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Ei, ei, ei, Kak� � nosso rei
A torcida para ele entrar em campo na Copa � grande, mas as chances s�o poucas. Mesmo assim, Kak� j� conquistou seu lugar entre a torcida
Das 4 da tarde do domingo, 9 de junho, dia seguinte � vit�ria sobre a China, �s 4 da tarde da segunda, 10, foram exatas 347 mensagens trocadas pelas kakazetes, uma das muitas comunidades virtuais promovidas por um dos dezenas de sites dedicados ao jogador. Os nomes s�o sugestivos: kakates�o, ilovekaka, kakalindo, kakamaniakas, furakaokaka.
A maioria delas comenta, em primeiro lugar, a falta de ousadia e a teimosia do t�cnico Luiz Felipe Scolari em n�o escalar Kak� entre os titulares. �Amiga, eu tbm t� com muita raiva do Felip�o. Grrr, falar q se arrependeu de convoc�-lo!�, se indignou GaBi, para, do segundo par�grafo em diante, retomar o assunto que movimentava t-o-d-a-s as mensagens do grupo. �Viu hoje na tev�, falando que ele era o ca�ula, o genro que td pai queria ter? O meu ia adorar, com toda a certeza! rsrsrs.� E se despedia com kkisses, um beijo personalizado.
Wagner Ribeiro, 45 anos, empres�rio de Kak� desde os tempos em que ele ganhava apenas uma ajuda de custo no time de juniores do S�o Paulo (seu sal�rio hoje est� em torno de R$ 80 mil), conhece bem o fen�meno. �Quando a minha mulher viu o Kak� pela primeira vez, disse que ele parecia mais um artista de tev� do que jogador de futebol�, conta. �� porque ele tem esse jeit�o, � alto, tem um sorriso bonito.� Mas, ainda que involuntariamente, Wagner deixa claro que n�o � seu empres�rio por isso: �O Kak� � um menino de ouro�.
Esta dificilmente ser� a Copa de Kak�, mas para quem gosta de futebol resta um consolo. �Ele est� sendo preparado para o futuro�, diz o jornalista e diretor de reda��o de PLACAR, S�rgio Xavier, 35 anos. �Em 1994, vi o Ronaldo treinar nos Estados Unidos. Ele n�o se achava em campo, n�o era nem sombra do jogador que viria se tornar alguns anos depois, na Espanha, na It�lia e no Mundial da Fran�a.� � o que pode acontecer com o ca�ula da sele��o de hoje. Veja o que Kak� nos conta, neste depoimento exclusivo, enviado de Ulsan por e-mail. Ele fala da afli��o do banco e da rotina da concentra��o.
O texto que Kak� escreveu de Ulsan,
na Cor�ia do Sul, para voc�
�O dia-a-dia aqui na Cor�ia at� que n�o tem mexido muito com os meus nervos, n�o, mas na hora do jogo � outra hist�ria. No banco de reservas, fico analisando os advers�rios e a partida em si para, na hora em que entrar em campo, estar pronto para aproveitar a oportunidade. A ansiedade � grande. Fico pensando nos meus familiares e nos meus amigos. Eles devem estar morrendo de vontade de me ver jogar...
Os mais experientes em sele��o me receberam muito bem. Eles me d�o muita for�a, mas � claro que n�o escapo das brincadeirinhas. Na hora do bobinho [treino recreativo em que um jogador tem de roubar a bola tocada pelos outros], por exemplo, ningu�m quer entrar na roda. �Quem vai entrar na roda?� A� sempre tem um que diz: �O mais novo�. E l� vou eu de novo. Mas � divertido. Procuro me relacionar com todos, andar com todos, aproveitar ao m�ximo. Um dia, fico mais pr�ximo de uma turma. No dia seguinte, de outra.
Me identifiquei bastante com o Ronaldo. Ele me deu liberdade. Brincamos de lutinha, porrada, coisa bem de moleque. Com os outros, eu n�o tenho tanta intimidade, ainda. O Ronaldo, na pr�tica, mostrou tudo o que se imagina dele. Um cara carism�tico e simples.
Na concentra��o, cada um est� no seu quarto, sozinho. � uma rotina bem tranq�ila. At� gosto, mas fico mal pelos casados, que deixam a esposa, os filhos em casa, sozinhos. Andaram falando que iam distribuir revista de mulher pelada para a gente, mas isso � a maior mentira.
