FANTASMAS DO PASSADO

O Ceu escarlate e a terra marrom eram a unica lembrança do Cenario. Um Bando de soldados pesadamente armados caminham em meio a cadaveres e cadaveres de guerreiros, a grande maioria com o grito de morte fresco nos labios e o horror de uma ultima visao nos olhos.

Eles avançam ateh chegarem no meio do campo de batalha. Param, observam soldados vivos, cavaleiros, lutando contra um unico inimigo. Um ser que aparenta um humano de 2 metros de altura, magro, pele e cabelos Vermelhos, os esta fazendo em pedaços. O Homem sem elmo que parece ser o lider, o observa, e fala com um gesto do queixo para os que o acompanhavam.

"Matem-no."

Ele fica esperando. Tem total confiança que suas tropas darao conta de um unico inimigo. Mas nao eh o que acontece. Os soldados que engajaram combate tambem sao logo assassinados.

Ele fica parado, conturbado com a situaçao. Seus soldados. Seus amigos. Todos mortos.

Ele finalmente tira a espada da Bainha. Parece que perdeu a calma.

"Muito bem Monstro. Nao mataras mais! Assim diz sir Leonard!"

O Ser vira-se para ele e faz o pior ataque que jah sofreu: sorri.

Leonard corre com espada em punho em direçao a ele. 'Ele' nao parece se importar com o ataque do lider dos cavaleiros, mas num ultimo momento pega a espada de Leonard com a mao cheia de garras e a quebra. Joga os pedaços de metal no chao e fica observando seu alvo. Os olhos, tambem vermelhos e sem pupilas, parecem exalar uma inteligencia nao justificada pelos atos de seu dono.

Leonard nao se entregará tao facil. Ele soca o rosto 'dele' e sente uma grande dor na mao, apesar desta estar com uma manopla de aço. Seu corpo volta para tras com o impacto.

"Quem eh Voce? Por que fez isso?"

O Outro apenas sorri, e com um gesto de seus longos braços, pega ambas as maos de Leonard e as segura com força nas costas do Cavaleiro, levanta a outra mao, agitando as garras no ar.

"Nao! Espere!"

"NAAAAAAAO!"

Leonard acorda suado. O Pesadelo novamente. 'Ele' Novamente. Fica um tempo sentindo sua respiraçao voltar ao normal e levanta-se da cama com cuidado para nao Acordar Sarah, sua esposa, abre um bau silenciosamente e pega uma uma calça, um cinto e duas botas. As veste e sai de casa, sem camisa. Para na praça principal agora vazia do Feudo. Poe ambas as maos na mureta da fonte de agua. Olha para a estatueta de um anjo com um jarro, por aonde sai a agua, faz uma concha, pega agua e coloca seu rosto em contato com o liquido gelido. Esfrega no seu rosto com força.

Um guarda se aproxima ao longe.

'Nao pode estar acontecendo. Nao 'ele'. Nao agora.'

Leonard olha para a agua, e nao nota a aproximaçao de um guarda

"Ei voce! Vah dormir..? Sir Leonard?"

Leonard vira o rosto para o guarda, mas nao fala nada.

"Algo estah acontecendo?"

Leonard se lembra do guarda. Philip. Ele viu o garoto crescer e o ensinou as artes das espadas. Assim como a todos os guerreiros da vila.

"Nada Philip. Eu estou apenas sem sono. Pode continuar a ronda."

"Mas..."

"Eh uma ordem." Leonard diz seco, interrompendo o jovem guarda.

Assim que ele vira as costas, Leonard olha para baixo. Suas recordaçoes invadem sua mente. No inicio, durante sua terceira decada de vida, ocorriam de meses em meses. 'Ele' o espreitava. O Deixava inseguro. O Assombrava. Mas havia parado a cerca de dez anos. Agora voltou.

