CLONAGEM
SOB A VISÃO ESPÍRITA
Clonagem: é a técnica em cultura de tecidos, pela qual todas
as células obtidas provêm de uma só delas, podendo todas se reproduzirem sob
a forma de células idênticas - clones. ("Clone" do grego klon =
broto).
Tais organismos são produzidos por um único indivíduo, através de multiplicação
vegetativa ou assexuada. Um exemplo de clone é uma colônia de bactérias, pois
uma única bactéria, dividindo-se, produz milhões de descendentes.
Essa
técnica é do domínio científico há muitos anos (desde 1952), sendo
utilizada apenas em animais - sapos, ratos de laboratório, coelhos, ovelhas e
vacas - e plantas de interesse econômico. Isso até out./1993...
Seres humanos!!!
Em fins de out./93 dois pesquisadores dos EUA
- Jerry Hall e Robert Stillman, Professsores da "Universidade George
Washington", anunciaram um impressionante feito humano na área da
biologia: pela primeira vez na História, mãos humanas fizeram uma cópia
perfeita (clone) de um embrião humano.
Eis a experiência, passo a passo:
1.
Espermatozóides e um óvulo foram recolhidos de um estoque de pesquisa que a
Universidade mantém em seus laboratórios;
2.
O espermatozóide e o óvulo foram colocados numa proveta num meio que simula as
condições do útero;
3. Como no processo natural de fecundação, um espermatozóide penetrou
num óvulo, recoberto por uma fina camada gelatinosa de proteção. Na gestação
normal essa camada protetora acompanharia o embrião até sua fixação na
parede do útero. Aconteceu a primeira divisão celular;
4. Usando uma enzima os pesquisadores destruíram a camada protetora;
5. O embrião, nessa fase formado por apenas duas células, ficou
exposto;
6.
As células receberam uma nova camada protetora individual e cada uma passou a
formar um novo embrião;
7.
Os dois novos embriões foram colocados sob uma fonte de calor em condições
semelhantes às do útero materno;
8.
Cada embrião passou a crescer velozmente num processo que poderia resultar em
dois bebês gêmeos idênticos, caso os embriões fossem implantados numa
mulher;
9.
Os pesquisadores interromperam a experiência no sexto dia e destruíram os dois
embriões (nessa oportunidade, cada embrião tinha apenas 32 dos 75 trilhões de
células que formam o corpo humano). Teoricamente poderiam repetir a experiência
inicial, produzindo quantos embriões idênticos desejassem.
Os
pesquisadores usaram células anormais, incapazes de se desenvolver num bebê e
por isso a destruição dos clones não arranhou a ética, aliás, ao contrário,
salvaguardou-a. Destruir tais embriões foi ato de prudência, face à comoção
social que a experiência iria causar, quando divulgada.
O
Vaticano, como já foi dito, reagiu energicamente, alertando os pesquisadores
para que "evitassem enveredar pelo túnel da loucura".
Outras
Instituições recomendaram prudência. Nesse ponto, redobraram-se as preocupações.
As polêmicas nunca estiveram tão acesas. - Até onde o homem pode ir, na vã
tentativa de imitar Deus?, perguntam, aflitas, pessoas e instituições de todo
o mundo.
Busquemos
algumas proposições calcadas na bendita Doutrina dos Espíritos, que desde
Kardec derrama claridades sobre os cantos escuros do pensamento.
Em
primeiro lugar, recordamos que o equilíbrio universal é uma demonstração da
inatingível sabedoria divina, onde não há um único milímetro, grama, gota,
molécula, célula ou átomo, vagando perdido no contexto da Vida. Nada existe
ou acontece, que pudesse estar excluso da Onisciência Divina. Nada mesmo!
Em
segundo lugar, devemos considerar que a Evolução é plano de Deus, para tudo e
para todos. Assim, os acontecimentos, ocorram na dimensão em que ocorrem,
enquadram-se em inexorável moldura evolutiva.
Em
terceiro degrau do pensamento, intuímos que Prepostos do Mestre Jesus zelam
pelo planeta Terra, sob a direção dEle, pelo que o barco terreno está em
muito boas mãos. Finalmente, emoldurando o raciocínio, a Fé! Fé na Justiça
Divina, na Proteção Divina, na Bondade Divina, no Amor do Criador por Suas
criaturas: nós!
Ora, equipados com tais emolumentos espirituais, não há lugar para
temores, nem desconfianças.
Os
avanços da ciência chegarão à Terra como estão chegando, na proporção
direta do merecimento planetário, muito embora, como já dissemos, o homem
quase sempre faz inicialmente mau uso de tais sublimes adventos.
Clonagem humana: temeridade!
A
clonagem humana, pela ciência, com vistas a quaisquer objetivos, todos temerários
e equivocados, nunca poderá ocorrer em condições semelhantes aos meios
naturais (caso dos gêmeos).
Embora possível, recusa à razão aceitar que cientistas se dedicassem
à "fabricação" de indivíduos com fins específicos, tais como
superatletas, supergênios ou quaisquer outras categorias de "super".
Pensar que algum ditador tenha poder de reproduzir às centenas indivíduos
com características por ele julgadas ideais, seja para o fim que for, não
encontra alicerce no Espiritismo e na própria ciência. No Espiritismo, porque
a ninguém ocorre que tal avanço científico pudesse ser alocado no Planeta
para tal destinação, sem que Entidades Siderais interviessem, impedindo-o.
Na Ciência, porque já vimos que o ser humano é formado de genótipo e
fenótipo, aquele herdado dos pais e este progressivo, em razão do meio em que
vive e das experiências que realiza ao longo do seu crescimento.
Se, por exemplo, houvesse clonagem do melhor jogador de futebol, quem
garante que os onze clones iriam ter o mesmo gosto ou vocação para tal
esporte?
Lembremo-nos do Espiritismo, quando leciona, de forma irretorquível, que
o indivíduo de hoje é a somatória das experiências vivenciadas ao longo da
sua criação, nas incontáveis jornadas espirituais, ora com corpo físico, ora
em Espírito.
Sem
que se constitua em especulação, fica difícil aceitar que depois de tão
longa trajetória que percorre o Espírito, existam dois exatamente iguais.
Ainda mais onze...
E,
mesmo na hipótese de existirem os onze, quem gostaria de ser o técnico da seleção
brasileira na hora de escolher o titular para a posição? Sim, porque todos
teriam rigorosamente a mesma condição e posição...
Contudo,
supondo que desandasse a consciência dos cientistas, e um ou alguns deles
praticassem a clonagem humana e isso viesse a prosperar. O que aconteceria?
Certamente nasceriam "corpos sem almas", pois
do processo estariam ausentes as coordenadas espirituais.
Tais corpos, possivelmente, seriam teratológicos.
Fonte: Transcrição parcial do livro GENÉTICA E ESPIRITISMO, de EURÍPEDES KÜHL,
págs. 109-114, 1ª ed. FEB, 1996.