=>Vida<=




Fama instant�nea

(Revista �poca - Mar�o/2001)
Com apenas 18 anos e tr�s gols como profissional, o atacante Kak�, do S�o Paulo, torna-se uma estrela
Um leve impulso e o corpo deslizou em segundos pelo tobog�. Em vez do mergulho suave, deu-se a
queda dura, no fundo da piscina. Foram necess�rios quatro pontos cir�rgicos para fechar o
corte na cabe�a, al�m de dois meses para vencer o susto e consolidar a fratura na sexta
v�rtebra. Ricardo Izecson Santos Leite, o Kak� � assim mesmo, com duas letras "k" �, passava
alguns dias na casa dos av�s em Caldas Novas, interior de Goi�s, em 30 de setembro do ano
passado, quando colidiu com os azulejos. Foi o pior momento em 18 anos de vida. Sobressaltos
da p�s-adolesc�ncia. Ele s� entraria na idade adulta, a rigor, na noite de 7 de mar�o de 2001. O rapaz de andar cadenciado e �culos de bom aluno precisou de apenas dois minutos
para marcar dois gols e sair do anonimato. O S�o Paulo venceu o Botafogo do Rio de
Janeiro por 2 a 1 e levou o t�tulo do Torneio Rio-S�o Paulo, um dos dois �nicos que faltavam
ao clube. O outro � a Copa do Brasil.
Kak� tornara-se uma estrela. Ele entrou no S�o Paulo pelo port�o dos s�cios, aos 11 anos. O pai,
engenheiro civil de Cuiab�, em Mato Grosso, havia transferido a fam�lia para a capital
paulista. Morava no rico bairro do Morumbi. Aos 15 anos, o garoto j� era campe�o paulista
infantil. O apelido foi arte do irm�o Rodrigo, de 15 anos, zagueiro pouco habilidoso."Quando
ele era pequeno n�o conseguia pronunciar Ricardo, meu nome, e dizia sempre Cac�", explica o
craque. A convers�o para Kak� aconteceu quase por acaso, quando um funcion�rio do clube trocou as duas letras "c" por "k". Destro, o menino prod�gio come�ou a chutar bolas ao modo de muitos outros monstros dos est�dios,
como Rivelino (canhoto): nas quadras de futebol de sal�o. Tinha 8 anos. Hoje �
comparado a Ra�. "Tenho orgulho da compara��o", escreveu o aposentado camisa 10 em sua coluna
no jornal O Estado de S. Paulo. A fama precoce transformou o menino em xod� tricolor. Atr�s
dele desfila um pelot�o de jornalistas. "A Hebe Camargo liga quase todo dia para lev�-lo ao
programa", conta Juca Pacheco, assessor de imprensa do S�o Paulo. O ass�dio for�ou a comiss�o t�cnica a levantar um pared�o em torno do jogador. Entrevistas s�o feitas apenas com
hora marcada e no Centro de Treinamento. � o cerco necess�rio para n�o tirar do eixo um calmo vocacional.
O atacante freq�enta, com a fam�lia, a Igreja Renascer, reduto de evang�licos da classe m�dia.
Tem na B�blia seu livro de cabeceira, gosta de ler jornais e � avesso a pol�micas. "De
confus�es e das drogas, fico bem longe", resume. "O futebol � uma ladeira na qual � preciso
subir passo a passo."

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