"RECADO AO MENESTREL"
ELZA SOUTO
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Saibas tu meu poeta amado,
que o meu viver j� n�o me seduz,
pois que minha alegria ficou no passado
e o que resta s�o cravos e cruz....
Saibas tu meu passarinho fugidio,
que sorrir e cantar, a tua estrela j�o n�o usa;
pois que em nada sinto harmonia, o mundo � t�o arredio
e o sofrer me faz esquecer que j� fui uma musa...
Saibas ti, meu deus grego do peito de a�o,
que a estrelinha melindrosa est� hoje inerte;
pois parece fincada, atada por negro la�o
e o sorriso de antes, hoje em pranto converte.
Saibas tu meu �nico e primeiro amor,
que para o horizonte infinito meu olhar est� posto,
pois ver-te ainda anseio, rever teu fulgor;
e o sol me mostrar o teu irradiante rosto...
saibas tu meu amor eterno,
que s� recordar-te � o que me apetece,
pois teu riso amigo ainda est� comigo, com jeito t�o terno;
e o sabor do teu beijo ainda me enrrubece...
Saibas tu meu querido trovador,
que as trovas deixadas s�o o meu alimento;
pois que ao rel�-las, sinto-te amor
e o sentir-te amado, me alivia o tormento.
Estejas certo meu adorado menestrel,
que s� por tua mem�ria procurarei viver;
pois s� tu sois minha gl�ria,
minha hist�ria na terra e no c�u,
e o mundo ser� para mim a escora,
que tu foste outrora o meu maior prazer....
novembro/1964