Quando
falamos de interesses, falamos também de desejos e vontades. Prima facie,
pode-se até
pensar que são termos sinônimos, mas não o são. Os interesses estão
relacionados com as atitudes, e por conseguinte, com os fins. Desejos e
vontades são abstratos, ou seja, manifestações do querer humano e podem
ou não se realizarem. Já os interesses flutuam entre o abstrato e o concreto,
pois implicam num objetivo final. Quando há um interesse, há também um retorno
esperado necessariamente. A partir dessa premissa concluo que os interesses
são os causadores de todas as coisas no universo das atitudes humanas, sejam
elas boas ou ruins. Se há uma coisa que se encaixa na tão famosa afirmação:
"Acima do bem e do mal", essa coisa é o interesse. Pois, como
já disse, os interesses estão além dos juízos de valores, pois no
escopo geral das atitudes humanas, bem acima estão os interesses e abaixo
a escala de valores, via de regra, sempre maniqueísta, de um lado o que
é bom e do outro o que é mau. Interessante observar que bom e mau não são
sinônimos de certo e errado respectivamente. Muitas atitudes para algumas
pessoas são boas, ao mesmo tempo para outras, são ruins. É exatamente aí que nascem e
se mantêm os conflitos que estabelecem oposições, antagonismos, divergências,
intolerância racial, religiosa e cultural. Os
interesses dinamizam as atitudes humanas, são responsáveis por criações
e destruições, por evoluções e retrocesso. Estão presentes nas mentes,
nos corações, nas gavetas dos escritórios, nas pautas das grandes corporações,
nos gabinetes dos governantes, nos concílios religiosos, etc. Os interesses
norteiam da mais simples a mais complexa atitude humana. É importante fazer
duas observações. Primeira,
que a despeito de tanta divergência a sociedade em geral evolui em função
do seu dinamismo e busca pelo conhecimento e os interesses são administrados
quando os fins objetivam uma mudança radical no seio da sociedade. Segunda,
é altamente saudável a forma como tudo ocorre na existência humana, ou seja,
como cristão que sou, posso dar graças a Deus por sermos limitados. Já imaginaram
se todos nós fôssemos plenos em poderes e direitos? O mundo seria um caos
total, não haveria respeito ao próximo porque os interesses de uns seriam
sempre superestimados em detrimento dos interesses de outros. Reiterando,
graças a Deus que de uma forma ou de outra somos todos iguais, diferenciados
apenas na capacidade de aproveitar as oportunidades que por si só não fazem
distinção entre um e outro.