EUTANÁSIA:
Ato abominável, Crime hediondo...
"(...) A batalha contra a morte será vencida pela Vida
Espiritual, que é real e eterna, da qual tudo procede e para cujos círculos
retorna".
Joanna
de Ângelis¹
Paradoxalmente,
enquanto muitos
abnegados homens
das Ciências
se debruçam sobre seus
Como
pode o homem arrogar-se o
direito de decidir o que é da alçada de Deus?! ... Não podemos olvidar que
ainda estamos reencarnando em mundo de provas e expiações, portanto, cada
criatura tem seus débitos cármicos, sabe-se lá em que quantidade... Mas o
resgate não vem apartado da misericórdia de Deus, e por mais pungentes e
excruciantes sejam as dores de um moribundo, cumpre que se lhe dê a chance de
esvurmar as feridas da alma e esgotar seu cálice de provações até à última
gota, segundo os desígnios do Pai.
Somente
uma obtusa cultura materialista, escaldada em soez hedonismo em lixívia com o
egoísmo, que nada vislumbra além do túmulo, pode acoroçoar a eutanásia
considerando-a cômoda e lógica solução. Ledo engano!...
Segundo
a nobre Mentora Joanna de Ângelis²,
‘‘(...)
o sofrimento, que muitas vezes acompanha o moribundo ou precede os momentos
finais, é resultado de longos processos evolutivos necessários à sublimação
do Espírito, que o experimentará conforme as próprias estruturas morais.
Dores
acerbas, em determinados indivíduos, são administradas com relativa nobreza,
enquanto outras, de menor porte,
constituem verdadeiro calvário
para caracteres mais frágeis. Temperamentos pacíficos e comportamentos dóceis
encaram as ocorrências afligentes e funestas como naturais, enfrentando-as com
elevada resignação, no entanto, outros, de constituição agressiva e rebelde,
presunçosa e vazia aumentam o próprio tormento, mediante ao desespero a que se
entregam e à revolta que os dominam.
Todos
os acontecimentos amargos e enfermidades extenuantes, degenerativas e
desestruturadoras, fazem parte da agenda espiritual de cada pessoa que a
carrega, desde antes, em razão do comportamento que adredemente se
permitiu.
Por
isso a necessidade de expungir, de recuperar o equilíbrio moral, de sofrer os
danos causados a si mesmo e aos demais pela sua sistemática impulsividade,
reconquistando o malbaratado patrimônio de saúde espiritual.
A
morte com dignidade, conforme algumas pessoas pensam e planejam, jamais será
aquela propiciada por agentes externos que apressam a consumpção do corpo. A
dignidade está na maneira como é enfrentada a desencarnação, mesmo porque,
após o silêncio sepulcral, a vida estuante aguarda o viandante com o patrimônio
que lhe é próprio e não com os disfarces em que se oculta. Portanto,
abreviar-se a morte de um paciente terminal, na suposição de que as suas são
dores impossíveis de serem suportadas, é cometer hediondo crime contra a Vida
e a Humanidade nele representada, já que ninguém se pode facultar a presunção
de autor da existência para poder interrompe-la a bel-prazer.
É
certo que há momentos ímpares de dor e angústia, mas os procedimentos médicos
podem atenua-los, auxiliando o ser a aguardar o momento da libertação quando
todas as energias estejam esgotadas e ele possa, por fim, librar-se feliz e
recuperado para sempre de todas as aflições.
Jamais
se terá como lícita a interrupção da vida carnal. Se o paciente a solicita
e é atendido, ei-lo na condição de suicida, e aquele que o auxiliou no
trespasse torna--se um homicida consciente. Se foram os seus familiares,
justificando o excesso de despesas com a manutenção do enfermo, ou por compaixão,
ou pensando em oferecer-lhe suavidade nos momentos finais, esses eufemismos de
comportamento constituem grave homicídio também.
A
Divindade estabeleceu leis que orientam todas as ocorrências no Universo,
particularmente no que diz respeito à conduta moral e espiritual dos seres
inteligentes reencarnados. Ninguém, portanto, pode-se atribuir poderes divinos
e estabelecer conclusões absolutas em torno dos fenômenos humanos, conseguindo
o arbítrio de decidir entre os que devem viver e aqueles que devem morrer, vez
que tal decisão é de Deus e todo aquele que assume a responsabilidade de fazê-lo
responderá pelas suas sinistras conseqüências.
Preocupado com a palpitante questão da eutanásia, Allan Kardec
interrogou ao Espírito São Luis, em 1860, se cabe ao homem interromper os
sofrimentos de alguém que os padece superlativamente; e o Benfeitor da
Humanidade redargüiu que os momentos finais, como
verdadeiro relâmpago, podem ensejar ao moribundo lucidez, como ocorre, com
freqüência, para o arrependimento que o auxiliará na Vida-após-o-corpo,
despertando mais feliz... Ademais, acrescentou que todos os momentos vividos
nessa etapa final são de relevante significado para o ser em processo de
libertação.
A
preocupação, naqueles passados anos, com a eutanásia, já mereceu das
Entidades Venerandas a opinião definitiva em torno do ato abominável.
Jamais,
portanto, será justificável a
aplicação de procedimentos mutiladores da vida orgânica, quando o paciente
encontrar-se na etapa final ou antes dela, devendo-se sempre aguardar que se
cumpram as determinações da vida para a felicidade do Espírito que retorna ao
Lar e daqueles que lhe dão a conveniente e misericordiosa assistência do amor
".
Rogério
Coelho
REFERÊNCIAS
BIBIOGRAFICAS:
¹FRANCO,
Divaldo P. Nascente de Bênçãos, Leal-Salvador (BA).
²Idem,
ibidem.
Extraído
da Revista Reformador, Novembro/2002