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HIDROCARBONETOS AROMÁTICOS

 Um numeroso grupo de substâncias pelo seu cheiro agradável foram tradicionalmente designadas com o nome de aromáticas.

 Benzeno

 O composto fundamental desta série é o hidrocarboneto de fórmula C6H6 a que se chamou benzeno. Apesar de ser um hidrocarboneto muito insaturado tal como pode deduzir-se do seu espectro ultravioleta, o benzeno não apresenta a reactividade típica destes compostos. Além disso, experimentalmente, verifica-se que todos os comprimentos da ligação C-C no benzeno são iguais e que os ângulos da ligação C-C-C são de 120º.

 Para conseguir estes ângulos de ligação de carbono do benzeno têm que formar híbridos sp2. Em 1865 o químico alemão Kekulé (1829-1896) sugeriu que a estrutura do benzeno podia explicar-se como um híbrido de ressonância das duas estruturas de ressonância seguintes

        

já que nenhuma estrutura por si só poderia explicar as características do benzeno. Embora quase todas as propriedades do benzeno possam explicar-se supondo que é um híbrido de ressonância das duas estruturas propostas por Kekulé, Dewar e Clauss propuseram outras formas estruturais para o benzeno que contribuíram para explicar melhor as suas propriedades.
 Contudo, estas formas são muito menos importantes que as de Kekulé. A molécula de benzeno costuma representar-se assim:

 O benzeno é um líquido incolor e tóxico que se encontra no alcatrão da hulha donde se separa pelo processo de destilação fraccionada.

 Hidrocarbonetos derivados do benzeno

 Os alquilbenzenos numeram-se, geralmente, de modo simples. Assim, a estrutura

corresponde ao propilbenzeno.
 O metilbenzeno denomina-se vulgarmente por "tolueno". O substituinte

(que se abrevia como C6H5-) recebe o nome de "fenil".

 Sempre que o anel benzénico tenha dois substituintes, empregam-se os prefixos orto- (o), meta- (m) e para- (p) para distingui-los, tal como se indica no caso dos dimetilbenzenos ou xilenos:

o-xileno m-xileno p-xileno

 Quando há mais de dois substituintes num anel benzénico, ao substituintes principal designa-.se a posição 1 e prossegue-se a numeração em volta do anel na direcção que origine os números menores possíveis para os restantes substituintes.


 Regra de Hückel

 O químico alemão Hückel (1896-1979) descubriu uma regra simples para determinar se um composto cíclico com duplas ligações é aromático ou não, quer dizer, se possui ou não uma estrutura cuja estabilidade é semelhante à do benzeno. A regra estabelece que se o número de electrões p de um composto é igual a 4n+2, sendo n=0, 1, 2, 3 ..., o sistema será aromático, e em caso contrário não o será.

Assim, por exemplo, o ciclopropeno e o benzeno cumprem a regra de Hückel para n=0 e n=1, respectivamente, por ter 2 e 6 electrões p. Pelo contrário, o ciclobutadieno e o ciclooctatetraeno não cumprem a regra, por terem 4 e 8 electrões p, respectivamente.


 Sistema de anéis condensados

 Conhecem-se vários hidrocarbonetos e muitos compostos deles derivados que contêm dois ou mais anéis benzénicos condensados, nos quais dois átomos de carbono são comuns aos dois anéis. Os mais importantes destes compostos polianelares são o naftaleno e o antraceno, que possuem 2 e 3 anéis benzénicos condensados de forma linear, respectivamente,

Naftaleno Antraceno

 O naftaleno é um sólido insolúvel na água, muito volátil, que se utiliza como insecticida. O antraceno cristaliza em lâminas incolores que apresentam fluorescência azul. Os seus derivados utilizam-se para fabricar corantes. Condensando mais anéis benzénicos obtêm-se o naftaceno (4 anéis), o pentaceno (5 anéis), etc. Os anéis benzénicos podem condensar-se em forma não linear, por exemplo no fenantreno e no pireno:

Fenantreno Pireno

 A estrutura do fenantreno faz parte de numerosos compostos de importância fisiológica, tais como as hormonas sexuais e os ácidos biliares.


 

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