Nao estava mais na fonte, e sim no campo de batalha. Tambem nao era o presente, e sim a 20 invernos atras. Era um dos soldados...sim, a guerra nunca o deixara em paz, sua vida foi uma guerra. Mas essa guerra, contra 'ele', nao conseguia ser vencida. Talvez porque nao tivesse começado.

Apos derrubar alguns inimigos e machucar o ombro, o jovem Leonard cruzou uma clareira com tres companheiros. Eram o grupo que iria se infiltar no territorio inimigo.

Entao Robert foi puxado para cima e nao teve tempo de gritar. Samsom atingiu a provavel area do adversario com uma flecha, apenas para um Robert inerte cair sobre ele. Entao um ser desumano caiu das arvores atras do pequeno grupo. 'Ele'.

Percival tentou o atingir com o machado, mas nao surtiu muito efeito, o machado entrou em alguns milimetros da pele 'dele', que nem tentou se esquivar. As garras ceifaram mais uma vida. Samsom nao teve reaçao, pois jah estava caido e agora morto. Leonard, com o braço esquerdo inutilizado, empunhou sua espada longa e ficou na defesa, esperando um ataque provavelmente fulminante.

'Ele' sorri insanamente. Leonard, determinado, acerta a espada no flanco de seu adversario, um golpe que derrubaria qualquer humano, mas 'ele' apenas olha para a espada de Leonard e sorri novamente.

Entao Leonard levanta a espada e a desce com ela com força, alvejando a cabeça da criatura, que esquiva com enorme facilidade e com as garras ataca o tronco de seu espantado inimigo. Leonard cai sentado no chao. Parece nao ter mais forças para se levantar.

Ambos nao falam nada. Leonard fixa a visao 'nele' e espera o inevitavel.

'Ele' apenas sai vagaroso pela floresta, deixando Leonard sozinho com seus amigos e horrores.

"O que voce quer de mim demonio?!? Fale!" Leonard grita para a criatura de costas

"Falou alguma coisa, Sr?" O Guarda pergunta assustado. Leonard volta ao presente.

"Philip.....eu vou dormir. Devo estar cansado."

O Guarda olha para Leonard desconfiado.

Leonard sai de lah e ruma para a sua casa. Ele entra na porta aberta e ve Sarah sentada em uma cadeira.

"O que aconteceu, querido? Voce acordou derrepente, nao falou nada..."

"Nada aconteceu. Durma."

"Voce estah assim desde ontem quando saiu para caçar. Algo ocorreu lah?"

"Jah lhe falei que nao. Nao se preocupe e vah dormir. Eh o que eu vou fazer tb."

Leonard Tira as botas e deita-se na cama.

O sol mal tinha nascido e Leonard se levantou da cama. Nao havia dormido. A Experiencia lhe ensinara que uma estrategia boa poderia fazer um soldado valer por dois, e uma mah, fazer um soldado nao valer nada. Ele Atravessou a praça principal apressado, preocupado, bem contrario a seu custumeiro andar vagaroso. Para na porta de uma velha casa de madeira ao lado da Igreja e bate tres vezes na porta.

Ela abre, e uma Joven branca loira sorri ao reconhecer o Cavaleiro.

"Sr Leonard! O que o traz aqui?" Ela fala com um sorriso 50% inocente 50% malicioso

"Bom dia Gabrielle. Seu pai estah aih?" Leonard ignora a garota, alem de ser casado, nao estava com humor algum para falar muito.

A Garota ainda observa Leonard de cima a baixo, Ele tem que se esforçar muito para fingir convincentemente que nao notou, entao ela corre para dentro de casa

"Jah vou chama-lo!"

Leonard fica na porta esperando ateh que um homem grande, tambem loiro e com um grande bigode, aparece da casa e abre os braços com um sorriso de orelha a orelha

"Para quem eh a mensagem que o fez vir aqui, amigo?"


Leonard nao acompanha a felicidade do homem, e mal se meche

"Para o Palacio Real. Quero que vah entrega-la ainda hoje." Leonard

Leonard levanta a mao esquerda segurando uma carta.

