Resultados do 1o tri mostram ITAÚ e BRADESCO parecidos
SÃO PAULO (Reuters) - O Itaú reportou nesta terça-feira um lucro de 1,46 bilhão de reais para o primeiro trimestre deste ano, próximo ao resultado apresentado na véspera pelo seu maior rival, o Bradesco, que ganhou 1,53 bilhão de reais no mesmo período.
O crescimento dos dois resultados, na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, também foi muito próximo. No Itaú, 28 por cento; no Bradesco, 27 por cento. Não é mera coincidência. Na disputa pela liderança do varejo bancário do país, os dois estão ficando pouco a pouco mais parecidos.
"Eles convergiram um pouco mais este ano", disse o analista do setor financeiro no banco UBS, Bruno Pereira. "O mercado está afetando de maneira um pouco mais semelhante os dois."
Em conferência telefônica para comentar o balanço, o diretor de Controladoria do Itaú, Silvio de Carvalho, reconheceu que, na competição para ganhar escala no varejo, os dois concorrentes acabam se modelando de forma parecida.
"Os dois operam no mesmo mercado... os números refletem isso", afirmou.
Até a linha do balanço que mais chamou a atenção de analistas foi a mesma para os dois bancos: provisão para créditos de liquidação duvidosa (PDD).
"O nível de provisão está vindo mais alto do que a gente imaginava", disse Pereira, que na véspera já havia se surpreendido com os números apresentados pelo Bradesco, que provisionou 938 milhões de reais no primeiro trimestre.
O Itaú informou em comunicado emitido nesta terça-feira que teve no primeiro trimestre uma despesa contábil com PDD de 1,445 bilhão de reais, praticamente o dobro da registrada um ano antes. Uma situação que não chega a assustar o banco, segundo Carvalho.
"Achamos que vai subir um pouco mais. No primeiro trimestre deu uma subida acentuada, talvez um pouquinho acima do que estávamos prevendo, mas é uma tendência de mercado... pessoa física é um pouquinho mais arriscado" afirmou ele, que estima a taxa de inadimplência em até 4,5 por cento neste ano.
No final de março, os empréstimos dados como perdidos equivaliam a 4 por cento da carteira, que atingiu 72,046 bilhões de reais, incluídos avais e fianças. O saldo ficou 26,4 por cento maior que em março de 2005. Nesse mesmo intervalo, o crédito à pessoa física cresceu 48,4 por cento, para 30,8 bilhões de reais.
SALTO
Mas o crescimento da carteira de crédito do Itaú no trimestre, de quase 6 por cento em relação ao saldo do final de dezembro, foi considerada expressiva. Pereira esperava a metade disso.
"No crédito pessoal, o crescimento foi de 11 por cento no trimestre, e no de automóveis, de 14 por cento. Essas duas àreas, no sistema todo, cresceram algo como 7 por cento. Então, o Itaú ganhou participação", disse o analista.
Foi isso, em parte, que deu impulso à margem financeira gerencial, que cresceu 36 por cento na comparação anual, para 4,073 bilhões de reais. A compensação do peso de provisões mais carregadas com um uma margem financeira alta é outra das semelhanças com a performance do concorrente.
Com o ganho obtido nos primeiros três meses deste ano, o Itaú obteve uma rentabilidade sobre o patrimônio líquido médio anualizado de 36,3 por cento.
A instituição fechou os primeiros três meses do ano com 2,121 bilhões de reais de receita líquida de serviços, avanço em relação aos 1,794 bilhão de reais registrados no primeiro trimestre do ano passado.


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