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Kak� vira fera
Aos 20 anos, o maior astro no futebol do Brasil hoje diz ter Ra� como exemplo, conta que j� recebeu uma calcinha de presente, defende a fidelidade nos relacionamentos e planeja
jogar no Exterior
Kak� est� solteiro desde o fim do namoro de cinco meses com a modelo Elizabeth Perfol, em mar�o. Ele nega rumores de namoro com Sofia Alckmin, filha do governador de S�o Paulo: �Somos s� amigos�, afirma
Talvez n�o passasse pela cabe�a do menino de sorriso f�cil tomar o lugar de seu �dolo. Mas o mundo deu voltas e o pequeno Ricardo Izecson dos Santos Leite, que aproveitava as folgas dos treinos no clube do S�o Paulo para correr atr�s de um aut�grafo de Ra�, transformou-se no maior astro do futebol brasileiro hoje. Aos 20 anos, Kak� joga na mesma posi��o � meia-atacante � que o ex-jogador ocupou no time paulistano e no cora��o da torcida. Principalmente na ala feminina. �Tenho o Ra� como exemplo, o vi crescendo no S�o Paulo�, conta Kak�, f� do craque desde a inf�ncia.
O jeito com a bola foi detectado por um professor de educa��o f�sica, aos 7 anos. Brasiliense, ele havia acabado de se mudar para S�o Paulo depois de viver dos 4 aos 7 anos em Cuiab�. A m�e foi chamada � escola e orientada para matricul�-lo em aulas de futebol. Uma ano depois, ele entrou para o S�o Paulo e passou por todas as categorias do clube. As aten��es s� se voltaram para o rapaz, ainda t�mido, no Torneio Rio-S�o Paulo em janeiro de 2001, quando ele deixou de ser uma promessa e garantiu o posto de grande �dolo tricolor.
Ganhou elogios pela performance no campo e uma legi�o de admiradores. Sobretudo de garotas fan�ticas, que logo fundaram f�-clubes. Os sites dedicados a Kak� se multiplicam na internet. O ass�dio virou atra��o � parte nos treinos abertos do S�o Paulo. E, desde o pentacampeonato, a febre se espalhou por todo o Brasil. As adolescentes gritam, choram e querem chegar a qualquer custo perto do jogador, que garante n�o se incomodar com os excessos. �� muito legal ser reconhecido. Quando eu passo e ningu�m fala comigo, sinto falta. Por isso aproveito o m�ximo.�
Fora de S�o Paulo, a kak�mania parece ser ainda maior. Afinal, as tietes distantes n�o sabem quando ver�o o �dolo novamente. Dezenas de cartas com declara��es de amor, bichinhos de pel�cia, livros e CDs s�o enviados para o S�o Paulo e para o apartamento no bairro paulistano do Morumbi, onde ele mora com os pais e o irm�o ca�ula, Rodrigo, 17 anos. �Recebo umas 50 cartas por dia e guardo todas. N�o tenho coragem de jogar fora�, conta. Dos presentes, s� se desfez de uma calcinha mandada por uma f� mais atirada. Quem costumava responder as cartas era a m�e do craque, a professora de ensino fundamental Simone dos Santos. �No in�cio n�o eram tantas e eu respondia a todas. Mas depois, as meninas come�aram a responder, e virou uma loucura�, conta Simone, que atende liga��es e desce na portaria do pr�dio para conversar com as f�s do filho.
Ele ir� anunciar guaran� Antarctica e Adidas. Licenciar produtos est� nos planos. �Estamos estudando o mercado e queremos consolidar melhor o nome do Kak�, se ele continuar em ascens�o�, diz Bosco Leite, pai do craque
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Ele ficou de recupera��o apenas uma vez, em matem�tica
Apesar de viver rodeado de mulheres, Kak� est� solteiro desde o fim do namoro de cinco meses com a modelo catarinense Elizabeth Perfol, 19 anos, em mar�o. Eles se conheceram num restaurante em S�o Paulo e logo depois se reencontraram nas f�rias do jogador no balne�rio de Cambori� (SC), onde ela tem fam�lia. Sofia Alckmin, filha do governador de S�o Paulo Geraldo Alckmin, foi apontada recentemente como a nova companhia do craque. Ele nega. �Somos s� amigos. Eu a conheci quando voltei da Copa e ela foi nos receber no aeroporto ao lado do pai e da prefeita Marta Suplicy. Voltamos no �nibus conversando e ficamos amigos. Converso sempre com ela e sa�mos bastante, mas � s� amizade�, esclarece.
Os programas noturnos de Kak� se restringem a restaurantes com os amigos, entre eles os jogadores J�lio Baptista, Gallo, Maldonado e Jean. Eles gostam de massa. Quem costuma indicar novos restaurantes � o fisioterapeuta do S�o Paulo Ricardo Sasaki. �Uma vez fomos a um chin�s e ningu�m gostou da comida. N�o par�vamos de dar risada. No final o Kak� teve que pedir carne porque estava morrendo de fome�, lembra o meio-campo Maldonado, 22 anos. �Apesar de todos os t�tulos que ganhou e de ter ido � Copa, ele continua a mesma pessoa simples de quando o conheci, h� tr�s anos. � um grande amigo, com quem se pode falar de tudo�, completa o chileno. Al�m do Rio-S�o Paulo de 2001, Kak� foi supercampe�o paulista e pentacampe�o com a Sele��o este ano.