O Homem arregala os olhos, Uma Carta do Chefe da Guarda da cidade, conhecido em todo o pais como um grande guerreiro, para o Rei, deveria ser algo serio

"E o que texto teria uma carta de tal importancia?"

"Se voce sabe que eh importante sabe que o motivo nao deve ser comentado." - diz Leonard

O Homem loiro sorri, parece que o Cavaleiro acordou de peh esquerdo...

"Nada humorado hoje Leonard. O que aconteceu?"

"Nada aconteceu. Mande ela hoje." Leonard fala direto e rapido, assim que o outro acaba de falar, e entao poe a carta na mao dele.

Ele se afasta da casa do Mensageiro e entra na igreja, o som do coro Municipal enche seus ouvidos. Se ajoelha, faz os custumes naturais: o sinal da cruz com a agua benta e avança, passa reto pelos oratorios e entra em uma porta adjacente.

Ele ve um Jovem padre rezando, Seu filho Edward. Muito se parece com Leonard, mas sem nenhuma ruga no rosto Joven, cabelos curtos e loiro clarissimos, quase branco, como o pai.

"Olah Edward." Leonard dah o primeiro sorriso, embora timido, do dia

O Jovem padre se vira e sorri ao ver o pai.

"Pai! O que o traz na morada do senhor?" Edward.

"Sem rodeios...eu estou querendo falar com alguem... Sua mae nao estah e dizem que os religiosos vivem para isso...tem um tempo livre?" Leonard

"Claro! Acompanhe-me." Edward se levanta e leva o pai para fora da igreja

Ambos começam a dar uma volta pela praça da cidade, em meio de Crianças brincando e velhos conversando, que os cumprimentam enquanto caminham.

"Sabe, quando o padre Baltasar prega que os fantasmas do passado vem assombrar os pecadores no presente, eu acreditava que era um simples sermao." diz Leonard

"Por que diz isso Pai?" Edward

"Por que se tornou verdade." Leonard

"Nao entendo..." Edward

"Acho que ha.....um demonio me perseguindo. Me encontrei com ele pela primeira vez quando tinha vinte anos. Ele me assombrou por quarenta estaçoes e sumiu..... Ontem....eu o vi novamente. Nao havia Envelhecido um dia." diz Leonard

O Jovem padre fica espantado com o relato do pai.

"Mas, mas..." Edward

"Esqueça. Nao deveria incomodar voce, meu filho. Conhecendo ele, vai voltar a me encontrar em cerca de um mes. Ateh lah, estarei preparado" diz Leonard

"Como?" Edward

"Mandei uma carta para o Rei. Certa vez, quando Ricardo nao era nossa Majestade, eu salvei a vida dele. Agora cobrarei a divida. Lhe Pedi que me enviassasse os Guerreiros mais fortes e Habilidosos que tenha ao dispor. Ele nao irah me decepcionar." Leonard

"E Caçarah o Monstro? Se ele eh um enviado do mal, apenas Deus e seus representantes podem combate-lo." Edward

"Nao se preocupe filho. Esse velho homem aqui jah fez o que tinha que fazer. Criei um filho e uma filha, e ambos me alegraram. Victoria jah estah casada e vc, apesar de nao ser o guerreiro que gostaria que seja, eh um Homem de bem. Eu jah nao temo mais a morte pq fiz tudo o que tinha de fazer em vida." diz Leonard

"Pai..." Edward

"Soh nao sei se vou para o ceu ou inferno!" Leonartd sorri e segue adiante. Edward fica ali, sabe que seu pai fala sobre isso apenas para lhe incomodar.


A Noite e o sereno caem sobre a carroça de madeira e lona. Os dois cavalos bem cuidados alimentam-se do pasto umido na divisa entre a floresta verde e a estrada de terra.

