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NA CAPRICHO
Capricho - 30/05
O dono da bola
Por Arnaldo Ribeiro
Fotos: Marlos Backer
"Eu me acho bonito, sim", diz Ricardo Izecson dos Santos Leite, 20 anos, o Kak�. E sorri. "O meu sorriso � meu cart�o de visitas." Na verdade, n�o �. O cart�o de visitas do mais jovem integrante da sele��o brasileira, que come�a no pr�ximo dia 3, na Cor�ia do Sul, a briga pelo penta, � o futebol, r�pido, inteligente, matador. Mas como esta n�o � uma revista de futebol, fala Kak�: "Uma vez, uma f� foi at� o vesti�rio do S�o Paulo e me pediu a cueca! Fingi que n�o ouvi. Fiquei todo sem gra�a. Umas v�m devagarzinho, por fora, mas a maioria vem na cara-dura mesmo".
"Aqui � o Kak�. No momento, n�o posso atender. Ap�s o sinal, deixe o seu recado. Obrigado, Deus te aben�oe. Tchau". Durante os 40 minutos que reservou para a entrevista e fotos para a CAPRICHO, pouco mais de um m�s antes de deixar o pa�s com a sele��o, a mensagem de seu celular tocou pelo menos 70 vezes � algumas para jornalistas, outras para familiares, muitas para f�s. Kak� � o rei dos torcedores � das torcedoras, para ser mais preciso � do S�o Paulo. Recebe diariamente cerca de 25 cartas, a maioria de mulheres. "Procuro responder a todas, dar aut�grafos, tirar foto para quebrar a dist�ncia entre o �dolo e o f�", diz. Se j� n�o conseguia antes, imagine agora e depois da Copa...
Com tanta mulher ao redor, � curioso que tenha dificuldade em arrumar namoradas. Talvez pela personalidade retra�da... "N�o sou t�mido. No come�o, at� era, mas agora, n�o", se apressa em dizer. Talvez, ent�o, pelo seu n�vel de exig�ncia, n�o �, Kak�? "Precisa ser uma mulher que entenda o que eu fa�o, o fato de eu estar viajando o tempo todo. Preciso confiar muito nela e ela em mim." Para as interessadas, Kak� rompeu um namoro de tr�s meses recentemente. "Meu cora��o est� a�, procurando algu�m."
De prefer�ncia algu�m como Luma de Oliveira ou Fernanda Lima. "�s vezes assisto � MTV s� para ver o rosto dela", confessa. E a Sandy? "Isso foi brincadeira do J�lio [Baptista, companheiro de clube desde os 12 anos], diz. Certa vez, o amigo levou um v�deo da Sandy e do Junior e espalhou que a id�ia tinha sido do Kak�. "Inventou at� um namoro com a Sandy e a not�cia se espalhou...", conta o jogador. "Nunca vi o Kak� bravo nem perdendo a calma", garante J�lio.
Kak� � fiel
Em outubro de 2000, quatro meses antes de estourar no S�o Paulo, Kak� visitou a casa dos av�s, em Caldas Novas (GO). Pulou na piscina e quase n�o voltou mais. Bateu a cabe�a e fraturou um peda�o de uma v�rtebra da coluna. Ficou dois meses sem poder levantar da cama, de colete cervical. Correu o risco de ficar parapl�gico. "Esse epis�dio teve a m�o de Deus", diz. "Considero o meu livramento."
A religi�o est� presente em tudo o que o cerca. Na dedicat�ria de seu aut�grafo, na pulseira que carrega no pulso (Jesus), na comemora��o dos gols (levanta os bra�os para o c�u e diz "Deus � Fiel"). Nascido numa fam�lia de evang�licos, freq�enta o Culto da Fam�lia da Igreja Renascer toda semana. Mas n�o � dos que usam a religi�o como marketing. N�o fala de igreja, a n�o ser que puxem o assunto. Age mais na surdina: contribui com o d�zimo, 10% de seu sal�rio, religiosamente, com o perd�o da redund�ncia. "� uma lei b�blica e, al�m do mais, n�o me faz falta.
Isto � Kak�
� Nasceu em Bras�lia (DF) em 15 de maio de 1982. Aos 4 anos foi para Cuiab� (MT), a reboque dos pais, Bosco, engenheiro, e Simone. S� aos 7 veio para S�o Paulo.
� Sempre sonhou em ser jogador de futebol.
"Comecei aos 8 e at� os 13 jogava por prazer. A partir dos 14, decidi que era aquilo que eu queria para a minha vida." O apoio dos pais foi irrestrito.
� A fam�lia acabou se instalando no Morumbi, bairro onde fica a sede e o est�dio do S�o Paulo � da� a sua op��o pelo clube. At� hoje mora na regi�o, num confort�vel apartamento, com os pais e o irm�o, Rodrigo.
� Ganhava R$ 700 quando teve a sua primeira chance no time profissional do S�o Paulo, h� 15 meses. Hoje tem sal�rio de top: cerca de R$ 80 mil (coisa que, por sinal, odeia revelar).
� Kak� estudou at� o 3� ano do ensino m�dio.
"A rotina do futebol me impede de continuar estudando", diz ele, que pretende cursar educa��o f�sica ou administra��o quando pendurar as chuteiras.
� Programas favoritos: cinema, churrascarias, boliche, t�nis, karaok� e comprar roupas.
"Mas n�o tenho me arriscado a passear no shopping. Teria de parar a cada minuto para aut�grafos, fotos e beijinhos."
� "Acho que mulher n�o gosta de cantada."
E o que faria para conquistar, digamos, sua musa, Fernanda Lima? "Sei l�. Eu tentaria alguma coisa na base da conversa, com conte�do."
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