FAMÍLIA
São as grandes forças
da gravitação e do magnetismo que organizam na família a base estrutural de
tudo quanto existe. Os astros se movem no espaço em sistemas solares, e os
sistemas solares se agrupam em galáxias e aglomerados, que são famílias
siderais, regidas por suas estrelas solares. Toda matéria inerte é compacta
família de moléculas interligadas. Todo tecido vivo é conjunto de células
que se interagem. Tudo o que existe na Natureza integra-se em alguma família de
seres ou de coisas. O próprio universo é imensa família, a grande família de
Deus.
As
famílias se formam no enlace inicial de dois seres, ou de duas coisas, que se
atraem pela força natural de um magnetismo irresistível que impele à agregação.
Essa conjugação gera núcleos que se desdobram em novos núcleos,
multiplicando-se em processos de infindável crescimento.
No
seio fecundo das famílias eclode a vida. No turbilhão das nebulosas surgem
constelações. Na espessura das sementes guardam-se frutos futuros.
Na tessitura dos ninhos aves preparam novas asas para
novos vôos. Cardumes vencem correntezas em rios encachoeirados, para a festa de
novas procriações.
No
recesso dos lares, mães em potencial alimentam nos úteros crianças do amanhã.
Famílias
se multiplicam e se sucedem, forjando povos e civilizações, na progressão
incessante do porvir.
Famílias
reunidas compõem comunidades, e as comunidades se estendem, multifárias, na
Natureza. Peixes reúnem-se em cardumes; e vegetais, em florestas. Grãos de
areia alongam-se em dunas e praias. Minerais erigem-se em montanhas e pedreiras.
Animais juntam-se em manadas, enxames e colméias.
Gotas de
vapor d'água desenham nuvens na atmosfera. Move-se o ar em aragens, lufadas e
furacões. Grânulos de terra compactam-se em planícies e planaltos. Fluxos oceânicos
produzem correntes e ondas. Cristais de gelo engendram icebergs e calotas. Micróbios
ligam-se em colônias, e as estrelas do céu moldam constelações.
Costuma-se
definir componentes da família humana os pais, os filhos, seus ancestrais e
descendentes, e os colaterais, como primos, sobrinhos, cunhados, genros, sogros,
noras, e também, de certo modo, pessoas afins, como padrinhos, madrinhas,
padrastos, madrastas, compadres, e amigos íntimos de longa data.
Leis,
tradições e usos estabelecem, em cada país, os direitos e deveres nas relações
familiares, mas o instinto natural prevalece em toda parte, garantindo a
sobrevivência das espécies. Basta ver com que cuidado, dedicação e coragem
os animais alimentam e defendem suas crias. Vegetais produzem sementes, mudas,
flores e frutos, buscando reproduzir-se. Até os minerais resistem a mutilações
em sua integridade, como pedreiras e jazidas, cuja exploração pelo homem só
se processa pela força de picaretas e explosões.
As
crianças do sexo masculino nascem dotadas, pela Natureza, de características
especiais, para o futuro exercício das elevadas funções da paternidade
responsável. Seu organismo infantil possui, desde o berço, as condições
necessárias para o vindouro desenvolvimento de forte musculatura, ossada
resistente e bolsa escrotal apta para armazenar e fornecer, na forma e nas
circunstâncias apropriadas, o sêmen fecundante, capaz de produzir filhos saudáveis.
Seu preparo educacional compete, normalmente aos seus tutores familiares e
sociais, mas o homem precisa preparar-se desde a juventude para o seu magno
destino. Sonhará, decerto, com formosos castelos de amor, nas florações da
adolescência, mas importa não permitir que ideários desrespeitosos e malsãos
envenenem a dignidade dos seus sentimentos, ou que suas energias vitais se
prostituam nos lamaçais da promiscuidade irresponsável. Nasceu para ser pai, e
ser pai significa, antes de tudo, ser o iniciador, chefe e guardião de uma nova
família humana, o forte, corajoso e dedicado companheiro da mulher que eleger
par ser a mãe dos seus filhos.
