Os Passes
Apesar de conhecidos desde as civilizações da Antiguidade oriental e
utilizados pela cultura clássica ocidental o poder do pensamento e a ação do
toque terapêutico, foi Jesus, no entanto, quem melhor os aplicou a benefício
da criatura humana.
Antes dEle, utilizando-se de processos complexos e sugestivos, os
sacerdotes e os gurus de diversas doutrinas esotéricas contribuíam para
a recuperação da saúde dos enfermos que os buscavam, mediante gestual bem
elaborado e mantrans que ensejavam a captação das energias que
exteriorizavam, facultando-lhes reestruturarem a organização física e
harmonizarem a emocional, avançando para o equilíbrio fisiopsicológico.
As cerimônias religiosas com objetivos terapêuticos misturavam a
fitoterapia com as artes mágicas, enquanto os iniciados dispensavam as
energias salutares que eram assimiladas pelos necessitados que se lhes
entregavam.
A introspecção, a meditação, os cheios e sacrifícios outros
que eram impostos aos candidatos, tinham por finalidade facilitar o
autodescobrimento, propiciando-lhes o conhecimento dos recursos psíquicos e
magnéticos que lhes jaziam adormecidos e aos quais podiam recorrer para
modificar as paisagens humanas infelizes e os corações sofridos.
Jesus, porém, conhecendo o processo pelo qual se manifestavam
as Suas energias superiores, demitizou as velhas fórmulas sacramentais e
aplicou-as de maneira variada, e sem alarde, conforme a patologia de cada um que
O procurava.
Estabelecendo na fé dos pacientes um paradigma para os
resultados eficazes, estimulava-os à perfeita sintonia com o Seu pensamento,
a fim de bem assimilarem os recursos curativos que lhes ministrava.
Sem violentar o livre-arbítrio de cada qual, aguardava que Lhe
fosse solicitada a ajuda, e, não raro, por Sua vez, indagava se a pessoa
acreditava que Ele a poderia curar, despertando-lhe as adormecidas
possibilidades de captação das vibrações favoráveis seu restabelecimento.
Graças à aquiescência, Ele infundia valor moral ao enfermo e
direcionava-lhe as energias restauradoras da saúde, assim como aquelas que
induziam os parasitas espirituais que se lhes mantinham em conúbios
obsessivos a se afastarem das suas vítimas.
Recorreu ao toque suave e doce, à voz altissonante e lúcida,
à vontade imbatível, assim como aos meios materiais, quais o realizado com o
nado cego, ou apenas ao Seu pensamento sempre com resultados perfeitos...
E
desfilaram diante dEle as misérias morais e espirituais humanas, que
bondosamente atendeu, tomado de infinita compaixão...
Depois dEle, inúmeros missionários recorreram aos mesmos recursos,
conscientes de que, mediante a fé, poderiam fizer muito do que Ele realizara,
reconhecendo, porém, as parcas possibilidades de que dispunham, aplicavam as fórmulas
que O antecederam, tanto quanto as técnicas que Ele utilizara, reunindo em
tratados para estudos os métodos de direcionamento da energia curativa.
Graças, no entanto, à Doutrina Espírita com a revelação da
Lei dos Fluídos, se alargou a compreensão em torno dos inimagináveis
tesouros fluidoterapêuticos ao alcance de todos quantos se ofereçam ao ministério
da caridade para com o seu próximo, na condição de terapista espiritual.
Os passes ou a aplicação da bioenergia são valiosos procedimentos
de socorro aos enfermos de todo matiz que enxameiam no mundo.
Compreendendo a gravidade do ministério e instrumentalizando-se
moral e espiritualmente o passista deve alterar completamente a conduta
mental e comportamental anterior, a fim de enriquecer-se de forças psíquicas e
bioenergéticas para melhor transmiti-las.
A superação dos hábitos viciosos, o desencharcamento dos tóxicos
fluídicos inferiores, dos pensamentos vulgares e insanos, do tabaco, do álcool
e de outras drogas químicas aditivas, energizam o devotado obreiro da saúde
física e espiritual que, munido dos tesouros do amor e da oração, se coloca a
serviço dos Espíritos superiores para tornar a vida humana melhor e mais
rica de saúde e de paz.
Concomitantemente, cabe-lhe instruir o paciente com informações
claras e enérgicas, que o auxiliem a não retornar aos comprometimentos
anteriores a que se entregava, para que não lhe aconteça nada pior, conforme
advertia Jesus.
A terapia pelos passes, destituída de gestual cabalístico ou de
propostas sugestivas, supersticiosas, deve infundir ânimo e despertar reflexão
naqueles que lhe recorrem ao processo de recuperação.
Por meio de uma sintonia harmônicas com as Esferas espirituais
elevadas, agente e paciente da terapia pelos passes conseguirão harmonia
interior, saúde e paz, mesmo quando por ocasião dos momentos difíceis do
testemunho e das provações.
Ao alcance de todos quantos desejem renovação, os passes deverão
servir de procedimento de emergência antes de serem tomadas outras providências,
assim constituindo notável contributo de sustentação para as atitudes
posteriores a serem utilizadas.
Através dos passes, da transmissão de forças vivas,
canalizadas para os enfermos de ambos os planos da Vida, os Espíritos perversos
e alucinados igualmente se beneficiam e podem ser deslocados dos seus hospedeiros,
ensejando a recuperação moral da vítima e o esclarecimento do algoz.
Nos transtornos, portanto, obssessivos, os passes são de
salutar resultado, propiciando a renovação do campo vibratório do enfermo e
alterando a indução perturbadora que é imposta pelo hóspede indesejado
mas portador de grande energia deletéria.
Face aos problemas perturbadores nas áreas da saúde e da
conduta, os passes constituem precioso recurso terapêutico que deve ser
buscado, a fim de que ocorra a instalação do bem e da alegria de viver em
todas as criaturas.
Manoel
Philomeno de Miranda
(Página psicografada pelo médium Divaldo P. Franco, na sessão mediúnica
do dia 29 de agosto de 2001, no Centro Espírita Caminho da Redenção,
em Salvador, Bahia.).