Perspectivas seguem positivas para ações de bancos na bolsa
Por Danilo Fariello
11/05/2006
O saldo da temporada de divulgação de balanços trimestrais dos bancos é bastante positivo para seus acionistas. A expansão de cerca de 20% da carteira de crédito do setor nos últimos 12 meses, impulsionada pela manutenção do ritmo de cortes na taxa de juros, tem elevado significativamente o lucro dos bancos e, por conseqüência, o retorno de seus acionistas. Além disso, as recentes movimentações de consolidação do mercado reforçam ainda mais a força dos principais agentes do setor, que possuem ações negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).
Entre as ações mais negociadas do mercado, já divulgaram balanços trimestrais Bradesco e Itaú, que tiveram lucro líquido de R$ 1.530 milhões e R$ 1.460 milhões, respectivamente. O Unibanco divulga balanço hoje e o Banco do Brasil anuncia resultados na próxima semana.
A corretora do Banco Real prevê continuidade do crescimento do estoque de crédito no sistema bancário, com avanço de 22% neste ano, o que indica perspectiva ainda positiva ao setor. O analista José Francisco Cataldo, contudo, chama a atenção para a necessidade de controle dos níveis de inadimplência pelos bancos. "Mas essa preocupação não é alarmante, pois os balanços também já mostram o cuidado dos bancos com isso."
A nova onda de consolidação do mercado, com compras de instituições financeiras por outras maiores, não é motivo de temor para os acionistas, avalia Rafael Quintanilha, analista da corretora Ágora Senior. "As aquisições são logo absorvidas pelos lucros altos e não devem mudar tanto o panorama atual do mercado nacional."
Os papéis das instituições financeiras costumam figurar nas carteiras dos investidores como parcela mais defensiva, por não recuarem tanto em momentos desfavoráveis ao mercado. No entanto, o momento atual virtuoso para a bolsa indica que essas ações também podem apresentar desempenho acima da média das demais nesse cenário, antes que o crescimento seja sistêmico.
Quintanilha acredita, porém, que, em geral, os resultados elevados dos bancos não deverão continuar a apresentar saltos tão largos quanto os foram verificados nos períodos anteriores, em que os lucros aumentavam mais de 20% ao ano. Mas ainda motivam esse avanço do ganho, segundo ele, a maior prestação de serviços pelos bancos e a cobrança de tarifas, a expansão maior das carteiras de crédito e o aumento da receita pela administração de recursos. "O risco maior seria a taxa de juro apresentar oscilação muito diferente da expectativa de corte gradual considerada nos orçamentos."
Bradesco e Itaú são as empresas mais recomendadas pela Ágora Senior no setor atualmente, principalmente pelo bom desempenho da carteira de crédito dos dois bancos. "O Itaú ainda pode apresentar neste ano um crescimento mais forte do que o Bradesco teve em 2005." Entre a ação do Itaú e da sua holding, a Itaúsa, Quintanilha prefere os papéis do banco. "Os fundamentos de ambas são os mesmos, mas a cotação do papel do banco está defasada em relação ao preço pago pelas ações da holding."
No ano passado, uma reestruturação no Unibanco trouxe ao mercado novas units - unidades de negociação compostas por uma ação preferencial (PN, sem voto) do banco e outra da sua holding. Com isso, a empresa ganhou liquidez, apesar de ainda ser menos negociada que seus pares, e entrou recentemente na carteira do Ibovespa, que inclui os papéis mais líquidos da bolsa. O analista da Ágora comenta que o Unibanco também ainda não vivenciou seu "boom" na oferta de crédito e isso pode impulsionar os papéis.
O Banco do Brasil tem uma nova oferta registrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O banco estatal pretende atrair mais investidores estrangeiros e elevar a liquidez de seus papéis no mercado brasileiro. Com a oferta, ocorrerá uma reestruturação na sua distribuição societária e o banco passará a ter apenas ações ordinárias (ON, com direito a voto). Com isso, o BB ingressará no Novo Mercado da Bovespa, ambiente que inclui as empresas com maior governança corporativa da bolsa. Antes do anúncio da oferta, que impede as corretoras de se manifestarem, as análises com relação ao BB eram as mais reticentes do setor, sendo que algumas indicações apontavam venda.


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