UM
ANJO ENVIADO POR DEUS!
Elza Souto

Era uma noite muito fria,um mendigo estava sentado na cal�ada, tomava conta das crian�as de rua, que dormiam na outra cal�ada baldia; alguns tinham a pele nua...outros...a barriga vazia!...
E o bom mendigo n�o viu, que um outro mendigo surgiu vindo talvez da escurid�o e sentou-se ao seu lado...como se ali viesse em aben�oada miss�o!...
E os dois puseram-se a conversar sentados no meio fio, resolveram um ao outro abra�ar, por certo, na tentativa de conter o frio...
E aqueles mendigos velavam pelos pequeninos, talvez porque aqueles novos amigos e os pequenos, portassem um s� destino...
E conversa vai, conversa vem; nenhum declinou o seu nome, pareceu-me que ambos s� pensavam no bem daquelas crian�as transidas de fome!...
A noite j� ia alta, avan�ada enfim da minha janela escutei os dois mendigos conversando assim:
Como vai companheiro?
Ah, a gente vai como Deus quer...
come-se quando pode...
dorme-se onde der!...
E as crian�as? n�o t�m ningu�m por elas?
N�o tem, � uma pena...elas s�o crian�as belas!...
Ningu�m as v�m recolher? O inverno est� um verdadeiro rigor!
Se n�o lhes d�o cobertor, as pobrezinhas v�o morrer!...
Morre, n�o meu companheiro!...
Crian�a de rua tem a pele curtida, elas padecem de janeiro � janeiro, crian�a de rua n�o morre de frio, nem de calor, nem a fome a consome, passa batida!...
E as institui��es de caridade?
Ah! meu companheiro!
Todos gostam, poucos cuidam, muitos prometem, poucos ajudam, todos falam, poucos fazem, poucos levam, muitos trazem...
O mendigo visitante ficou pensativo, me pareceu que ele n�o atinava com o que o outro dizia, que pensou que fosse par�bola, que nada, nada entendia, conclu� ser muito dif�cil raciocinar com horr�vel frio e com a barriga vazia...
�, parece que s�o muitas!
Ah! s�o as centenas!
Tem umas que j� s�o crescidinhas!
Tamb�m muitas s�o pequenas.
Elas sempre dormem no frio?
Com fome tamb�m!
� verdade que ningu�m cuida delas?
Ningu�m.
Cad� os seus pais?
Devem ser pobres demais.
Cad� o governo?
N�o tem um vint�m!
Ent�o n�o tem quem as ajude?
N�o tem!
E o que se pode fazer?
N�o sei!
Como lhes dar o que comer?
O que eu tinha j� lhes dei.
E como o amigo comprou?
N�o comprei...ganhei!
E quem lhe deu?
Um anjo!
Um anjo?
Sim amigo! um anjo de verdade, s� por ele, as crian�as hoje tiveram o que comer, por esta demonstra��o de caridade, cada uma delas pode mais alentado adormecer!
E este anjo, tinha pouca ou muita claridade?
Tanta, que clareou esta parte da cidade!
Ele prometeu voltar?
Sim.Amanh� quando a noite chegar.
E se ele n�o vier?
Ele vir�, confio que ele vir�.
Tu sabes de onde ele vem? sabes qual � o seu nome?
Ele deve vir do c�u, e o seu nome advinhei!
Ent�o me diz do anjo, qual � a identidade?
Digo! Seu nome � Deus, bondade, luz, paz, amor, virtude e caridade!
Ah! ent�o Ele vir� sem falta! Se seu nome tem Deus na frente, Ele vir� , mesmo que a noite j� esteja alta!...
Sabe meu amigo, uma coisa observo agora! V�s trazeis do anjo as mesmas belas fei��es! o mesmo frescor do nascer de uma aurora, e um raio pungente com divinais clar�es!...
Ah! estimado companheiro, obrigado pela compara��o!
Sou apenas um mendigo, vago por esta cidade, sou um pobre enjeitado em busca de uma c�dea de p�o, sou mesmo considerado um p�ria da sociedade!...
E os dois se separaram, o visitante seguiu caminho, eu, encostada na janela, fui tomada por intensa emo��o, me vi possu�da por sentimentos de amor e carinho, e quando olhei para o lado, o qual o mendigo havia tomado dire��o, assustada percebi, apenas um lindo clar�o!...
Nesta noite fria eu me conscientizei, de que Deus possui v�rias imagens e finalmente para a realidade acordei e se Ele me fez assitir estas passagens, � que certamente assist�-las, eu precisei!
Agora, eu j� estou bem consciente, que posso ver Deus num mendigo, esta verdade latente, quero trazer sempre comigo!...
Muito feliz estou, por este meu despertar, por esta nova forma de vida.
N�o mais vou buscar Deus, sentado em um altar, nem numa estrada florida!...
Obrigada meu Deus, que usando um mendigo, fizeste a obra para este meu feliz acordar, mostraste que � meu pai, meu irm�o, meu amigo, e de agora em diante, s� vou viver pra te amar, muito te amar, para sempre te amar e amar!...
Abril-1999
Elza Souto,escritora mineira, residente em Brazl�ndia-DF.