Deixar o cabelo crescer era apenas uma ideia. Assim como as rugas. Dentro da carroça Leonard e a moça estavam pouco preocupados com o que os cavalos estavam fazendo. Eles estavam se beijando e se abraçando freneticamente enquanto tentavam tirar a roupa um do outro.

Ela era Evelyn, uma ladra que ele havia conhecido na vila. Era a informante do grupo e a menos decente deles. Era tambem absoloutamente a mais linda, com sua saia pequena, seu manto com capuz, seus cabelos negros e lisos. Leonard havia gostado dela assim que a viu.

Entao, no apice de sua atividade, a lona da carroça eh levantada com força e uma figura pequena, mas estavel, aparece contra a luz da lua para surpresa dos dois amantes, que ficam parados observando o homem, Evelyn pega o pequeno punhal escondido embaixo da cama.

"Desculpe Sir Leonard, Srta, O Comandante O Chama. Parece que as tropas inimigas estao em movimentaçao. E rapida" Soldado

Leonard solta o ar, decepcionado. Ele se levanta e poe o cinto com suas armas na calça, fala para Evelyn que estah ainda deitada.

"Vamos. Toda a ajuda serah necessaria." Leonard

"Soh se terminarmos o que começamos depois" Evelyn sorri

"Mas eh claro" Leonard sorri tambem

Ele pula para o chao, vestindo a camisa e com a armadura leve de placas na mao, e a veste no caminho. ela apenas veste o manto e esconde o punhal na cintura. Os tres saem a caminhar apressadamente em uma trilha pequena no meio da floresta.

Entao uma figura magra e esguia pula das arvores para a frente do trio. Leonard, que estah na frente do grupo saca a espada. Seus olhos transbordam em furia

"Voce! esperei meses para vingar meus amigos!" Leonard

O Cavaleiro pula na direçao dos dois olhos vermelhos na escuridao, ambos se chocam e caem rolando lomba abaixo. Os outros dois seguem eles, preocupados

'Ele' Cai por cima de Leonard. Segurando as suas maos, o imobilizando. O Soldado que os acompanhava acerta as costas 'dele' com a maça, fazendo um ruido abafado. 'Ele' se vira e com um movimento rapido das garras, corta o rosto do jevem soldado, vazando olhos entre outros ferimentos. Com um berro forte o soldado cai no chao, agonizando.

Evelyn encara o estranho. Ela tira o pequeno punhal da cintura e fica em guarda. Avança. E ataca o pescoço 'dele'. Um movimento muito fatal. Mataria um homem nao importa sua altura ou Vigor, mas faz 'ele' apenas cambalear. Leonard levanta-se atras 'dele' e acerta com a espada o flanco do inimigo, causando dor insuficiente para um grunhido. 'Ele avança rapido e com uma mao pega Evelyn pelo pescoço, ela tenta o acertar com o punhal, mas 'ele' fecha a mao de dedos longos e afiados em volta do antebraço dela, a sua carne macia e bela sangra em dois lugares.

"Leonard!" Evelyn

Leonard empunha a espada com as duas maos e pula no adversario furioso. Ele acerta com toda a sua força uma espadada nas suas costas, com força tal que faz a espada quebrar. Leonard fica com as maos tremendo pelo impacto, e 'ele' quase cai. Soltou Evelyn.

"Fuja! Eu cuidarei dele!" Leonard

A garota sai correndo pela mata. Leonard se poe entre o ser e ela, empunhando a espada quebrada

"Agora eh apenas eu e voce, Maldito!" Leonard

'Ele' apenas ignora Leonard pulando por cima dele e sumindo rapido na mata. Leonard tenta segui-lo, mas sem sucesso. Ouve-se um grito de uma garota

Leonard corre na direçao do som ateh encontrar uma jovem caida no chao. Evelyn. 'Ele' fez de novo.

