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Mensagem de Natal Glória
a Deus nas Alturas, paz na Terra e boa vontade para com os homens. O
Evangelho de Lucas, no capítulo 2, v.14, conta do aparecimento de um anjo
aos pastores, enviado por Deus, anunciando a presença de Seu Filho, o
Cristo, ungido por Ele, nosso Pai Celestial, com a missão de trazer a
todos os homens a Sua paz. O anúncio
que o anjo de Deus fez e o aparecimento das legiões que o acompanhavam,
nos permitem refletir um pouco sobre esse momento de sublimidade, que a
cada ano vemos repetir-se, sem contudo alterar nossas vidas. Glória
a Deus nas Alturas, paz na Terra e boa vontade para com os homens, nos
disse o Emissário Celeste, conduzindo os pastores, que guardavam seus
rebanhos durante a noite, a buscarem a luz da estrela que ficaria
brilhando para sempre em nossos corações. Na
verdade, louvamos ao Pai nas Alturas Celestes por nos ter enviado o
Messias, o Cristo. Mas, também é verdade que, ainda hoje, não
conseguimos entender seus ensinamentos e por essa razão a mensagem do
anjo não se concretiza. Não temos ainda condição de, através de
Jesus, estabelecermos a paz na Terra porque não conseguimos ter boa
vontade uns com os outros. Ou será que o anúncio da boa vontade a que o
anjo se referiu é a boa vontade de Deus para com os homens ao nos enviar
Jesus? É
importante refletirmos sobre isso para que não repitamos as palavras do
anjo, apenas em cartões de Natal, que enviamos, às vezes, por simples
obrigação, mas, sim, porque desejamos realmente compartilhar a alegria
desse dia. É imprescindível verificarmos se no abraço que damos no
companheiro, repetindo as palavras ?paz em seu lar? ou ?muita paz em seu
coração? elas representam verdadeiramente, o sentimento fraterno de que
?desejo ao outro o que quero para mim?, ou se somente cumprimos um ritual
social ao qual estamos acostumados. É
necessário repensarmos nossos sentimentos nesta ocasião porque Natal
significa nascimento e nascimento quer dizer renovação, recomeço ou,
talvez, apenas começo. Começo de nova caminhada, de novos entendimentos,
de nova compreensão do porquê estarmos aqui, de quais são nossas
tarefas, de quais são nossas reais necessidades, de procurarmos descobrir
com vontade firme e perseverança nossas capacidades interiores de sermos
pessoas melhores, de aprendermos a ser mais tolerantes, mais
misericordiosos, mais companheiros dos nossos companheiros de jornada,
porque nunca caminhamos sozinhos. De
sermos também mais indulgentes com quem nos magoa, mais generosos conosco
ao pararmos de nos sentir culpados por termos escolhido caminhos tortuosos
que ignorávamos não deveriam ser percorridos. Desconhecíamos,
antes, a Lei Divina de que tudo que fizermos aos outros, a nós retorna.
Porém, hoje, mais conscientes dos nossos deveres morais para com nossos
companheiros de caminhada evolutiva, já não cometemos tantos equívocos.
Apesar de ainda termos dificuldades para perdoar, de não conseguirmos nos
desprender de preconceitos, de ainda sermos intolerantes para com aqueles
que não atendem nossos desejos, de ainda nos julgarmos mais importantes
que os outros, por razões que perante as Leis de Deus, não têm nenhuma
importância, já somos capazes de pequenas renúncias em favor dos nossos
filhos e de nossos entes amados. Já
nos permitimos não guardar rancores, apesar de ainda alojarmos mágoas em
nossos corações, frutos de um sentimento de egoísmo que ainda é tão
presente em nossas atitudes. Hoje, já somos capazes de não agirmos com
violência física e às vezes até verbal diante de situações que,
certamente, ontem, nos fariam cometer desatinos. Tudo isso nos mostra o
quanto pudemos caminhar. Algumas
vezes dizemos: Mas, falta tanto! É verdade, mas também é bom olharmos o
quanto já caminhamos. Basta voltarmos nossos olhos para trás e, voltando
no tempo, percebermos as grandes mudanças na nossa maneira de conduzir a
vida. Natal
significa nascimento, nosso nascimento a cada dia que amanhece. Assim
como a luz do Cristo brilhou para nós com Sua vinda, a cada manhã a luz
da renovação brilha em nossos corações nos convidando ao aperfeiçoamento
e à iluminação. E que
renovação é essa a qual somos convidados a realizar cada dia? Que luz
é essa que sentimos brilhar dentro de nós e que nos fortalece para que
comecemos nossa jornada com ânimo e alegria? A
resposta a essas perguntas encontramos dentro de nós próprios, na
certeza de que somos amparados, de que apesar das dificuldades de cada
dia, colheremos o fruto da nossa sementeira de lutas. Mas, para que isso
aconteça, é preciso que tenhamos fé. Não aquela fé de quem hoje crê
- porque tudo está bem e está relativamente feliz e em paz - e amanhã não
