FILHOS COM DEFICIÊNCIA
A expectativa que toma conta do período de gestação da mulher é tão
especial e admissível que justifica-se a frustração ou a amargura que envolve
tantos corações, quando constatam que seus rebentos, ansiosamente aguardados,
são portadores de deficiência física ou mental ou a conjugação de ambas.
Compreensíveis a dor e a surpresa que se alojam nas almas paternas, ao começarem
a pensar nas limitações e conflitos, agonias e enfermidades que acompanharão
os seus filhos, marcados, irremediavelmente, para toda uma existência de dependências
e limitações.
Quantos são os pais que, colhidos no amor próprio, fogem da responsabilidade
de cooperar com os filhos debilitados? Quantas são as mães que, transformadas
em estátuas de dor ou de revolta, abandonam os filhos à própria sorte,
relegando-os aos ventos do destino?
Entretanto, levanta-se um enorme contingente de pais e de mães que, ao
identificarem os dramas em que se acham seus filhos inseridos, enchem-se de
ternura, de dedicação, vendo nas limitações físicas ou mentais destes,
oportunidades de crescimento e enobrecida luta em prol do futuro feliz para
todos. O filho com deficiência geralmente é alguém que retorna aos caminhos
humanos, após infelizes rotas de desrespeito à ordem geral da vida. Os filhos
lesados por carências corporais ou psíquicas estão em processo de
ressarcimento, havendo deixado para trás, nas avenidas largas do livre-arbítrio,
as marcas do uso da exorbitância, da insubmissão ou da crueldade.
Costumeiramente, os indivíduos que se valeram do brilho intelectual ou da
sagacidade mental para induzir ao erro, para destruir vidas no mundo, para
infelicitar, intrigando e maldizendo, reencarnam com os centros cerebrais
lesados, em virtude de se haverem atormentado com suas práticas inferiores,
provocando processos de desarranjo nas energias da alma, localizadas na zona da
estrutura cerebral. Não só intelectuais degenerados renascem com limitações
psico-cerebrais, tocados pela síndrome de Down, mas, também, os que
mergulharam nas valas suicidas, destroçando o cérebro e os seus núcleos
importantes sob graves distúrbios que deverão ser recompostos por meio da
reencarnação.
O despotismo implacável pode gerar neuroses ou epilepsias; o domínio cruel de
massas indefesas e desprotegidas pode produzir os mesmos efeitos. Os homicídios
cruéis podem acarretar infortunados quadros epilépticos, produzindo sobre a
rede psico-nervosa adulterações nas energias circulantes, provocando panes de
freqüência variada, de caráter simples ou crônico.
Seus filhos com deficiências podem estar em alguma dessas condições,
necessitados da sua compreensão e assistência, para que sejam capazes de
superar as próprias deficiências com resignação e esforço íntimo,
suplantando-se a si mesmos, rumando para Deus, após atendidos os projetos
redentores da divindade.
Ame seus problematizados do corpo ou da mente, ou de ambos, cooperando com eles,
com muita paciência e com ternura, para que possam sair vitoriosos da expiação
terrena, avançando para mais altos vôos no rumo do nosso Criador. Forre-se de
carinho, de paciência, de tranqüilidade interior, vendo nesses filhos doentes
as jóias abençoadas que o Pai confia às suas mãos para que as burile.
Por outro lado, vale considerar que se você os tem nos braços ou sob a sua
assistência e seus cuidados, paternais ou maternais, é em razão dos seus
envolvimentos e compromissos com eles.
Você poderá tê-los recebido por renúncia e elevado amor de sua parte, mas,
pode ser que você esteja diretamente ligado às causas que determinaram os
dramas dos seus filhos, cabendo-lhe não alimentar remorsos, mas, sim, auxiliá-los
e impulsioná-los para a própria recomposição, enquanto você, igualmente,
avança para o Criador.
Do livro: "Nossas Riquezas Maiores", pelo Espírito Thereza de Brito
cap. 44, Editora Fráter Livros Espíritas