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Impossível, desejo,
Negação absoluta –
Impulso regido,
Pelo ócio
Caminhamos, do nada,
Nem para isso:
Corpo quadro,
Carne parede
O cigarro, é constante,
A borra caída – e a vida,
É repetição,
Tornando-se doença
Apelo, ao poema, o grito, mas
A poesia, não se dá nem partilha
O pessoal
Oh, primaveras, perdidas,
Nos amarelos, da fotografia!
Álbum
De família – cadáver
Queimei os dedos,
No cigarro – «serenal»,
Exigindo lugar onde, nada
Ou criança, morta
E só a janela nos fita, o
Escárnio e a pele macilenta,
Quando, no
Espelho, olhamo-nos de esguelha –
Na repulsa conformada
E até sei de cor, os cheiros,
Deste quarto – conheço-lhes, o palato,
Seus poros
Fundindo-se, na carne,
Na parede morta, nos
Dedos massacrados,
Pela continuação, das navalhas,
Das ampolas, de
Líquidos anorécticos
(A lâmina reactivando, restos
De mim, no éter da palavra, adormecida)
E, então, subimos,
Subimos, mais alto, até ao outro,
Que não nós – conhecidos
E vestimo-nos,
Mascarando-nos de outro sangue – galgos,
De argila
Impossível, desejo,
Negação absoluta – e um corpo,
Que reclama, o direito
À realidade, das
Frestas dominantes,
À transmutação,
Da madeira
Acendo o cigarro, de
Novo,
Constante, cigarro –
A borra
E a vida, assim,
Caída
Jorge Humberto
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