"Que
o médium que não sinta com forças de perseverar no ensino espírita se
abstenha,
pois, não tornando proveitosa a luz que o esclareceis, será mais
culpado e
terá de expiar a sita cegueira."
Pascal - "O
Livro dos Médiuns ", Allan Kardec, cap. XXXI - Dissertação nº 13
Toda
empresa humana responsável exige de seu operário que seja esforçado e
atencioso, que estude sempre e aprenda continuadamente para se desenvolver,
adquirindo competência e eficiência. Da mesma forma, o Espiritismo isto espera
de seus profitentes
A
Doutrina Espírita não alimenta ilusões nem fantasias de menor esforço para
nenhum adepto, muito menos para aqueles que pertencem ao quadro de trabalhadores
efetivos. No trecho em referência, o espírito Pascal em outras palavras quer
nos dizer: ao médium que não se interessar pelo conhecimento da Doutrina Espírita,
melhor será para ele abster-se da prática medianímica, ou seja, que paralise
suas atividades, porque assim estará se isentando de cometer absurdos doutrinários,
por permanecerem voluntária cegueira espiritual.
Não
se justifica nenhum médium ficar longo período da vida em estado de ignorância
doutrinária e estagnação moral, pois necessita alcançar a posição respeitável
de bom instrumento psíquico afinado com as notas divinas da Doutrina dos Espíritos,
para agir proveitosamente, tirando o máximo de crédito e lucros espirituais.
O
médium espírita não poderá contar somente com a luz de seus guias
espirituais. Indispensável conquistar sua própria luz interior, porque o guia
nem sempre estará de sentinela, protegendo-o e livrando-o das dificuldades e
tentações. Como manter o médium a sintonia mental elevada, a inspiração
superior e a intuição construtiva, se pouco se interessa pelo estudo sério e
aprofundado do Espiritismo, muito especialmente as obras de Allan Kardec? Como
amar uma doutrina que muito mal conhece? O espírito Emmanuel no livro "O
Consolador", na questão n° 392, afirma, quanto ao dever de todo
medianeiro espírita:
"O
médium tem obrigação de estudar muito, observar intensamente e trabalharem
todos os instantes pela sua própria iluminação".
Quem
serão esses médiuns? Obviamente, são todos aqueles engajados na casa espírita,
principalmente das equipes de desobsessão, trabalho de passes, tratamento e
cura espirituais.
Aqueles
que se destacam pela sua força mediúnica e faculdades psíquicas avantajadas
deveriam, com maior devotamento, se entregar à sagrada obrigação de estudar
com mais seriedade e disciplina as obras espíritas, pois estão se posicionando
como orientadores da multidão e aglutinadores das atenções para o
Espiritismo.
No
contato com dirigentes de centros espíritas, conversando sobre grupos mediúnicos,
chegamos à conclusão de que diminuta é a percentagem de medianeiros que
verdadeiramente gostam de estudar e aprender manuseando, principalmente, as
obras básicas do Espiritismo.
Na
atualidade, o médium espírita precisa estudar Kardec com método e perseverança,
seja em particular - em sua residência - ou em equipe, principalmente na casa
espírita, na forma de "Círculo de Estudos", onde encontrará a
luminosa oportunidade de dialogar, debater, opinar, ouvir diversas interpretações
e dar também o seu entendimento, tudo dentro de um ambiente fraterno e
familiar, promovendo luzes de verdade para todos.
Os
médiuns que não gostam de estudar a Doutrina estão numa posição muito
estranha, porque desejam servir com os espíritos da luz para consolar e
esclarecer multidões de criaturas ignorantes, sendo que, por sua vez,
permanecem com o cérebro embotado ao discernimento kardequiano. Os médiuns
levianos fogem do esclarecimento espírita, alegando:
"Eu
gosto mesmo é de trabalhar na mediunidade e ajudar os que mais sofrem, enfim
fazer a caridade que Jesus nos ensinou. Não gosto da teoria! É muita falação!
Eu prefiro a prática!
O
que conheço de Espiritismo, somado à minha experiência, já é o bastante. Não
preciso de mais estudo. Estudar muito a Doutrina perturba minha mente e o meu
trabalho".
Quanto
de presunção e de vaidade encontramos nestas palavras saídas da boca de médiuns
orgulhosos!
Devido
aos médiuns, em grande maioria, não buscarem a pureza dos ensinos kardecistas,
encontramos com facilidade por toda parte, centros espíritas realizando
trabalhos mediúnicos os mais absurdos e exóticos, com absoluta ausência de
disciplina, discernimento e prudência tão apregoados por Allan Kardec.
Alguém
poderá indagar: Por que o bom médium precisa estudar, se ele sempre está com
os mentores espirituais? Responderemos: Naturalmente, porque ele não é uma
criatura infalível e nem possui privilégios e proteção especial dos Espíritos
Superiores. O médium espírita é um aprendiz como qualquer outro companheiro
de fé; um aluno necessitado de se iluminar constantemente; um discípulo
chamado a conquistar as virtudes cristãs; um canal mediúnico sujeito a receber
e aceitar tanto a inspiração de entidades benfazejas como das inteligências
perversas e mistificadoras, dependendo sempre da direção e uso que dê à sua
força mediúnica.
O
estudo sério nunca perturbou ou fez adoecer pessoa alguma. Sendo assim, o médium
precisa amar mais a Doutrina Espírita, estudando-a com prazer e disciplina,
aplicação e perseverança.
"Mediunidade
e Discernimento", Ed. Didier,
Aliança Espírita - Julho de 2000