escritor, sua teologia, seu vocabulário e seu estilo revelam
que as três epístolas pastorais foram escritas pelo mesmo indivíduo. Se o
apóstolo Paulo escreveu a primeira epístola a Timóteo, é igualmente o autor da
segunda. Considerando-se que esta epístola foi escrita pouco antes da morte do
apóstolo, poderia dar-se o ano
Walter W.
Wessel Doutor em Filosofia e Letras
![]()
TITO
Paulo saúda
com afeto a Tito, seu representante apostólico junto às igrejas de Creta;
saúda-o como a um "verdadeiro filho, segundo a fé comum". O apóstolo
relaciona seu próprio apostolado com a promoção da "fé dos eleitos de
Deus, e o conhecimento da verdade"
(1:1-4).
O apóstolo
Paulo havia deixado Tito em Creta a fim de reformar uma igreja fraca e
corrupta. Escreve esta carta para reafirmar os objetivos que Tito deve promover
(1:5). Isto requer a inclusão de diretrizes gerais para o estabelecimento de
presbíteros capazes em cada cidade (1:6-9), e para tratar com as influências
perniciosas do legalismo judeu e com a mitologização, segundo se encontrava no Talmude e na Midrashim (1:10-16).
Diante de
tais problemas, Paulo esboça áreas específicas de responsabilidades morais
cristãs que o ministério de Tito deve abranger no que concerne a grupos segundo
idades e classes, livres escravos, a fim de cumprirem as obrigações da
verdadeira fé (2:10; 3:1, 2). Em duas passagens belíssimas, o apóstolo lembra a
Tito aspectos importantes do evangelho. Na primeira (2:11-15) explica a
vigência necessária entre a fé salvadora de Deus em Cristo e o comportamento
cristão. Na segunda (3:3-7), proporciona-nos humilde testemunho do que Deus fez
em sua própria vida, por intermédio de Cristo, e pode fazê-lo também na vida do
mais humilde cretense que crer. Insiste na pregação do evangelho e em que se
evitem discussões com o legalismo judeu (3:8-11). Paulo termina fazendo dois
pedidos (3:12-15).
AUTOR
Não temos
certeza quanto ao lugar de onde o apóstolo Paulo escreveu esta carta a Tito.
Provavelmente se encontrava na Ásia (Éfeso?) para onde partiu de Roma depois de
ter sido posto em liberdade de sua primeira prisão, por volta do ano 63 d.C.
Viajando para o leste, deixou Tito
Tito é um
destacado jovem crente, companheiro de Paulo. Alguns suspeitam que era irmão de
Lucas. Em geral é identificado com o Tito de Gálatas 2, crente gentio
procedente da igreja de Antioquia (da Síria), que se converteu no caso de prova
na controvérsia sobre a circuncisão suscitada na conferência de Jerusalém,
cerca do ano 48 d.C. Mais tarde Tito prestou valiosos e notáveis serviços a
Paulo ao reconciliar a igreja de Corinto, extraviada pela dissensão. Foi,
portanto, muito útil aos crentes cretenses, como dirigente experimentado.
Richard M.
Sufferin Doutor em Filosofia e Letras
| PÁGINA INICIAL | HISTORIA DA IAP | IAP PIEDADE | BOLETIM | EVENTOS | ESTUDOS | FOTOS |