O Cavaleiro corre ateh ela e inclina com sensibilidade. Coloca a cabeça dela no seu peito. Seus olhos estao vermelhos, ela tem sangue saindo pela boca e pescoço

"Eh....acho que nao iremos.....terminar..... o que haviamos começado..." Evelyn sorri, seus olhos fixam e sua respiraçao para

Leonard força a cabeça morta dela contra o peito com força. Olha nos olhos fixos dela. Beija seus labios ensanguentados.

- "E acabo o meu relato. Ela foi a mulher mais linda que jah tinha conhecido.
Estava apaixonado. E haviamos nos conhecido a apenas algumas horas!" Leonard

O Ambiente de madeira do confessionario cheira a poh. Leonard, sentado fala com o homem do outro lado do pano; Seu filho, o Padre Edward

"E eu posso citar mais duzias de vezes como essa. E varios nomes que esperam ser vingados, amigos e mulheres..." Leonard

O silencio impera por alguns instantes, e entao eh quebrado pela voz jovem do Padre

"Mas.... este demonio nunca falou com voce, pai? Nunca disse porque o assombra, ou porque nunca o matou?" Edward

"Nao, e eu soh vou perguntar se tiver chance. Nao vou tentar criar chance para perguntar. Um gato pode brincar com um rato antes de mata-lo, mas se o rato fere o Gato, eh morto." Leonard

"Isso explica sua carta ao Rei. Voce pediu....ajuda?" Edward

"Exato. Parece que eu e estes homens o educaram bem." Leonard

"Pai...a vingança nao eh o caminho dos bons, Jesus nunca se vingou dos Romanos, nenhum homem santo o fez... Espelhe-se em Deus, faça dele seu caminh.." Edward

"Fale isso para ele. Estas paredes santificadas nao vao lhe ensinar nada sobre a vida, nao? Bons homens e Homens sao diferentes de demonios ou maus homens. E eu prefiro a etica dos homens" Leonard

"Mas pai... se o senhor seguir as regras de Deus, irah para o ceu, para o Paraiso unico e para sempre. Mas se escolher a vingança.." Edward

"Acha que eu vou para o ceu? HA HA HA...... nao, filho.... Eu jah fiz muitas coisas...e as encaro." Leonard

"Enquanto vivemos sempre temos tempo de nos redimir. Sempre." Edward

"Eu vivi. Tive alegrias, fiz muitos amigos, sobrevivi a muitas batalhas, criei um casal de filhos. Para minha vida ser plena, apenas presciso de uma pequena vingança" Leonard

"Entao.. nao vou convence-lo?" Edward

"Nao." Leonard

Leonard se levanta e sai da igreja. Nem mais obedece os rituais de se benzer ou coisa pareceida. Na verdade, ele tem agido muito estranho ultimamente: Dormia durante o dia para acordar a noite, se vestir como se fosse para uma batalha, com suas placas e sua espada; e ia para a floresta, aonde falava coisas sem muito nexo e as vezes atacava arvores em momentos de furia. Na manha ia para casa, aonde tomava um banho e dormia durante quase o dia inteiro. Saia a caminhar as vezes e a noite voltava a sua estranha atividade.

Os padres jah sussurravam pelos cantos sobre a sanidade do Cavaleiro. A Inquisiçao jah o observava com olhares de açogueiro, e ele sabia disso. Mas hoje, tudo seria resolvido A espera havia acabado. Apos um mes de prontidao, o plano estava dando frutos. Leonard foi acordado por uma esposa aflita pela chegada de um grupo de mal-encarados na cidade, que julgava serem Barbaros ou Vikings, mas estava errada. Eles eram o pagamento da divida.

Ele saiu de sua casa com seu peitoral de placas e o manto azul longo que sempre o acompanhavam. Nao era uma armadura nem leve nem pesada, companheira de guerra e a espada, que jah fora abençoada pelo Papa. Jah na praça, lotada, olhou demoradamente para os quatro homens que haviam chegado.

Um deles era Loiro com barbas de pele branca, um Viking, com uma cota de malha e um enorme Machado.

