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The thing that
should not be Eu ( Jonathas Torres mesmo, não é nenhum herói ou coisa do tipo ), numa manhã chuvosa, acordei tarde demais, perdi a aula. Ainda assim, fui até o colégio, para ver se conseguia entrar atrasado. Esperei 30 minutos pela coordenadora de turno. Bem, NÃO consegui entrar. Naqueles 30 minutos eu estava pensando em escrever um conto novo. Pensava em algo falando sobre mim. Algo místico, mas não heróico e épico como os outros. Apenas uma viagem que eu faria dentro de mim. Comecei a meditar. Pensei nas feras que existiam em meu mundo de fantasia, nas batalhas sanguinárias, na vida dos que matam. Cheguei a um lobo, a um homem-lobo, a um ser selvagem de ação selvagem, mas de intelecto raciocinante. Então, como sempre, vi o lado ambíguo da coisa: seres com ações racionais, porém desejos selvagens. Fui formando a fisionomia da criatura, sua personalidade, modo de pensar, preconceitos. Pude ver a criatura na minha frente. Ela era plausível, eu podia tocá-la, era como se eu conhecesse aquele ser. Eu realmente conheço. A criatura era tão plausível, tão conhecida, que falou!! Sim, aproximou-se de mim, em um mundo imaginário, ajoelhou-se ao banco de espera em que me sentava ( único objeto que sobrou do mundo real, na dimensão que agora me engolia, o único que eu sentia ) e dialogou comigo. Me senti um artista renascentista realizado. Ainda que na minha imaginação, minha criação tinha sido tão perfeita que obedeceu ao tradicional: " Parla!". Pensei então: "Deus! Como sou erudito!" e continuei a pensar na fera, tentando ouvir os pensamentos que minha criação me levava a ter. Confusos? Eu também estava. Para facilitar a narrativa, vou descrever a criatura. Alta, grande, peluda, com um focinho longo. Parecia um monstro mas movia-se de forma controlada e "humana" demais para uma criatura irracional. Era uma pessoa. De outra espécie ou raça, mas agia feito pessoa. Assim eu pensava. Gulliver descobriu os defeitos da humanidade viajando, fazendo seu trabalho. Eu descobri os defeitos da humanidade filosofando, fazendo meu trabalho. Mas nós dois descobrimos tais defeitos com outras criaturas, pois nunca teríamos capacidade de fazê-lo sozinhos. Zeus pôs os defeitos dos outros à nossa frente e os nossos às nossas costas Bom, talvez eu tenha feito, mas garanto que essas luzes não são originárias de minha imaginação ou gênio. Creio, na verdade, que tal criatura surgiu a meu espírito por meios, de alguma forma ( planar, planetária ), extraterrestre. Mas, não sei. Talvez apenas fruto de minha imaginação, só que tenho a sensação de que exista uma causa maior. Bem, sem mais rodeios, vamos ao meu diálogo com a criatura, que me falou e me surgiu, de forma direta: - Humano. Como você é arrogante. Como pode se orgulhar de mim como criatura sua? Como pode achar que me ordena, se nem consegue fazer imperar a ordem sobre você? - ele sabia o que eu pensava. - Quem é tu? Que diabo de pensamento... - eu não sabia me expressar direito, não tinha a mesma firmeza que ele, não conseguia. - Sou um ser puro, diferente de um híbrido feito você. Sou a tal fera que você escreve sobre. Sou a razão de um texto seu, uma idéia sua, uma luz de perfeição em sua cabeça, nada mais. - Ah, e o arrogante sou eu?! - disse eu, com o sarcasmo que adquiri em minhas brigas verbais no colégio. - Sim. Se julga quando não sabe o que é. Isso é ser arrogante. - Hã?! Que você acha que está dizendo, monstro! - eu não tinha medo algum, para mim era apenas uma reflexão, um delírio. - Deixe-me mostrá-lo. Olhe suas origens, olhe sua selvageria, olhe sua ordem, olhe sua morte. Veja o que você é! Não consegue, tradicional de uma raça maldita feito a sua, que não conhece a natureza, a origem da mente e da selvageria, a origem da lógica e do caos. Não nota o equilíbrio? É impossível evitar. Sua estúpida "civilização" formou-se na ordem, na ciência, na lógica. Uma vez que têm carência da efetividade da natureza, do caos e da selvageria, esses sentimentos se estabelecem reprimidos em suas fracas mentes e em seus corpos. Esses sentimentos os comem por dentro, enfraquecem suas almas, se tornam vícios, então, toda a sua civilização desaba. A força da natureza não pode ser detida, uma vez que vocês pensaram que a dominavam, ela os destrói, muito rápido, para os padrões dela, enquanto que para vocês é uma tortura mortal e lenta. - Nada que vocês sabem pode salvá-los. Sua única esperança é o encontro com uma civilização que seja caridosa com os ratos que vocês são e venha a ajudá-los. Mais nada pode ser feito. Quem quebra o ciclo é quebrado. Quem destrói a força é destruído por ela. Sinta o poder do equilíbrio. Sinta na sua mente uma selvageria ordenada, sinta a ordem selvagem. É impossível evitar. Agora irei. Espero que morra consciente e que não seja insignificante como os outros, não quero ter a sensação de lhe ver esvair de brilho e ver que gastei saliva dizendo a você sobre a ordem da realidade da Terra. Decido então levantar, ir atrás da Renita ( a coordenadora de turno ) e descobrir que não posso entrar. Volto para casa. A morte nos espreita, e apenas eu sei. Vou tentar salvar os que gosto.
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