Procuro ler a B�blia, jogo computador, entro na internet para falar com meus amigos no Messenger [programa de bate-papo em tempo real], ligo para casa. Tenho falado com os meus pais duas, tr�s vezes por semana. Minha m�e quer saber de tudo. Como est�o me tratando, se eu tenho dormido bem, se eu tenho tomado rem�dio para espinha. Tudo e um pouco mais. Tenho dormido bem, viu, m�e? Sonho com v�rias coisas, mas quando acordo n�o me lembro.
Minha m�e tem procurado cuidar tamb�m dos e-mails e cartas que mandam para mim a� no Brasil. Aqui, a rela��o com os f�s � diferente. N�o sou muito conhecido na Cor�ia e as coreanas s�o muito t�midas. Elas me pedem aut�grafo, para tirar foto, responder carta, nada mais do que isso � muito diferente do Brasil!
Estou sabendo das mensagens que as leitoras da CAPRICHO est�o mandando para mim, depois da mat�ria que saiu na revista. Por isso, adorei poder escrever este texto. Espero que eu tenha passado a voc�s um pouco do que eu estou vivendo aqui. Um beijo grande e obrigado pelo carinho.
Retrato falado
Se voc� j� gostava do Kak� s� de ver as fotos, vai gostar ainda mais
depois de ler os depoimentos da fam�lia e dos amigos mais pr�ximos
A turma
Eles s�o un�nimes: mesmo com toda a badala��o e a histeria das f�s, Kak� continua o mesmo de sempre, humilde e atencioso � apesar do tempo cada vez menor para os amigos extra-campo e da Igreja Renascer.
Na igreja
�Kak� sempre freq�entou os cultos e as atividades. Na adolesc�ncia, era o l�der da equipe de esporte, era quem organizava os campeonatos.
Na �ltima vez que o vi na igreja pensei que n�o ia conseguir falar um �oi�. Estava o maior tumulto e eu estava quase desistindo. Quando ele me viu, atravessou aquele monte de gente s� para me dar um �oi�. Ele n�o mudou nada.�
Humildade
�O Kak� n�o perdeu a humildade, esteja ele com quem estiver, ele p�ra, cumprimenta. � �o amigo� para todas as horas. � t�mido, nunca foi o centro das aten��es, mas faz piada e d� risada de tudo. H� mais ou menos uns dois anos teve uma festa �nada a ver� [de fantasias absurdas] e ele ficou entre os finalistas: n�o me lembro bem, mas acho que ele estava de gr�vida. Foi muito engra�ado.�
As fam�lias s�o amigas h� muito tempo,
�Ele n�o � do tipo de rapaz que fica zoando com as meninas, ele procura algu�m legal para um relacionamento s�rio. � o genro que todo pai pediu a Deus. Minha fam�lia o idolatra pelo seu jeito supereducado. Quando d�, Kak� adora jogar t�nis com meu pai. E perde sempre. Mas mesmo assim ele o chama sempre de pato. Ele � muito brincalh�o.�
�O Kak� sempre foi meu melhor amigo, no col�gio s� and�vamos juntos e faz�amos todos os trabalhos juntos. Na 8� s�rie, ele fazia um baita sucesso com as meninas. Elas ficavam morrendo de ci�me, mas vinham me perguntar coisas sobre ele. Eu nunca falava, porque sei que ele � fechad�o.�
Saudade dos velhos tempos
�Ele � muito brincalh�o e me faz rir muito! E lidar com a fama est� sendo mais dif�cil para mim do que para ele. Quando vi a primeira carta de uma f� no carro dele, achei muito esquisito: �Como assim, meu amigo tem um f�-clube?� O ruim � que a gente j� n�o se v� mais com tanta freq��ncia, n�o d� pra ele passar na minha casa depois de todos os treinos, como ele fazia, ou passearmos no shopping. Eu me abro muito para ele, falo de tudo, mas ele � mais reservado. Na verdade, acho que ele � muito bem-resolvido. N�o se desespera com os problemas, e sim os encara como desafios.�
Na maior torcida
�Pra mim, ele tinha que entrar em todos os jogos. Eu fico na maior expectativa. Ah, no pr�ximo jogo ele vai entrar, se Deus quiser. E quando ele entrar pra jogar n�o sai mais. Eu acredito muito nisso.�
�Vejo os jogos dele desde o dente-de-leite. Assisto todos, no Morumbi, com a fam�lia dele, de quem gosto muito. A tia Simone [a m�e] � minha amigona! E se algu�m o derruba, se ele sofre uma falta, ficamos com o cora��o na m�o.�
Brincalh�o
�Uma vez eu estava no elevador com ele. Estavam os pais dele tamb�m e eu derrubei umas tr�s vezes o interfone com a bolsa. O Kak� n�o parava de falar. Um a zero pro interfone, dois a zero...