Para candidatas � namorada, o jogador diz n�o ter prefer�ncia por tipo f�sico e n�o consegue citar uma mulher famosa como exemplo de beleza. �Tem muita mulher bonita. N�o d� para falar uma�, desconversa. O essencial para ele � fidelidade. �Para eu namorar, esse vai ser o ponto fundamental. N�o d� para eu ir para uma concentra��o e pensar �o que ela est� fazendo agora?�, quando eu deveria me preocupar com o jogo.�
Vaidoso n�o assumido, Kak� prefere se dizer apenas cuidadoso. �A �nica coisa que fa�o � lavar o rosto�, conta ele, que oculta seus dois graus de miopia com lentes de contato. Desde fevereiro, o jogador de 1,85m e 78 kg s� se veste com a grife Emporio Armani fora dos campos, como neste ensaio feito para Gente. �O Kak� � a imagem da Emporio. � jovem, � do bem, tem porte e simplicidade. Do meio esportivo, � o que melhor se encaixa em nossos conceitos�, diz o administrador da marca no Brasil e s�o-paulino roxo Andr� Brett. O contrato com a Armani � informal. Nenhuma das estrelas que vestem a grife italiana, como o ator hollywoodiano George Clooney e o brasileiro Reynaldo Gianecchini recebem por isso. �� um acordo de cavalheiros�, resume Brett.
Quem cuida dos contratos dentro e fora do gramado s�o o pai de Kak�, o engenheiro civil Bosco Izecson Pereira Leite, e o empres�rio Wagner Ribeiro. O atleta assinou com a Ambev para ser o novo garoto-propaganda do Guaran� Antarctica at� 2006 e com a Adidas. Os n�meros, o pai n�o divulga. Licenciar produtos est� nos planos. �Estamos estudando o mercado e queremos consolidar melhor o nome do Kak�, se ele continuar em ascens�o�, diz Bosco.
O jogador prefere ficar de fora das reuni�es. �S� quando as negocia��es est�o acertadas � que o meu pai me mostra�, diz ele. Convites para jogar no Exterior tamb�m n�o faltam, mas nem todos chegam at� o craque. �O que eu sei � que o Brescia, da It�lia, queria me levar no come�o do ano e depois da Copa recebi um convite do time alem�o Bayern Leverkusen, mas o S�o Paulo n�o aceitou a proposta�, conta. Contratado pelo time brasileiro at� 2005 com sal�rio estimado em R$ 80 mil e passe de pelo menos US$ 20 milh�es, Kak� planeja jogar l� fora ap�s as Olimp�adas de 2004. Ele quer integrar um time grande da Europa para crescer profissionalmente e adquirir conhecimento cultural.
O �dolo do futebol com apenas um m�s de idade em maio de 1982
H� dois anos ele fraturou uma v�rtebra e passou dois meses de colete. �Os m�dicos disseram que eu tive sorte. Tenho certeza que foi Deus�, diz ele, evang�lico h� sete anos
Determina��o n�o lhe falta. Aos 14 anos, Kak� decidiu que futebol seria mesmo sua vida. Para n�o passar aperto na escola, acordava duas horas mais cedo para estudar para as provas. Sempre conseguiu notas boas mesmo treinando o dia todo e estudando � noite. Ficou de recupera��o apenas uma vez, no 1� ano do ensino m�dio. O deslize na matem�tica n�o abalou o gosto pelos n�meros. Kak� pensou em ser engenheiro como o pai. Depois cogitou de Educa��o F�sica e agora acha que quando largar o futebol vai prestar vestibular para Administra��o. Nunca se arrependeu de ver a adolesc�ncia ocupada com a bola. �Quando eu pensava, �puxa, podia viajar com meus amigos�, logo me lembrava de quanto o futebol era importante para mim�, conta.
Os sacrif�cios valeram a pena. Ele n�o se esquece do dia 13 de junho passado, quando o jogador Roque J�nior levantou-se do banco de reserva, deu um abra�o e pediu para ele jogar o futebol que sabe. Kak� entrou em campo com a camisa da Sele��o Brasileira para jogar 25 minutos contra a Costa Rica na Copa do Mundo. �Foi fant�stico. Quero disputar todas as Copas que puder. � uma responsabilidade muito grande, mas compensa.� Ca�ula da Sele��o, costumava buscar conselhos com os mais experientes. Como Ronaldinho era tamb�m muito novo quando participou da primeira Copa, em 1994, a identifica��o entre os dois foi imediata. �Tudo o que eu precisava, eu pedia para ele. At� pasta de dente�, lembra Kak�.
Nas horas de folga, o craque vai � igreja evang�lica Renascer, que freq�enta h� sete anos. A religiosidade n�o deixa d�vidas na insepar�vel pulseira prateada com a inscri��o Jesus que s� tira para entrar em campo. Um acidente ocorrido h� dois anos aprofundou ainda mais a f� de Kak�. De f�rias na cidade goiana de Caldas Novas, onde moram os av�s paternos, ele brincava no escorregador de um parque aqu�tico quando bateu a cabe�a no fundo da piscina. Nada foi diagnosticado na hora. Depois de treinar dois dias em S�o Paulo, sentiu muita dor e descobriu que havia fraturado a 6� v�rtebra da coluna cervical. Passou dois meses de colete. �Os m�dicos disseram que eu tive sorte. Tenho certeza que foi Deus�, diz.
Ele � caseiro. �Gosto de atender todo mundo. Se n�o d�, prefiro ficar em casa.� � l� que ele recebe os mimos culin�rios da m�e � a torta de lim�o est� entre os favoritos � e joga videogame com o irm�o. O jogo predileto da dupla? Futebol, claro. Rodrigo segue os mesmos passos de Kak� e � zagueiro no time juvenil do S�o Paulo. A m�e, Simone, que se prepare para, em breve, ver o n�mero de f�s dobrar na porta de casa.
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