ESCALAS - MODOS
Da primeira vez em que alguém me falou de modos fiquei com um nó na cabeça. Não entendi patavina. Achei que
aquele era o principio do fim da minha carreira de musical (de musico teórico,
"para o" bem da verdade). No fim, descobri que não era nada disso.
Vou tentar colocar isto, da forma mais simples possível e, é inacreditável
como é simples.
Para que possa efetivamente utilizar os diferentes modos é importante
conhecer as escalas musicais em todos os tons. Se este não for o seu caso não
há problema, pelo menos a principio pois, deverá ser capaz de compreender a
coisa assim mesmo. Porém, para fazer uso desta informação o conhecimento das
escalas é fundamental.
Modos são apenas escalas derivadas da escala maior. Na lição
II vimos que cada escala maior tem uma relativa menor derivada a partir do VI grau. Lembra-se? A escala de C, por exemplo, tem a de Am
como sua relativa. Reveja abaixo.
=> (-----Escala de Am-----)
=>C D E F G A B C D E F G A
=>(---- Escala de C ------)
A questão é simples: assim como posso construir uma escala contendo as
mesmas notas a partir do VI grau, é
possivel construi-las a partir de qualquer
grau da escala maior. Há, portanto,
7 modos distintos de se tocar uma escala diatônica, iniciando-se em qualquer
ponto da mesma. Se iniciar em E, por
exemplo, terá:
E F G A B C D E
Fácil, não? Este modo, que se inicia no III grau da escala (E, no
caso da escala de C) é denominado de
modo Frígio. Muito bem, para que
serve isto? Agora tem de usar um pouco o ouvido e, se possível, um amigo. Peça
para que ele toque o acorde de C
enquanto você executa a escala no modo frígio, de E à E. Ela deve soar
exactamente como a escala de C. Agora
peça para que ele toque Em e repita
a escala. Soa diferente? Mais alegre ou mais triste? Para entender porque eu
disse para tocar o acorde de Em terá
de rever lição anterior sobre formação de acordes. Repita este mesmo
procedimento iniciando em D. Toque a
escala sobre o acorde de C e depois
sobre o de Dm. Que tal o efeito? Esta
escala iniciando no II grau é
conhecida como modo Dórico.
A tabela abaixo resume os modos com suas principais caraterísticas:
Observe que neste sistema utilizou-se modos diferentes em um mesmo
tom, isto é, as notas componentes de cada modo eram exatamente as mesmas e,
por isto, oriundas da escala de um mesmo tom. Acontece que é também possível
construir modos diferentes mantendo o I
grau fixo e modificando o tom em cada uma delas, isto é, modos diferentes em tons
diferentes. Isto é um pouco mais complicado (por favor, siga adiante apenas
se já tiver realmente um bom conhecimento das lições anteriores) e exige que
se decore algumas regras básicas, a saber:
Jônico = Escala Maior
Dórico = IIIb e VIIb
Frígio = IIb, IIIb, VIb e VIIb
Lidio = IV#
Mixolidio = VIIb
Eólio = IIIb, VIb e VIIb
Lócrio = IIb, IIIb, Vb, VIb
e VIIb
Mantendo C como tônica, por
exemplo, cada um dos modos apresenta-se da seguinte forma:
Jônico = C D E F G A B C Tom
= C
Dórico = C D Eb F G A Bb C Tom = Bb
Frígio = C Db Eb F G Ab Bb C Tom = Ab
Lidio = C D E F# G A B C Tom = G
Mixolidio = C D E F G A Bb C Tom = F
Eólio = C D Eb F G Ab Bb C Tom = Eb
Lócrio = C Db Eb F Gb Ab Bb C Tom = Db
Seria também conveniente que escrevesse cada um dos modos para os diferentes tons e, em seguida, tocasse cada um deles.
Procure perceber as diferenças entre eles do ponto de vista melódico.