Outro era um grande Negro vestido apenas de uma tanga de pele e com varias armas artesanais de madeira e pedras.

O Menor deles era um homem vestido por uma roupa negra que cobria todo o corpo, com excesao dos olhos.

E o ultimo, o mais alto, um homem queimado pelo sol, careca e com diversas pinturas e adereços. Vestia apenas uma saia feita de uma especie de palha, com uma estranha espada inclinada e grande nas costas

"Elrik, O Viking;
Musafa, o Caçador;
Otomo, o Ninja;
Dharma, o Guerreiro.
Voces sao os homens mais perigosos e terriveis de todo o Mundo conhecido.
Sao Guerreiros e caçadores, chamados para ajudar em minha causa." Leonard

Todos permanecem quietos, menos o Viking, que fala aos berros. Este jah havia batalhado ao lado de Leonard um punhado de vezes, mas os outros eram desconhecidos

"Irmao Leonard, O que o Fez reunir tao odiaveis homens em tao bela cidade?"
Elrik Olha para uma das jovens curiosas que estao ali, e sorri para ela.

"Voces sao o pagamento da divida. E o Fim de meu pesadelo." Leonard

"Voce fala por enigmas" Dharma fala frio "Explique-se."

"Ha um....ser. Ele me assombra desde minha juventude. Me ajudem a caça-lo e
a mata-lo." Leonard

"Simples. Quando começamos?" Otomo

Leonard olha para cima e inspira o ar com força. Depois o solta vagarosamente.

"O Mais rapido possivel. Quero que cacem em conjunto, pois jah vi muitos homens valorosos cairem sobre ele. Sua pele eh grossa como pedra e ele eh rapido como uma aguia. Eh o melhor que jah vi. Gostaria de captura-lo vivo, mas apenas se nao tiver perigo nenhum. Nao voltaremos todos, tenho certeza, e se eu cair, por favor deem cabo do miseravel. Vamos." Leonard

E os cinco homens saem em direçao da floresta, acompanhados pelos olhares de toda a cidade.

O Quinteto penetra na floresta. Leonard tem que se esforçar muito para acompanhar os outros. Sua epoca de lutas passou, essa seria a ultima batalha de sua vida, e a mais dificil. Jah havia lutado em menor numero, contra inimigos a cavalo, com a cintura para baixo na agua, mas todas estas batalhas haviam sido contra homens ou um ocasional lobo, mas todos tinham um comum: Podiam ser derrotados. Mas essa batalha, Leonard tinha duvidas...

Na frente ia Musafa, com o rosto quase colado ao chao, A Direita ia Elrik, segurando seu grande machado ia pela Direita. Otomo na esquerda, quase impercebivel, e Dharma ao fundo, parecia que caminhava em uma cidade, mas seus olhos eram os mais atentos.

Leonard ai no centro. Estava sizudo e calado, apesar de nenhum dos cinco ter falado qualquer coisa desde que tinham entrado na mata. Algo o enervava. Conhecia pouco sobre os homens que o acompanhavam, na verdade sabia apenas o necessario: eram matadores frios e Otimos Guerreiros/Caçadores. Apenas Elrik ele conhecia, que jah havia guerreado ao seu lado.

Entao Ele apareceu, saindo das arvores. Nao parecia querer embosca-los, jah que veio pela frente. Parou de peh, analizando-os, e esperou por alguma atitude do grupo, a qual foi devidamente esperada, todos atacaram, mesmo sem nenhuma ordem, pularam ao ataque.

Leonard tentou correr, um clarao rapido de luz atingindo todo o seu angulo de visao, e ele nao estava mais lah.