�Ele sempre tira sarro. No come�o do ano minha m�e ficou um m�s viajando e eu sempre ia � casa dele. Teve um domingo que eu fiz um bolo de chocolate e ele acabou com meu bolo. Ficou falando que estava feio, mas depois comeu, n�?�
�Conheci o Kak� na igreja, quando eu coordenava o grupo de adolescentes. Agora, como ele n�o tem muito tempo, fazemos um estudo b�blico particular. A gente se encontra no m�nimo a cada 15 dias. Nesses tempos de Copa, temos nos falado a cada dois dias pela internet.
Algumas pessoas falam que ele � t�mido, mas na verdade ele � muito na dele e se destaca pela sabedoria. Um dos textos b�blicos que ele mais gosta � Isa�as, cap�tulo 11, que fala sobre o conhecimento do Senhor. O Kak� preza muito pelas atitudes dentro e fora da igreja. Ele pede muito a Deus que lhe d� sabedoria para saber agir certo na hora certa.�
A fam�lia
O jeito cuidadoso e atencioso da m�e, Simone, d� uma boa medida dos la�os da fam�lia Izecson. Um dia depois de falar com o rep�rter, ela telefonou para a reda��o para saber como estava a reportagem sobre seu filho
SIMONE CRISTINA DOS SANTOS LEITE, a m�e, 40 anos
Namoradas
�N�o tive muito contato com as namoradas dele... Sei que uma delas est� fazendo interc�mbio, e a outra j� faz muito tempo, perdemos contato. Acho que mudou de cidade.�
�O que aconteceu enquanto ele estava de f�rias [ele teria ficado com uma menina de Cambori� (SC) no come�o do ano] n�o foi nada s�rio, ou ele teria nos contado. Depois que ele voltou da praia, n�o pensou mais nisso, estava totalmente dedicado ao futebol, ansioso com a escala��o para a Copa. N�o que namoro atrapalhe, mas n�o daria para conciliar.�
Fam�lia
�Kak� e o irm�o s�o muito amigos, saem juntos. O Rodrigo tem 16 anos, tamb�m joga futebol no juvenil do S�o Paulo.�
�Ele sempre foi muito respons�vel, bom aluno, fez ingl�s, nunca ficou de recupera��o. E quando estava com algum trabalho pra entregar, os amigos ajudavam.�
Religi�o
�Ensinamos que, mais importante do que ter uma religi�o, � andar com Jesus. Com isso, se aprende valores como perseveran�a, paci�ncia, humildade. Estamos criando homens, com amor e respeito ao pr�ximo.�
BOSCO IZECSON PEREIRA LEITE, o pai, 47 anos
Emo��o
�Nossa fam�lia � muito unida, e conversamos sobre tudo. Sa�mos de Bras�lia [DF] pra morar em Cuiab� [MT], e depois em S�o Paulo, sem ter nenhum parente por perto. Isso fortaleceu nossos v�nculos.�
O come�o no futebol
�Quando ele resolveu que queria ser profissional, aos 15 anos, mostramos o que poderia acontecer e, ent�o, demos todo o apoio.�
�O Kak� enfrentou dificuldades no come�o. Nunca sa�a da reserva, porque era baixinho, magrinho. Ele estava com um atraso de crescimento. Mas desde essa �poca ele viu o que deveria enfrentar.�
RODRIGO, irm�o, 16 anos
Companheirismo
�Entre a gente nunca teve rivalidade. Temos a mesma turma, ele � sempre o primeiro pra quem eu conto as coisas. A gente se conhece tanto que mesmo os defeitos, pra mim, s�o considerados normais.�
Carinho
�O que eu mais gosto nele � a aten��o, o carinho que ele me d�. Ele pode estar fazendo o que for, quando eu preciso, vem falar comigo com a mesma dedica��o. Apesar de ser o irm�o mais velho, ele n�o fica em cima. Cuida quando � preciso, mas me d� liberdade pra eu fazer o que quiser.�
Inf�ncia
�Quando a gente tinha uns 8, 9 anos, ia pra casa da minha v�, em Bras�lia, e gostava de jogar �gua e sab�o no ch�o da garagem, que era de azulejo, pra escorregar e brincar de futebol.�
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