CAPÍTULO 5

Duas horas se passaram. Duas horas! Se existe céu, foi pra lá que Nick me levou!

Mas como sempre, após uma maravilhosa noite de amor, algo tem que acontecer pra nos chamar de volta à realidade. E o que aconteceu, nesse caso, foi Alex batendo insistentemente na porta de seu quarto.

Chamei Nick, que havia apagado em seu pesado sono.

-Ãh? – ele disse, esfregando as mãos nos olhos. Realmente a noite foi muito cansativa...

-O Alex tá batendo na porta... – eu disse, cochichando – o que vamos fazer?

-Abrir, ué...

-Você enlouqueceu? Se ele me pega na cama com você, é capaz de te matar!

Ele ficou em silêncio, ainda bêbado de sono.

-Vem, se esconde em baixo da cama!

Ele obedeceu. Acho que, no fundo, ficou com medo da reação do Alex.

Mais uma vez, respirei fundo, criei coragem e com minha cara-de-pau, abri a porta.

-Juliana! O que você tá fazendo trancada no meu quarto, posso saber?

-Tirando um cochilo, Alex... o que mais poderia estar fazendo?

-Nua? – ele disse, percebendo que apenas um lençol cobria meu corpo.

Suspirei. Tinha que pôr em prática meus dotes artísticos se não quisesse que meu primo soubesse que dormi com um dos melhores amigos dele... na cama dele!

-Eu tô com dor de cabeça, Alex... pensei que não fosse ter problema em dormir no seu quarto hoje...

-E como você soube que esse era meu quarto?

-Nick! Ele me mostrou e depois nos despedimos... Alex, se não for pedir muito, será que eu poderia passar essa noite aqui? Não tô legal pra voltar pra casa sozinha, meus pais já devem ter ido embora...

-Tudo bem... sua cara não tá muito boa mesmo... eu durmo em outro quarto! Boa noite, Ju!

-Boa noite, lindo! Te amo! – eu disse, sorrindo e ele sorriu de volta, virando-se e descendo as escadas em seguida.

Assim que tranquei a porta novamente, Nick saiu de seu “esconderijo”.

-Ai... da próxima vez me escondo dentro de um armário...

Ri. Ele sentou-se na cama, massageando os pés. Fiquei em pé, o observando. Não sei explicar o que senti nesse momento. Talvez estivesse gostando dele. Talvez não!

-Você mente bem! – ele disse, acordando-me de meus sonhos.

-Ah... quando é preciso, me esforço um pouco!

-Então vamos passar essa noite aqui?

-Hein? Ouvi bem? Nós vamos passar a noite aqui? – disse, ironicamente.

-Está me expulsando?

-Como vai embora depois que todos os convidados forem? Se alguém te pegar, como vai explicar?

-Sei lá! Isso importa tanto? – ele se levantou e veio em minha direção, abraçando-me pela cintura.

-Não faz assim...

-Assim como? – ele começou a beijar meu pescoço e em seguida minha boca.

-Assim, oras! – eu disse, após o beijo – quer me matar?

Ele sorriu.

-Que foi, Nick? – perguntei, encabulada com a expressão de seu rosto.

-Vem, vamos dormir! Já passa das três da manhã!

Sorri.

            Ele deitou-se na cama, me puxando junto. Caí ao seu lado e rimos. Em seguida, encostei minha cabeça em seu peito e adormeci. Estava novamente no paraíso.

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