crê porque a dificuldade lhe bate à porta, chamando-o para a luta
redentora. Estamos
falando da fé de quem sabe que pela Bondade Divina temos Jesus ao nosso
lado, nos sustentando através do Seu Evangelho de Luz e de Amor. Sabemos
que a Terra não é lugar só de alegrias, pois encontramos aflições e lágrimas
por todos os cantos e, por causa disso, muitas vezes, um sentimento de
pesar toma conta de nossos pensamentos, e nos deixamos envolver na
atmosfera de iniqüidade que nos rodeia, pela violência sem sentido, pela
falta de respeito com a vida. Todavia, quando esse sentimento se fizer
sentir em nossos corações, lembremo-nos de Jesus. Lembremos que a cada
um será dado conforme suas obras e que cabe a nós, a cada um de nós, a
construção de um planeta melhor, com mais amor, com mais fraternidade e
mais tolerância de uns para com os outros. Estaremos, certamente,
espantando de nossas mentes essas imagens desequilibrantes que
desarmonizam nossa alma e nos fazem valorizar o que precisa e deve ser
combatido com fé e com amor, através de pensamentos construtivos no bem. Cabe a
nós nos lembrarmos sempre de que a paz na Terra a qual se referiu o Emissário
de Deus, anunciando o nascimento de Jesus, não é a paz entre conflitos,
mas a paz construída diariamente, incessantemente, dentro de nós,
buscando a mansidão, a doçura e a meiguice nos nossos pensamentos, nos
nossos atos e nas nossas palavras, como nos exemplificou o doce Rabino da
Galileia. A paz
na Terra, é a paz da bem-aventurança prometida por Jesus, em nome de
Deus e que já está sendo vivida por aqueles que irradiam, ao seu redor,
uma atmosfera de amor para com todos; daqueles que são capazes de
praticar o bem sem nada pedirem em troca; daqueles que podem dizer, ao se
prepararem para dormir: Obrigado Jesus por ter podido ser útil ao meu próximo
neste dia. A
conquista da paz interior é exercício do amor verdadeiro em benefício
dos outros e esse exercício não cansa o coração que ama. Muito pelo
contrário, nos fortalece e nos anima para as lutas diárias, nos acalma e
nos alegra mesmo diante de dificuldades, porque, acima de tudo,
acreditamos na promessa de que somos os herdeiros do Reino dos Céus. Herdeiros de um céu que já existe em nós quando compreendemos o porquê da vinda do Cordeiro de Deus entre nós; quando, atendendo ao chamado do Pai, buscamos a luz do Cristo através dos seus ensinamentos. Natal
significa nascimento de Jesus em nossos corações. Significa o nascimento
da esperança, a cada dia, quando conseguimos compreender a semeadura de
luzes que Jesus veio realizar em nós. E, quando nos dermos conta de que
temos, ao despertar em cada manhã, infinitas possibilidades de trabalho
para nossa elevação, e que, na realização delas, encontramos as
sementes luminosas do Mestre clareando nossa caminhada, entenderemos o que
significa comemorar o Natal, porque o estaremos realizando em nossos próprios
corações. Temos
consciência de que é com bastante dificuldade que conseguimos nos
manter, algumas vezes, ligados a essa luz. Mas também temos consciência
de que nosso esforço para que isso aconteça mais de uma vez e para que
esse tempo dure cada vez mais, é sempre recompensado pelas benesses
divinas. Cada
movimento que fazemos para nos elevarmos acima dos sentimentos egoístas
que ainda nos comandam a vida, nos aproxima do Mestre Jesus. Cada vez que
abaixamos os olhos e conseguimos ver nosso irmão necessitado,
principalmente em nossos lares, tendo a coragem de estender-lhe a mão,
reerguendo-o para que caminhe ao nosso lado, estamos fazendo Jesus nascer
dentro de nós. Somos
ainda Espíritos jovens no entendimento das coisas divinas. Sentimos Jesus
tão distantes de nós e não O percebemos ao nosso lado, representado
pelo cuidado que dispensamos ao nosso lar, pelo atendimento aos aflitos
que nos cruzam o caminho, pela necessidade que sentimos de fazer o bem,
pela paciência que temos com o colega de trabalho que se encontra
aturdido, pela educação com que tratamos aqueles que nos servem, e
tantas outras formas, que nem sabemos quantas. E,
justamente por não compreendermos bem onde está Jesus, ficamos
aguardando, tanto no Natal como todos os dias, que o Divino Amigo venha
nos abençoar e atender nossas rogativas. Ficamos esperando que Ele desça
até nós atendendo aos nossos desejos, enquanto o Mestre querido,
pacientemente, permanece aguardando que, através das luzes dos Seus
ensinamentos, subamos até Ele. Que
possamos todos, principalmente neste Natal, renovar nossas disposições
de atender ao chamamento de Jesus: Vinde a mim vós que estais aflitos que
eu vos aliviarei. Um feliz Natal a todos, repleto
de luzes interiores. Leda Maria Flaborea Fonte:
Boletim GEAE Nº 406 - dez/2000
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