As Aparências Enganam
Por essa razão, a pobrezinha vivia no maior isolamento. Ninguém para
brincar, ninguém para conversar... Sem carinho, sem afeto, sem esperança...
Sua única companheira era a solidão.
O diretor do orfanato aguardava ansioso uma desculpa legítima para
livrar-se dela. E um dia apresentou-se, aparentemente, uma boa desculpa. A
companheira de quarto da menina informou que ela estava mantendo correspondência
com alguém de fora do orfanato, o que era terminantemente proibido.
Agora mesmo, disse a informante, ela escondeu um papel numa árvore. O
diretor e seu assistente mal puderam esconder a satisfação que a denúncia
lhes causara. Vamos tirar isso a limpo agora mesmo, disse o superior. E,
somando-se ao assistente, pediu para que a testemunha do delito os acompanhasse
a fim de lhes mostrar a prova do crime. Dirigiram-se os três, a passos rápidos,
em direção à árvore na qual estava colocada a mensagem.
De fato, lá estava um papel delicadamente colocado entre os ramos. O
diretor desdobrou, ansioso, o bilhete, esperando encontrar ali a prova de que
necessitava para livrar-se daquela criança tão desagradável aos seus olhos.
Todavia, para seu desapontamento e remorso, no pedaço de papel um tanto
amassado, pôde ler a seguinte mensagem: "A qualquer pessoa que
encontrar este papel: eu gosto de você".
Os três investigadores ficaram tão decepcionados quanto surpresos com o
que leram. Decepcionados porque perderam a oportunidade de livrar-se da menina
indesejável, e surpresos porque perceberam que ela era menos má do que eles próprios.
***
Quantos de nós costumamos julgar as pessoas pelas aparências, embora
saibamos que estas são enganadoras. E o pior é que, se as aparências não nos
agradam, marcamos a pessoa e nos prevenimos contra ela e suas atitudes. Uma
antiga e sábia oração dos índios Siuox, roga a Deus o auxílio para nunca
julgar o próximo antes de ter andado sete dias com as suas sandálias. Isto
quer dizer que, antes de criticar, julgar e condenar uma pessoa, devemos nos
colocar no seu lugar e entender os seus sentimentos mais profundos. Aqueles que
talvez ela queira esconder de si mesma, para proteger-se dos sofrimentos que a
sua lembrança lhe causaria.
Você sabia?
Que não há nenhuma pessoa essencialmente má? Isso porque todos nós
temos, na intimidade, a centelha divina que é o amor em gérmen. Assim sendo,
potencialmente todos somos bons, basta que nos esforcemos para fazer brilhar
essa chama sagrada depositada em nós pelo Criador. Jesus conhecia essa
realidade, por isso afirmou: "vós sois deuses" e noutra oportunidade
insistiu: brilhe a vossa luz".