A mulher-mãe
é o fulcro magnífico para o qual tudo converge e do qual tudo se irradia. Ela
é o poder moderador do reino familiar, o esteio amoroso do companheiro, a
administradora providencial dos recursos do lar. Amamentando os filhos, não só
os alimenta, também os vacina contra numerosos perigos que possam afetar-lhes a
saúde. será sempre, para eles, a conselheira afetuosa e confiável, diligente
e acolhedora.
Os filhos
devem aos seus pais não apenas a herança corporal, mas o amor incomparável
que nada neste mundo pagará. Seu procedimento na vida poderá ser, para eles, a
pior das tristezas ou a maior das alegrias.
A família
humana é o fundamento de todas as comunidades sociais, a semente da qual
nascem, com seus defeitos e virtudes, os povos e as nações. Mas a família
verdadeira, a família real, não se restringe aos laços corporais de carne e
sangue. Além dos sistemas solares e dos sistemas atômicos, existem os sistemas
anímicos, as famílias espirituais, estruturadas nos evos insondáveis do espaço
e do tempo, imorredouras na sua infinita progressão. As forças de coesão que
ligam as moléculas nos blocos de pedra não se dissolvem no tempo. Assim como
as nuvens de gás turbilhonam em nebulosas e explodem nos vórtices que geram as
estrelas, assim também os remoinhos da evolução ligam para sempre, nas tensões
dos esforços ascensionais compartilhados, as almas imortais que avançam
juntas, nos trilhos milenares das experiências vitais, consolidando liames
indeléveis de amor indestrutível nos Espíritos imortais que ascendem,
interligados, nas lides de crescer e amadurar para glória da vida. Essas famílias
espirituais são como sistemas solares, que também se aglutinam com outros
sistemas semelhantes, formando galáxias e constelações espirituais nos
universos infinitos da Criação Divina. Refere Emmanuel que o nosso Cristo,
governador espiritual do orbe terráqueo, integra a Comunidade dos Espíritos
Puros que governa o nosso sistema solar.
As famílias
humanas crescem, mas o seu crescimento é limitado, porque depende de
condicionamentos restritivos para a procriação dos seus membros componentes, e
seus registros quase sempre se perdem no tempo, como se confirma nas chamadas
"árvores genealógicas". Ao contrário, o crescimento das famílias
espirituais é ilimitado e constante, porque os Espíritos se relacionam
incessantemente uns com os outros, forjando múltiplos e vigorosos laços de
interesses e afetividade. Isso os leva a integrar-se também noutras greis
familiares, sem perder os liames ancestrais que lhes são próprios.
Além
disso, o contato forte e permanente com inúmeras vidas inferiores faculta aos
Espíritos o apadrinhamento de muitos seres ainda em vias de espiritualização,
dentro dos mecanismos divinos de co-criação, no dilargamento da fraternidade
universal. Têm o mais alto sentido as palavras do Mestre, registradas por
Mateus. Disse Jesus: "Não desprezeis nenhum destes pequeninos, porque vos
afirmo que os seus anjos, nos céus, vêem incessantemente a face de meu
Pai". Na verdade, todo ser vivente integra-se em alguma família, e cada
família espiritual se estende dos círculos mais recônditos até os píncaros
dos céus.
Numerosos
relatos divulgados em nossa literatura mediúnica dão notícias comovedoras de
mães, esposas, pais, filhos e avós desencarnados capazes de superar com heroísmo
todas as dificuldades, e sacrificar meritórias conquistas pessoais, para
socorrer e salvar seres amados em aflitiva situação. São eloqüentes
testemunhos de renúncia e abnegação das famílias espirituais, cujo amor tudo
vence, além do espaço e do tempo, da morte e da dor.
Nem
sempre, porém, o lar da família é um ninho acolhedor de amor e paz,
entendimento e ventura. Nele podem entrechocar-se, muitas vezes, inimigos
ferrenhos de outras eras, sedentos de vingança, antigos credores prejudicados
que exigem reparações. Quem tirou a vida de outrem pode receber,
inconscientemente, como filhos, no recesso do seu próprio lar, aqueles que
assassinou, para devolver-lhes os corpos ceifados. Quem lançou pessoas à
desgraça pode ser forçado, sem saber, a cuidá-las sacrificialmente no seio de
sua própria família, para restituir-lhes a alegria de viver. Quem levou alguém
à depravação e à delinqüência terá de reconduzi-lo à senda do bem, por
mais que isso lhe custe. Quem desmantelou lares alheios precisará esforçar-se
bastante para reconstruir seu próprio lar.
