A
Páscoa na Visão Espírita
Com a
aproximação da Páscoa, seria interessante falar um pouco sobre esta
comemoração, e como é pertinente a religiosidade cristã, se faz necessário
alguns esclarecimentos, esperamos poder contribuir com mais este estudo.
Na doutrina espírita, não há comemoração da Páscoa, pois para os
espíritas, não existiu ressurreição física, por ser "Cientificamente
impossível”. O que houve foi uma aparição do corpo espiritual que é algo
natural. A vida de Jesus é cheia de exemplos.
A origem da palavra Páscoa é judaica e significa, “Pessach”,
passagem em hebraico, dia em que se comemora a libertação do povo hebreu
do cativeiro.
Está evidente, aí, a referência de que a Páscoa já era uma
“comemoração”, na época de Jesus, uma festa cultural e, portanto, o que
fez a Igreja foi “aproveitar-se” do sentido da festa, para adaptá-la,
dando-lhe um novo significado, associando-o à “imolação” de Jesus, no
pós-julgamento, na execução da sentença de Pilatos.
No que concerne à ressurreição, podemos dizer que a interpretação
tradicional aponta para a possibilidade do reagrupamento da estrutura
corporal do Cristo, no post-mortem, situação totalmente rechaçada pela
ciência, em virtude da deterioração do envoltório físico. Por outro lado,
até hoje não sabemos de nenhuma múmia que tivesse ressuscitado, já que
esta crença veio dos Egípcios. As Igrejas cristãs insistem na hipótese do
Cristo ter “subido aos Céus” em corpo e alma, e acontecerá o mesmo em
relação a todos os “eleitos” no chamado “juízo final”. Isto é, pessoas que
morreram, pelos séculos afora, cujos corpos já foram decompostos e
reaproveitados pela terra, ressurgirão, perfeitos, reconstituindo as
estruturas orgânicas, do dia do julgamento, onde o Cristo separará justos
e ímpios.
A lógica e o bom-senso, base do pensamento espírita, abominam tal
teoria, pela impossibilidade física e pela injustiça moral. Afinal, com a
lei dos renascimentos, estabelece-se um critério mais justo para aferir a
“competência” ou a “qualificação” de todos os Espíritos. Com “tantas
oportunidades quanto sejam necessárias”, no “nascer de novo”, é possível a
todos progredirem.
Mas, como explicar, então as “aparições” de Jesus, nos quarenta dias
póstumos, mencionadas pelos religiosos na alusão à Páscoa? A fenomenologia
espírita (mediúnica) aponta para as manifestações psíquicas descritas como
mediunidades. Em algumas ocasiões, como a conversa com Maria de Magdala,
que havia ido até o sepulcro para depositar algumas flores e orar,
perguntando a Jesus – como se fosse o jardineiro – após ver a lápide
removida, “para onde levaram o corpo do Raboni”, podemos estar diante da
“materialização”, isto é, a utilização de fluido ectoplásmico – de seres
encarnados ou de elementos da natureza – para possibilitar que o Espírito
seja visto (por todos). Noutras situações, estamos diante de uma outra
manifestação psíquica conhecida, a mediunidade de vidência, quando, pelo
uso de faculdades mediúnicas, alguém pode ver os Espíritos. Curioso é que
até hoje não perceberam o erro na hora de fazer as contas, segundo o credo
cristão, Jesus morreu e ressuscitou no terceiro dia, mas como se de sexta
até domingo só se passaram dois?
O
significado dos coelhos
O coelho, apesar de ser um mamífero e, por conseguinte, não botar
ovos, assumiu o papel de produtor e entregador dos ovos de Páscoa. Isso
devido à notória capacidade de reprodução desses animais que se tornaram
símbolo da fertilidade. Já o ovo, representa o surgimento da vida e a
origem do mundo. Daí sua relação com a ressurreição de Cristo e a Páscoa.
A
tradição dos ovos de chocolate
Mas foi com os Maias e os Astecas que toda essa história começou.
O chocolate era considerado sagrado por essas duas civilizações, tal
qual o ouro, na Europa chegou por volta do século XVI, tornando
rapidamente popular aquela mistura de sementes de cacau torradas e
trituradas, depois juntada com água, mel e farinha. Vale lembrar que o
chocolate foi consumido, em grande parte de sua história, apenas como uma
bebida. Em meados do século XVI, acreditava-se que, além de possuir
poderes afrodisíacos, o chocolate dava poder e vigor aos que o bebiam. Por
isso, era reservado apenas aos governantes e soldados. Aliás, além de
afrodisíaco, o chocolate já foi considerado um pecado, bem como usado como
remédio, ora sagrado, ora alimento profano. Os astecas chegaram a usá-lo
como moeda, tal o valor que o alimento possuía. Chega o século XX, e os
bombons e os ovos de Páscoa são criados, como mais uma forma de
estabelecer de vez o consumo do chocolate no mundo inteiro.
Nesta Páscoa, assim, quando estiveres junto aos teus mais caros, lembra-te
de reverenciar os belos exemplos de Jesus, que o imortalizam e que nos
guiam para, um dia, também estarmos na condição experimentada por ele,
qual seja a de “sermos deuses”, “fazendo brilhar a nossa luz”. Comemore,
então, prezado leitor e prezada leitora, uma “outra” Páscoa. A sua Páscoa,
a da sua transformação, a reforma íntima, rumo a uma vida plena.
Luciano Ribeiro

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