Estava em outro lugar, outro tempo. Uma clareira muito familiar. Nao se lembrava de onde ou quando era, mas foi uma parte de sua vida, se lembrava de apenas isso. Outro clarao. A batalha. Os quatro estavam em cima da criatura.
Volta para a cena do passado. Uma casa. A dele, aonde nasceu e viveu ateh os 15 anos. O Primeiro caiu. Mas a visao foi tao rapida que nao deu para ver qual dos mercenarios foi. Anda em direçao a casa. Para na frente da porta. Mais um dos quatro morre. Mas 'ele' estah ferido. Abre a porta vagarosamente. Estah escuro dentro. Elrik acerta com o machado as costas da criatura. Pela primeira vez se ouve sua voz, em um grito. Eh um som extraterrestre, muito forte, mas Leonard o acha estranhamente familiar. Leonard entra na casa, e acerta com força a janela, fazendo a luz do sol entrar. Um homem magro, velho e doente, deitado em uma cama.

Elrik cai. O ultimo Guerreiro parece ter fugido, jah que Leonard nao o ve.

"Pai?" Leonard

A Criatura se aproxima, vagarosa

"Muito bom...... filho.... Eu nao conseguiria fazer o que voce fez....."

O Olhar do ser mudou. Parece furioso, em vez do peculiar olhar curioso de outrora

"Pai? Voce eh.....?" Leonard

Suas garras estao sangrando.

"Eu queria viver... nao morrer...."

Ferido. Muito ferido para ser mais exato. Cortes grandes e profundos

".... Fiz um pacto com um demonio...."

Cambaleia. Mas segue andando.

"... vida eterna..... ver voce crescer....poder andar novamente"

Respira com dificulade.

"...fui enganado..."

Distingue Otomo, Musafa e Elrik. Aonde estaria Dharma?

"...ele prescisava de um corpo fisico.... era um parasita...."

Com dificuldade, arranca uma arvore que impedia o caminho. Parece mais fraco.

"No inicio tentava visita-lo.... depois... queria que me matasse.... mas.... ele sempre conseguia o controle de novo. Perdoe-me... nao fui forte o bastante..."

Chega em Leonard. Parece estar recuperando o folego.

Leonard pega a mao do pai. Percebe, na palma, sua marca de nascença, um sinal em forma de T.

'Ele' leva a mao atras para o golpe final. Na palma, o T.

"Mate-o Leonard...."

O Golpe vinha certeiro. Quando quase acerta, gira no ar e cai no chao, com um metro de aço indiano cravado no peito. Dharma.

O Indiano cai exausto. Os Claroes acabaram. Leonard saca a espada

"Demonio! Sua existencia acaba agora!" Leonard

A Espada companheira eh sacada. A criatura se levanta. Ambos se olham nos olhos. Ele retira a espada de Dharma do peito. Ofegante, mas nao o suficiente para deixar de ser perigososo.

Os dois pulam. Cada um ataca o outro ao mesmo tempo, Leonard crava sua espada no ferimento do Demonio, e se esquiva do ataque dele. Caem de peh. O Demonio começa a se contorcer e berrar com sua voz alienigena ateh virar poeira. Resta apenas a espada.

Leonard pega a espada. Olha os cadaveres em volta. Apenas sua respiraçao eh ouvida. Ele crava a espada no chao.

"Disse que seria minha ultima batalha. Pode descansar, amiga."

Chega na vila ao anoitecer. As pessoas o esperavam, Edward foi o primeiro a falar-lhe.

"Pai?" Edward olha com um olhar de curiosidade e tristeza

Leonard o observa por um longo tempo antes de falar.

"Voce conheceu seu avo?" Leonard

"Nao..." Edward, muito confuso com a pergunta.

"Era um bom homem." Leonard

Leonard anda em direçao a sua casa, mas para antes de chegar lah.

"Filho... estive muito preocupado com o passado. Arrangem outro chefe da guarda, meus dias de batalha chegaram ao fim." Leonard

"Voce parece ter retornado ao seu estado natural, amigo" O Padre da vila, feliz, mas ainda incerto "O que aconteceu na floresta?"

Leonard olha para cima.

"Corrigi um erro." Leonard

 

              
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