Sempre se
recolhe na vida o que se planta, porque a justiça perfeita é lei divina.
Não é por
castigo que se sofre, e sim para que se recomponha a harmonia da vida. A família
também é, portanto, bendita escola onde se aprende o abecedário do amor, um
campo de provas onde se exercitam, na prática, a ciência e a arte de viver, e
uma sagrada oficina onde se forja, no dia-a-dia, a grandeza do futuro.
Autor:
HERNANI T. SANT'ANNA
Fonte: Revista "Reformador" - Janeiro/1999
O
HOMEM E A MULHER
São iguais perante
Deus o homem e a mulher e têm os mesmos direitos?
Essa pergunta
foi feita, no século passado, por Allan Kardec aos Espíritos Superiores e a
resposta deles foi uma contra pergunta: "Não outorgou Deus a ambos a
inteligência do bem e do mal e a faculdade de progredir?"
Os Benfeitores
lançaram, em pleno século dezoito, um desafio para a sociedade da época, que
tinha no homem um ser superior à mulher, a quem esta devia obediência e
respeito.
É incontestável
que homens e mulheres têm os mesmos direitos, com variações apenas quanto às
funções que cabe a cada um junto à sociedade.
Sobre essa questão,
Kardec perguntou aos Espíritos: "As funções a que a mulher é destinada
pela natureza terão importância tão grande quanto às deferidas ao
homem?" Eis a resposta: "Sim, maior até. É ela quem lhe dá as
primeiras noções de vida."
Nessa afirmativa
dos Benfeitores, fica claro que a maternidade é uma das funções que cabe à
mulher, bem como as primeiras noções de educação.
Vitor Hugo,
poeta e romancista francês que viveu no século passado, escreveu uma belíssima
página sobre o homem e a mulher, que vai aqui reproduzida:
O homem é a
mais elevada das criaturas. A mulher é o mais sublime dos ideais.
Deus fez para o
homem um trono; para a mulher, um altar. O trono exalta; o altar santifica.
O homem é o cérebro;
a mulher o coração. O cérebro produz luz; o coração, o amor. A luz fecunda;
o amor ressuscita.
O homem é o gênio;
a mulher o anjo. O gênio é imensurável; o anjo indefinível.
A aspiração do
homem é a suprema glória; a aspiração da mulher, a virtude estrema. A glória
traduz grandeza; a virtude traduz divindade.
O homem tem
supremacia; a mulher, a preferência. A supremacia representa a força; a preferência
o direito.
O homem é forte
pela razão; a mulher é invencível pela lágrima. A razão convence; a lágrima
comove.
O homem é capaz
de todos os heroísmos; a mulher, de todos os martírios. O heroísmo enobrece;
o martírio sublima.
O homem é o código;
a mulher, o evangelho. O código corrige, o evangelho aperfeiçoa.
O homem é um
templo; a mulher um sacrário. Ante o templo, nos descobrimos; ante o sacrário,
ajoelhamo-nos.
O homem pensa; a
mulher sonha. Pensar é ter cérebro; sonhar é ter na fronte uma auréola.
O homem é um
oceano; a mulher, um lago. O oceano tem a pérola que o embeleza, o lago tem a
poesia que o deslumbra.
O homem é a águia
que voa; a mulher, o rouxinol que canta. Voar é dominar o espaço; cantar é
conquistar a alma.
O homem tem um
farol: a consciência; a mulher tem uma estrela: a esperança. O farol guia, a
esperança salva.
Enfim, o homem
está colocado onde termina a Terra; a mulher, onde começa o Céu.
O homem é assim
como o pássaro, muitas vezes obrigado a enfrentar a tempestade, fora do ninho,
para que o ninho desfrute alegria e abastança. A mulher é o anjo desse mesmo
ninho em que o homem procura paz e refazimento.
(adaptação: redação Momento Espírita)