=>Vida<=




Entrevista

(Semana da Conquista do Rio-SP 2001) A maioria dos garotos de 18 anos se preocupa em tirar carteira de motorista, assistir a filmes censurados e arrumar uma namorada. Kak� n�o: est� concentrado em fazer gols. Ele foi a grande estrela do S�o Paulo na conquista do Torneio Rio-S�o Paulo, ao marcar duas vezes na final contra o Botafogo. Desde ent�o, desfruta de uma rotina de celebridade. A festa do t�tulo contou at� com a presen�a de seu �dolo: Ra�. - Muitos dizem que meu estilo � como o delee. Sem d�vida, � um grande exemplo. Sempre o admirei, mas n�o quero imit�-lo. Apesar da mudan�a radical, de viver dias de estrela e de ter sa�do do anonimato de uma hora para a outra, Kak� consegue dormir. A tranq�ilidade caracter�stica ainda n�o foi perdida, nem o respeito aos pais: - Quando preciso de conselhos, � atr�s delees que vou. Atualmente, as palavras de ordem t�m sido: "P�s no ch�o", "N�o se iluda" e "Continue trabalhando". Ele diz que segue as instru��es ao p� da letra e garante encontrar em casa a paz, at� para se divertir: - No tempo livre, jogo v�deo game, assisto a filmes e ou�o m�sica gospel. Gosto de ficar em casa e com meu irm�o (Rodrigo, de 15 anos). Foi o irm�o quem transformou Ricardo Izecson Santos Leite em Kak�, quando crian�a. - Ele n�o sabia falar Ricardo e s� sa�a Kakk� - conta o dono do apelido. A confus�o entre a grafia com C e com K come�ou nos profissionais. - No juniores, todo mundo escrevia com K. EEnt�o, j� dava aut�grafos assim. Quando subi, fui inscrito com C. N�o que eu me importe, mas, depois do t�tulo, viram que eu escrevia com K e mudaram. T�mido? Nem tanto A fam�lia de Kak� � de Goi�nia. Ele nasceu em Bras�lia, onde ficou at� os 4 anos. Por conta de transfer�ncias de emprego do pai, mudou-se para Cuiab�, depois para S�o Paulo. Aos 8 anos, chamou a aten��o do professor de Educa��o F�sica do col�gio Batista Brasileiro, que orientou a m�e a lev�-lo a uma escolinha de futebol. - Um chileno, o Andr�s, da escolinha do Summar�, me indicou para o Alphaville T�nis Clube. O time do fraldinha foi para a final de um campeonato contra o S�o Paulo, mas n�s perdemos o t�tulo. S� que a diretoria do Tricolor se interessou por mim. A�, comecei a treinar no S�o Paulo e meu pai se tornou s�cio do clube. Kak� concluiu o Segundo Grau e pensou em fazer faculdade - possivelmente, de Educa��o F�sica - mas n�o conseguiu nem come�ar: - N�o d� tempo mesmo, mas procuro sempre mee manter informado. Costumo ler revistas, jornais. Ultimamente, seu interesse tem se voltado para as reportagens que incluem seu nome. Nenhum coment�rio passa despercebido. A m�e � quem faz sele��o, recorte e arquivo. - Meus pais est�o muito contentes com a minnha boa fase, mas n�o querem euforia exagerada - explica. Os amigos, menos preocupados em controlar a alegria, ligam sempre para lhe dar os parab�ns. Antigos treinadores, colegas de escola e, claro, meninas congestionam as linhas da casa e do celular. - Por isso � bom fazer amigos antes de ser famoso. Voc� sabe quais s�o os verdadeiros. Depois, fica dif�cil saber quem est� interessado em se aproveitar e quem gosta mesmo de voc� - analisa. Em setembro do ano passado, um acidente num tobog� afastou Kak� dos gramados. Ele aproveitava um fim de semana em que n�o jogaria - estava suspenso por ter recebido tr�s cart�es amarelos - para ir com a fam�lia para Caldas Novas, em Goi�s. - Meus av�s moram l�. Estava num escorregaddor nas termas (piscinas de �gua quente), desci e o impacto com a �gua causou a les�o. Depois, bati a cabe�a no fundo da piscina. Fraturei a sexta v�rtebra e fiquei dois meses afastado - conta. Nunca passou pela cabe�a do meia que o acidente pudesse afast�-lo do futebol definitivamente: - Sei que foi por Deus, mas nunca temi por minha carreira. A classifica��o das coisas importantes na vida � estabelecida por ele segundo um ranking: em primeiro lugar, Deus; em segundo, a fam�lia; em terceiro, a profiss�o. Quando o assunto � religi�o, Kak� se diferencia ainda mais da maioria dos garotos de sua idade. Ele � evang�lico e j� recebeu o batismo das �guas, aos 13 anos, e do Esp�rito Santo. Kak� freq�enta a igreja Renascer, no Cambuci, em S�o Paulo. Apesar de haver cultos diariamente, prefere os de domingo, �s 17h, com a bispa S�nia Hernandes. Triunfo de despertar a aten��o O novo �dolo do Morumbi tem um trunfo a mais para despertar aten��o: � bonito, o sorriso f�cil, a disposi��o para atender os f�s e a carinha de beb� s�o respons�veis pelo in�cio do ass�dio ao garoto. Ele n�o tem namorada. Garante que n�o � t�mido, mas que tamb�m n�o � o mais atirado da turma. Quem quiser se candidatar... O novo �dolo � vaidoso: - Gosto de estar bem vestido, de usar roupaa combinando e perfume. Em ocasi�es especiais, minha m�e me d� umas dicas e ajuda a escolher. Nos cabelos, uso o que estiver no banheiro, mas no ver�o gosto de passar um xampu de camomila, para dar uma clareada. A alegria de jogar pelo S�o Paulo vem tamb�m das origens. Ele � s�o-paulino e cresceu no Morumbi, porque j� jogava l� e levou sua prefer�ncia a toda a fam�lia. - Em S�o Paulo, s� est�o meus pais. Os outrros parentes s�o de Bras�lia e alguns torcem pelo Cruzeiro. Tenho um primo que joga l�, Eduardo Delani, atacante dos juniores. Kak� diz que o presente � o que importa, mas consegue projetar algumas coisas para o futuro. - J� penso em Sele��o. Os jogadores, princiipalmente de times grandes, precisam trabalhar para isso. No futebol, � o meu maior sonho. Mas e fora do futebol? - Quero ter uma fam�lia, comprar uma casa, viver com minha mulher, ter uns dois filhos e cuidar do meu cachorro. Na verdade, quero um canil

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